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XVI ENCONTRO ÍBERO-LATINO-AMERICANO DE GOVERNO ELETRÔNICO E INCLUSÃO DIGITAL & SEGUNDO CONGRESO IBEROAMERICANO DE INVESTIGADORES Y DOCENTES DE DERECHO E INFORMÁTICA - CIIDDI 2013

19 de março de 2013 6:31 pm

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Nos dias 02, 03 e 04 de maio de 2013 será realizado no Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina - CCJ/UFSC o XVI Encontro Íbero-Latino-Americano de Governo Eletrônico e Inclusão Digital e o Segundo Congreso Iberoamericano de Investigadores Y Docentes de Derecho e Informática - CIIDDI 2013, cuja programação segue abaixo:

Dia 02 de Maio

XVI ENCONTRO ÍBERO-LATINO-AMERICANO DE GOVERNO ELETRÔNICO E INCLUSÃO DIGITAL

08:30/10:20 - Apresentação dos Artigos

10:20 - Abertura

Aires José Rover (PPGD/UFSC EGC/UFSC)

Luis Carlos Cancellier de Olivo (Diretor do CCJ/UFSC)

10:30/ 12:00 - Governo aberto e e-Democracia

Danilo Cesar Maganhoto Doneda (Ministério da Justiça)

Fernando Galindo Ayuda (Universidad de Zaragoza - Espanha)

Aires José Rover (CPGD-EGC/UFSC)

12:00/14:00 - Almoço

14:00/15:30 - Processo Eletrônico e Informatização do Poder Judiciário

Marlos Augusto Melek (Juiz Federal do Trabalho)

João Alexandre Dobrowolski Neto, juiz em Santa Catarina

Cesar Serbena (Direito/UFPR)

15:30 /17:00 - E-gov e Poder Executivo

Ricardo Sebastián Piana (Universidad Nacional de La Plata - Argentina)

Denilson Sell (EGC/UFSC)

Luis Adolfo Olsen da Veiga (CCJ/UFSC)

17:00/17:30 - Coffe Break

17:30/19:00 - Metodologias e aplicativos em Governo Eletrônico

Roberto Giordano Lerena (Facultad de Ingeniería - Universidad FASTA, Argentina)

Luiz Martins (Centro Universitário de João Pessoa - Unipê)

José Leomar Todesco (EGC/UFSC)

Dia 03 de Maio

SEGUNDO CONGRESO IBEROAMERICANO DE INVESTIGADORES Y DOCENTES DE DERECHO E INFORMÁTICA - CIIDDI 2013

08:30/10:20 - Apresentações dos artigos

10:20 - Abertura

Aires José Rover (PPGD/UFSC EGC/UFSC)

Carola Canelo (Uchile, Chile)

10:30/12:00 - Crimes de Informática

Manuel David Masseno (Lab UbiNET/IPBeja, Portugal)

Ana Haydee Di Iorio (Argentina)

Marlus H. Arns de Oliveira (Curitiba)

12:00/14:00 - Almoço

14:00/15:30 - Segurança da Informação

Ricardo Custódio (CCT - UFSC)

Alexandre Atheniense (Belo Horizonte)

Orides Mezzaroba (CPGD/UFSC)

15:30 /17:00 - Propriedade Intelectual

Carola Canelo (Uchile - Chile)

Omar Kaminski (Curitiba - PR)

Gustavo Raposo P. Feitosa (UNIFOR - Fortaleza)

17:00/17:30 - Coffe Break

17:30/19:00 - Comércio Eletrônico

Amadeu Vidonho Jr (Belem - PA)

Rofis Elias Filho (São Paulo - SP)

José Renato Gaziero Cella (PUCPR e IMED)

Dia 04 de Maio

08:30/10:30 - Apresentação dos Artigos

10:30/12:00 Solenidade de Encerramento

Programação sujeita a modificações.

I Simpósio de Processo Eletrônico: Sociedade, Tecnologia e Direito

10 de julho de 2012 1:54 pm

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Nos próximos dias 23 a 26 de julho participarei do I Simpósio de Processo Eletrônico da Escola Superior de Advocacia da OABPR, com a temática Sociedade, Tecnologia e Direito, a se realizar na sede da OABPR, sendo que, em 25 de julho de 2012, falarei sobre “A falta de conhecimento tecnológico como obstáculo para o exercício da advocacia“.

topo

I SIMPÓSIO: PROCESSO ELETRÔNICO: SOCIEDADE, TECNOLOGIA E DIREITO

PROGRAMA

23/07/2012 - segunda-feira, das 19h00 às 22h00
PALESTRA 1 - DIREITO
Tema: O princípio da dignidade da pessoa humana, o processo eletrônico e profissional não qualificado na informática.
Palestrante: Roger Stiefelmann Leal.

PALESTRA 2 - DIREITO
O processo eletrônico e o princípio Constitucional do livre exercício da profissão: o processo eletrônico e o profissional não qualificado em informática.
Palestrante: Cibele Fernandes Dias.

24/07/2012 - terça-feira, das 19h00 às 22h00
PALESTRA 1 - TECNOLOGIA
Tema: ISO 27.000 e os sistemas de processo eletrônico.
Palestrante: Luciano Johnson.

PALESTRA 2 - SOCIOLOGIA
Tema: Tecnologia e Dignidade Humana
Debatedora: Cineiva Campoli Paulino Tono

PALESTRA 3 - DIREITO
Tema: Pje - Sistema Único = Procedimento Único? A problemática do Art. 18 da Lei 11.419/2006, a insegurança causada e as prerrogativas dos advogados.
Palestrante: Ana Amelia Menna Barreto de Castro Ferreira.

25/07/2012 - quarta-feira, das 19h00 às 22h00
PALESTRA 1 - TECNOLOGIA
Tema: O estado da arte: tendências tecnológicas.
Palestrante: Denise Fukumi Tsunoda.

PALESTRA 2 - SOCIOLOGIA
Tema: A falta de conhecimento tecnológico como obstáculo para o exercício da advocacia.
Palestrante: José Renato Gaziero Cella.

PALESTRA 3 - DIREITO
Tema: Art. 5º da Lei 11.419/2006 e a paridade de defesa.
Palestrante: Sandro Marcelo Kozikoski.

26/07/2012 - quinta-feira, das 19h00 às 22h00
PALESTRA 1 - TECNOLOGIA
Tema: Certificação Digital: estado atual e tendências.
Palestrante: Renato da Silveira Martini.

PALESTRA 2 - SOCIOLOGIA / FILOSOFIA
Tema: Evolução Social: Das cavernas aos bits.
Palestrante: André Peixoto de Souza.

PALESTRA 3 - DIREITO
Tema: novo CPC: escrita com tinta escura indeléve.
Palestrante: Vicente de Paula Ataide Junior.

DOCENTES

ROGER STIEFELMANN LEAL
Advogado. Graduado em Ciências Jurídicas E Sociais pela PUC-RS. Doutor em Direito pela USP. Atualmente é professor doutor de Direito Constitucional da USP e procurador da fazenda nacional. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Constitucional, atuando principalmente nos seguintes temas: controle de constitucionalidade, efeito vinculante, jurisdição constitucional e poder judiciário. É Secretário-Executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República desde maio de 2011.

CIBELE FERNANDES DIAS
Advogada, graduada em Direito pela UFRS, mestrado em Direito pela PUC-SP e doutorado em Direito pela PUC-SP. Atualmente é Professor adjunto, Professor de Direito Constitucional da Escola da Magistratura Federal do Paraná, Professor de Direito Constitucional do Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Paraná e Professor Auxiliar. Tem experiência na área de Direito , com ênfase em Direito Público. Atuando principalmente nos seguintes temas: Controle de constitucionalidade.

LUCIANO JOHNSON
Mestre em Ciência, Gestão de Tecnologia da Informação pela UFPR, Pós-Graduado (Especialização) em Redes e Sistemas Distribuídos, graduado em Processamento de Dados. Certificado CISM (Certified Information Security Manager), CRISC (Certified in Risk and Information Systems Control), ITIL V3, CobiT e ISFS (Information Security Foundation based on Standards). Atua como consultor de segurança da informação a 15 anos. Professor em cursos de Graduação e Especialização.

CINEIVA CAMPOLI PAULINO TONO
Doutoranda em Tecnologia e Sociedade (UTFPR), Mestre em Educação (UFPR), Especialista em Formulação e Gestão de Políticas Públicas e em Informática na Educação, Bacharel e Licenciada em Química. Servidora Pública a mais de 20 anos, dos quais 14 anos atuou na área gestão de tecnologia na escola. Desde 2011 atua como pesquisadora na Escola de Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos. É membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB/PR como educadora e coordenadora da subcomissão cibervício, cibercrimes, crianças e adolescentes. Coordenadora do Projeto Tecnologia e Dignidade Humana junto a UFPR e a UTFPR, em resposta ao edital 033/2010 da CAPES.

ANA AMELIA MENNA BARRETO DE CASTRO FERREIRA
Advogada. Mestre em Direito Empresarial. Pós-Graduada em Direito Empresarial. Docente na área de Direito da Tecnologia da Informação. Presidente da Comissão de Direito e Tecnologia da OAB/RJ.

DENISE FUKUMI TSUNODA
Graduada em Bacharelado em Informática pela UFPR, possui mestrado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial pela UTFPR e doutorado em Engenharia Biomédica também pela UTFPR. Atualmente é professora na UFPR no curso de Gestão da Informação, Departamento de Ciência e Gestão da Informação e do programa de Mestrado em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação. Pertence ao grupo permanente de revisores da Revista Produção Online e Revista GEPROS e comitê editorial da Revista A to Z. Atua principalmente nos seguintes temas: teoria da informação, tecnologias da informação e comunicação, descoberta de padrões em banco de dados, mineração de dados, computação evolucionária, algoritmos genéticos e programação genética.

JOSÉ RENATO GAZIERO CELLA
Advogado, Doutor em Filosofia e Teoria do Direito pela UFSC, Mestre em Direito do Estado pela  UFPR, ; Pesquisador na Universidade de Zaragoza - Espanha, com financiamento da CAPES (2007-2008) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento - AECID (2009-2012); Professor Adjunto do Curso de Direito da  PUCPR. Atua na área da pesquisa em Direito, com ênfase em Direito Eletrônico; Inteligência Artificial e Lógica Jurídica; Governança Eletrônica e Democracia Digital; Filosofia do Direito; Direito Tributário.

SANDRO MARCELO KOZIKOSKI
dvogado. Doutor em Direito das Relações Sociais pela UFPR, Mestre em Direito das Relações Sociais pela � UFPR, Bacharel em Direito pela UFPR, Professor Adjunto de Direito Processual Civil da UFRJ, Professor de Direito Processual Civil, Coordenador e Professor do Curso de Especialização em Direito Processual Civil, Ex-Coordenador Adjunto do Curso de Direito, Ex-Coordenador Pedagógico do Núcleo de Prática Jurídica. Autor de livros.

RENATO DA SILVEIRA MARTINI
Diretor presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e secretário-executivo do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, é também membro titular do Comitê de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e do Comitê Gestor da Internet, além de coordenador-geral do Laboratório de Ensaios e Auditoria da ICP-Brasil. Professor convidado do Programa de pós-graduação de Direito da Administração Pública da Universidade Federal Fluminense (RJ) e Professor licenciado do Instituto Superior de Educação La Salle. É autor, entre outros títulos, dos livros Criptografia e Cidadania Digital (Rio de Janeiro: 2002), Manual de Segurança em Redes Linux (Lisboa: 2002) e Tecnologia e Cidadania Digital(Rio de Janeiro:2008). Completou o seu doutorado, em 1998, na PUC-RJ, tendo como áreas de especialização a Filosofia da Ciência e a Lógica.

ANDRE PEIXOTO DE SOUZA
Advogado. Doutor em Direito pela UFPR e Doutor em Educação pela UNICAMP. Mestre em Direito pela UFPR, Especialista em Direito Tributário pelo IBEJ, Bacharel em Direito pela UTP e Licenciado e Bacharel em História pela UFPR. Atualmente é professor de Economia Política na Faculdade de Direito da UFPR, e de História e Filosofia do Direito na UTP, na Faculdade Estácio e na Escola da Magistratura do Paraná. Coordenador do curso de Direito. Estuda e pesquisa os seguintes temas: Brasil Imperial, Política, Economia Política, Direito, Estado e Poder.

VICENTE DE PAULA ATAIDE JUNIOR
Doutorando e Mestre em Direito Processual Civil pela UFPR. Juiz Federal no Paraná. Foi Promotor de Justiça no Ministério Público de Rondônia. Professor da Escola da Magistratura Federal do Paraná, da Fundação Escola do Ministério Público do Paraná e de outras instituições de ensino superior. É membro da Comissão de Acompanhamento do Projeto do Novo CPC, instituída pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE).

LOCAL

Escola Superior de Advocacia - Rua Brasilino Moura, 253 - Ahú

HORÁRIOS

Dias 23, 24, 25, e 26 de julho de 2012, segunda, terça, quarta e quinta-feira, das 19h00 às 22h00

CARGA HORÁRIA

12 horas/aula ( 04 encontros)

NÚMERO DE VAGAS

300 Participantes

INVESTIMENTO

R$50,00 (cinquenta reais)

FORMA DE PAGAMENTO

À vista

INFORMAÇÕES

www.oabpr.org.br/esa
Telefone:(41)3250-5750

- REALIZAÇÃO: ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA - OAB/PR E COMISSÃO DO DIREITO ELETRÔNICO

- PATROCINADORES: CAA/PR; BONNJUR; KODAK; NETSCAN DIGITAL; PREÂMBULO INFORMÁTICA; CERTISING; SESCAP/PR E OABPREV/PR

Fórum de Combate à Corrupção na América Latina

1 de dezembro de 2011 12:31 pm

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Nos próximos dias 07, 08 e 09 de dezembro de 2011 participarei do Fórum de Combate à Corrupção na América Latina que terá lugar no Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba - CCJ/UFPB, evento que será coordenado pelo Prof. Dr. Gustavo Rabay Guerra e pela Escola Judicial da América Latina - EJAL.

Na oportunidade falarei, em conjunto com Ana Carolina Vaz, no painel “O paradigma anticorrupção na América Latina: processo digital, modernização e regimes de combate à corrupção”, conforme programação abaixo.

Registro também as participações de Marco Antonio Meneghetti e Milena Beatriz Andrade, que falarão no painel “Formação Patrimonialista do Brasil e Corrupção“.

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PROGRAMAÇÃO


Quarta – 07 de dezembro de 2011: EVENTO PÚBLICO
Evento aberto a cargo do FOCCO-PB, com o apoio do CCJ-UFPB, EJAL, ESA-OAB
Local: Shopping Tambiá, Centro, João Pessoa-PB

Quinta – 08 de dezembro de 2011: DIA DA JUSTIÇA
Local: Auditório da ESMA/TJPB - Altiplano
Manhã
08h Credenciamento
09h Abertura do Fórum Acadêmico sobre Combate à Corrupção na América Latina
Auditório da Escola Superior da Magistratura do TJPB
Presidente de Honra: Prof. Dr. Eduardo Rabenhorst - Diretor do CCJ/UFPB
Autoridades convidadas:
Ministro Francisco Dario Lobo Lara – Presidente da Corte Centro-americana de Justiça
Dr. Luis Roberto Salas – Magistrado do 1o Tribunal Criminal de Buenos Aires, vice-presidente financeiro da Rede Latino-americana de Juízes
Pós-Ph.D Des. J. S. Fagundes Cunha – Diretor Geral da Escola Judicial da América Latina, Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná e Coordenador Geral do Evento
Des. Henrique Nelson Calandra – Presidente da Associação Brasileira de Magistrados
Dr. José Eduardo de Resende Chaves Junior – Presidente da Rede Latino-Americana de Juízes
Des. Abraham Lincoln da Cunha Ramos – Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba.
Des. Saulo Benevides – Diretor da Escola Superior da Magistratura “Almir Carneiro da Fonseca” do Tribunal de Justiça da Paraíba.
Des. Manoel Soares Monteiro – Presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba e professor da UFPB.
Prof. Dr. Carlos de Miranda Coelho - Vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 13a Região, Diretor da Escola Judiciária e professor aposentado da UFPB
Prof. Dr. Luciano Mariz Maia – Procurador Regional da República e professor da UFPB
Prof. Ms. Eduardo Varandas – Procurador do Trabalho e professor do Unipe
Prof. Ms. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho – Procurador-Geral de Justiça do Estado da Paraíba e Professor do Unipe.
Prof. Ms. Alexandre Luna Freire – Diretor da Escola Superior da Magistratura Federal da 5a Região (Núcleo da Paraíba) e Juiz Federal.
Dr. Odon Bezerra - Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional da Paraíba.
Dr. Arthur Souto – Diretor-Geral da Escola Superior de Advocacia “José Flóscolo da Nóbrega”
Profa. Dra. Maria Luiza Alencar Mayer – Vice-Diretora do CCJ/UFPB.
Prof. Dr. Enoque Feitosa – Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas da UFPB
Prof. Dr. Gustavo Rabay – Professor da UFPB e Coordenador Acadêmico do Evento
Profa. Ms. Luciane Gomes – Professora da FESP e do IESP, servidora do MPF-PB e Coordenadora Executiva do Evento

10h Conferência de Abertura

Tema: “Cooperação jurídica internacional e combate à corrupção transnacional: A importância do Tribunal da Unasul”
Conferencista: José Sebastião Fagundes Cunha, pós-doutorado (Univ. Coimbra), Doutor (UFPR), Mestre (PUC-SP), Diretor-Geral da Escuela Judicial de América Latina e Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná.
Presidente da Mesa: Profa. Ms.    Juliana Toledo (UFPB)
Debatedor: Marcílio Toscano, pós-doutorado (Instituto Universitário Europeu), Doutor (Univ. Coimbra), Mestre (UFPB), Professor da UFPB e Procurador-Geral do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba
10h40 Coffee-Break
11h Conferência
Tema: “Corrupção no Poder Judiciário: ética e controle como responsabilidade dialógica”
Conferencista: Des. José Renato Nalini – Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Debatedor: Des. Henrique Nelson Calandra - Presidente da Associação Brasileira de Magistrados
11h30 Mesa de Trabalhos:
Tema: “Transparência, fiscalização cooperativa e planejamento estratégico: o(s) fio(s) da navalha”
Coordenação: Dr. João Ricardo Coelho (advogado).
Participantes: Gabriel Wright (Controladoria-Geral da União);
Ádrio Nobre (Ministério Público da Paraíba)

Tarde
15h Conferência
Tema: “Estratégias de combate à corrupção”.
Conferencista: Dr. Fabio George Nóbrega – Procurador     Regional da República.
Debatedores: Prof. Otavio Paulo Neto – Promotor de Justiça do Ministério Público da Paraíba; 
Profa. Ms. Maria Clara Terzis – Procuradora do Estado de Minas Gerais; e Dr. Cesar Verzulei – Procurador-Chefe da Fazenda Nacional na Paraíba.
Apresentação de Depoimentos de Autoridades Internacionais e Nacionais sobre a temática do Evento / Teleconferência

16h Mesa de Trabalhos
Tema: “Formação Patrimonialista do Brasil e Corrupção”
Coordenador: Prof. Ms. Newton Lima – Professor da UFPB.
Convidados: Prof. Ms. Marco Antonio Meneghetti – Pesquisador do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília e advogado; Dra. Milena Beatriz Andrade - Consultora tributária do Grupo Deloitte Touche Tohmatsu.

17h Lançamento de Livros
“Um Tribunal para a Unasul”, de José Sebastião Fagundes Cunha
“Autoritarismo, perdão e sofrimento”, de José Maurício de Lima
“Síndrome da Pós-modernidade”, de Manoel Matusalém e Luismar Dália

Sexta – 09 de dezembro de 2011: DIA MUNDIAL DE COMBATE À CORRUPÇÃO
Local: Auditório da ESMA – TJPB (Altiplano)

Manhã
9h – Conferência
Tema: “Corrupção na América Latina”
Conferencista: Dr. Luis Roberto Salas – Magistrado do 1o Tribunal Criminal de Buenos Aires, vice-presidente financeiro da Rede Latino-americana de Juízes
Presidente da Mesa: Prof. Ms. Werton Magalhães – Procurador da República e professor da UFPB
Debatedores: Prof. Ms. José Baptista de Mello Neto – Professor da UFPB  e da UEPB.
Prof. Dr. Gustavo Rabay – Professor da UFPB, Vice-Diretor da ESA-PB e Coordenador Acadêmico do Evento.

10h – Mesa de Trabalhos
Tema: “O paradigma anticorrupção na América Latina: processo digital, modernização e regimes de combate à corrupção”
Coordenadora: Profa. Ms. Luciane Gomes – Professora da FESP, IESP, servidora do MPF-PB e Coordenadora Executiva do Evento
Convidados: Prof. Ms. Wolney Macedo – Juiz do Trabalho e professor do Unipe e da Escola Superior da Magistratura do TRT 13a Região.
Prof. Dr. José Renato Gaziero Cella – Professor Adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR.
Dra. Ana Carolina Vaz – advogada em Curitiba.

11h – Coffee Break
11h20 Conferência
Tema: “Integração Regional e combate à corrupção”
Conferencista: Ministro Dario Lobo Lara – Presidente da Corte Centro-americana de Justiça
Presidente da Mesa: Des. Saulo Benevides – Diretor da ESMA-TJPB
Debatedores: Prof. Ms. Alexandre Luna Freire – Diretor da Escola Superior da Magistratura Federal da 5a Região (Núcleo da Paraíba)
Prof. Dr. Romulo Palitot – Professor da UFPB, UEPB e Unipe.

Tarde
15h  Mesa de Trabalhos
Tema: “Mecanismos de Controle e Combate à Corrupcão: questões transnacionais”
Coordenador: Prof. Ms. Bianor Arruda, Juiz Federal e Professor do IESP.
Participantes: Profa. Dra. Maria Luiza Alencar Mayer – Professora da UFPB.
Prof. Ms. Bruno Teixeira, Juiz Federal e Professor do Unipe.
Prof. Dr. Alexandre Belo, Professor da UFPB, do Unipe e do IESP.

17h Conferência de Encerramento
Tema: “Constitucionalismo, resistência e combate à corrupção”
Conferencista: Prof. Pós-PhD Paulo Lopo Saraiva – advogado e professor
Presidente da Mesa: Prof. Dr. Luciano Maia – Professor da UFPB e Procurador Regional República.

Informações e Contato

Para maiores informações, acesse o site da Escuela Judicial de America Latina – EJAL, no seguinte endereço: www.ejal.org.

Coordenação-Geral: EJAL
Rua Lidia Klinger, 265 – c. 4 – Abranches – Curitiba – Paraná – Brasil – CEP 82.130-160 - Telefone (55) 42 91091936 - Fax (55) 41 30172567

Coord. Acadêmica: CCJ-UFPB
Cidade Universitária - João Pessoa - PB - Brasil - CEP: 58051-900 Fone: +55 (83) 3216-7200 - (83) 91006942 – Email: gustavorabay@justice.com

Jornadas sobre Derecho y Tecnología - Universidad de Zaragoza - 23-24 de Mayo de 2011

10 de maio de 2011 4:27 pm

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III Jornadas sobre Derecho y Tecnología

XI Encuentro Ibero-Latino-Americano sobre Gobierno electrónico e inclusión digital

A cualquier persona le llega por cualquier medio la información de que los cambios sociales están afectando a la puesta en práctica del derecho. Especialmente el uso de las tecnologías en la práctica diaria de las oficinas jurídicas: Juzgados, pero también en las Administraciones Públicas, o en la propia vida de los despachos de abogado, por ejemplo. Es por ello que se hace precisa la realización de las Terceras Jornadas sobre derecho y tecnología que, contando con la participación de destacados especialistas sobre la materia, permitan realizar un diálogo en el que tanto quepa la exposición reflexiva de experiencias como el conocimiento por parte de los interesados, de primera mano, de los problemas más significativos que la expansión del uso de la tecnología está trayendo a la práctica profesional en el ámbito del derecho. La reunión sobre Gobierno electrónico e inclusión digital continúa ediciones anteriores realizadas en forma de Encuentro: el previsto es el undécimo. Las reuniones han sido desarrolladas atendiendo al ámbito iberoamericano tanto en América como en España.

Las Jornadas y el Encuentro están organizadas por el Grupo de investigación Protección de datos y firma Electrónica de la Universidad de Zaragoza (www.lefis.org/pdfe/) que se dedica a trabajar sobre la materia mediante la realización de publicaciones, proyectos de investigación, coordinación de redes e impartición de cursos desde la segunda mitad de los años ochenta del pasado siglo.

Los temas centrales de las Jornadas y el Encuentro son

  • Administración de Justicia y manejo de tecnologías avanzadas
  • Administración electrónica: acceso electrónico de los ciudadanos a los servicios públicos
  • Campus virtuales sobre derecho y tecnologías de la información y la comunicación
  • Observatorios sobre gobierno electrónico
  • El aprendizaje del derecho y la reforma de Bolonia
  • Sellos de confianza en línea
  • Firma electrónica
  • Ontologías y XML
  • Gobierno electrónico e inclusión digital

Se invita por la presente a la participación en las Jornadas tanto mediante el envío de comunicaciones como la asistencia a las mismas.

Fernando Galindo Ayuda

Coordinador de las Jornadas
Investigador responsable del Grupo Protección de datos y firma electrónica

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Outras informações aqui.

Ver programação abaixo:

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Direito e Cinema

13 de janeiro de 2011 7:57 pm

Neste primeiro semestre de 2011 oferecerei aos sábados, na PUCPR, o Módulo Temático “Tensões entre Direito e Política: Reflexões a partir de Obras Cinematográficas I“, conforme plano de encontros abaixo. Os interessados devem ficar atentos ao edital para matrícula.

pucprlogo

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

Disciplina: Tensões entre Direito e Política: Reflexões a partir de Obras Cinematográficas I

Prof. José Renato Gaziero Cella

Ementa: A Democracia e a lição dos clássicos. Estado Moderno e Legitimação Política. Relações entre Direito, Moral e Política. Por uma redefinição do conceito de Democracia. A ideia de Liberdade. Verdade, Método Científico, Tolerância e Ceticismo. Constitucionalismos e Neoconstitucionalismos.

Plano de Ensino

1. Objetivos

Objetivo geral:

Capacitar os alunos para a compreensão das tensões entre Direito e Política.

Objetivos específicos:

Capacitar os alunos para os seguintes aspectos:

1. Analisar textos filosóficos;

2. Compreender conceitos de metodologia científica;

3. Discutir fatores de legitimação política;

4. Redefinir a ideia de democracia;

5. Instigar reflexões filosóficas por meio da análise de obras cinematográficas; e

6. Produzir texto filosófico a partir dos estudos realizados.

2. Metodologia

Aulas expositivas, projeção de filmes, estudo de textos filsóficos, debates

Preparação de paper

3. Avaliação

Serão realizados trabalhos individuais e coletivos, que consistirão em debates de textos e filmes e elaboração de paper sobre temática versada no Módulo Temático

4. Notas*

Primeira nota: assiduidade e participação

Segunda nota: participação nos encontros na qualidade de debatedor e revisor

Terceira nota: paper

* A primeira nota terá peso 2; a segunda nota terá peso 3; e a terceira nota terá peso 5.

PLANO DE AULAS

TENSÕES ENTRE DIREITO E POLÍTICA: REFLEXÕES A PARTIR DE OBRAS CINEMATOGRÁFICAS I

Primeira aula:

Exposição do panorama geral sobre a disciplina, metodologia de trabalho e objetivos; introdução dos temas governo e democracia a partir dos livros Sobre a democracia (DAHL, R.A. Tradução de Beatriz Sidou, Brasília: UnB, 2001) e A teoria das formas de governo (BOBBIO, N. 10. ed. Tradução de Sérgio Bath, Brasília: UnB, 1ª reimpressão, 2001).

Projeção do filme “Daens: um Grito de Justiça”(Bélgica, 1992)

Debate


Segunda aula:

Seminário e estudo dos artigos A crítica de habermas a ideia de legitimidade em weber e kelsen (disponível também na versão em inglês) e ¿Como es posible la legitimidad por vía de legalidad?.

Leituras complementares: HABERMAS, J. Direito e democracia: entre facticidade e validade. 4. ed. Vols. 1, 2 e 3. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

Projeção do filme “Seção Especial de Justiça” (França, 1974)

Debate


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Terceira aula:

Seminário e estudo dos artigos Conhecimento científico, verdade e método e Realismo jurídico norte-americano e ceticismo.

Projeção do filme “O Vento será sua Herança” (Inherit the Wind, EUA, 1960)

Debate


Quarta aula:

Seminário e estudo do livro Neoconstitucionalismo(s) (CARBONELL, M. Madrid: Editorial Trotta, 2003).

Projeção do filme “Z” (França, Argélia, 1969)

Debate


Quinta aula:

Seminário e estudo do artigo Governo dos homens ou governo das leis?

Projeção do filme “Cronicamente Inviável” (Brasil, 1999)

Debate


Sexta aula:

Seminário e estudo do livro Retórica e o estado de direito (MacCORMICK, N. Tradução de Conrado Hübner Mendes, Rio de Janeiro: Elsevier, 2008); e do artigo Auto-Precedente e Argumentação Racional. Leitura complementar: A Teoria da Argumentação Jurídica como Proposta de uma Racionalidade Possível Frente à Postura Cética do Positivismo Jurídico Contemporâneo.

Projeção do filme “Laranja Mecânica”(Reino Unido, 1971)

Debate


Sétima aula:

Seminário e estudo dos livros O Príncipe (Maquiavel) e Ciência e Política: duas Vocações (Max Weber).

Projeção do filme “Antes da Chuva” (França, Inglaterra, Macedônia, 1994)

Debate


Oitava aula:

Seminário e estudo do artigo Legalidade e Discricionariedade: o Debate entre Hart e Dworkin.

Leituras complementares: HART, H.L.A. O conceito de direito. 2. ed. Tradução de A. Ribeiro Mendes, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994 e DWORKIN, R. O império do direito. Tradução de Jefferson Luiz Camargo, São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Projeção do filme “O Povo contra Larry Flint” (EUA, 1996)

Debate


Nona aula:

Seminário e estudo do livro Microfísica do Poder (FOUCAULT, M., Organização e tradução de Roberto Machado, Rio de Janeiro: Graal, 1979).

Projeção do filme “O Nome da Rosa” (França, Itália, Alemanha, 1986)

Debate

Seminário “Combate à Morosidade da Justiça - Diagnósticos e Propostas”

10 de dezembro de 2010 7:09 pm

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Nesta segunda-feira, dia 13 de dezembro de 2010, falarei, em conjunto com os demais pesquisadores da PUCPR, em seminário que terá lugar no auditório do Superior Tribunal de Justiça.

Conforme anunciado no portal do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Cezar Peluso realiza, na segunda-feira (13/12) às 13h, a abertura do seminário “Combate à morosidade da Justiça – diagnósticos e propostas” (ver programação abaixo), no qual serão apresentadas três amplas pesquisas encomendadas pelo CNJ sobre as causas da morosidade na tramitação dos processos judiciais. O seminário é aberto à imprensa e a convidados.

As pesquisas identificam as demandas repetitivas mais comuns, os principais temas e teses jurídicas que abarrotam as varas de Justiça e apresentam propostas para o enfrentamento do fenômeno das causas repetitivas e da morosidade.

“Diagnóstico sobre as causas de aumento das Demandas Judiciais Cíveis, Mapeamento das Demandas Repetitivas e Propositura de Soluções Pré-Processuais, Processuais e Gerenciais à Morosidade da Justiça”, é o tema de duas pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Já a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) desenvolveu a pesquisa “Diagnóstico sobre as várias causas do progressivo aumento do Número de Demandas Judiciais, em Especial das Demandas Repetitivas, e da Crônica Morosidade da Justiça”.

Por Luiza de Carvalho (Agência CNJ de Notícias)

As culturas e as drogas

3 de junho de 2010 11:23 am

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LABATE, Beatriz Caiuby, GOULART, Sandra, FIORE, Maurício, MACRAE, Edward, CARNEIRO, Henrique (Orgs.). Drogas e cultura: novas perspectivas.  Salvador: EDUFBA, 2010.

As culturas e as “drogas”

Por JUCA FERREIRA*


Fatores de ordem cultural são determinantes na constituição de padrões reguladores do consumo de todos os tipos de “drogas”


Com o lançamento do livro “Drogas e Cultura: Novas Perspectivas”, editado em parceira com a Universidade Federal da Bahia, o Ministério da Cultura espera contribuir para uma maior eficácia das políticas públicas sobre “drogas” no país.

Não poderíamos nos furtar a essa discussão, pela gravidade crescente de que se reveste e, sobretudo, porque a dimensão cultural da questão não pode estar ausente, se quisermos desenvolver uma ação responsável sobre o assunto.

O consumo de “drogas” sempre remeteu a várias esferas da vida humana. Fatores de ordem moral e cultural possuem ação determinante na constituição de padrões reguladores ou estruturantes do consumo de todos os tipos de “drogas”.

A cultura não é apenas um componente a mais, ela é de fundamental importância. Sentimos que a sociedade não está sabendo tratar o tema das drogas.

Ele não é apenas um caso de polícia e de saúde pública. Com “droga” ou sem “droga”, os seres humanos, ao longo do tempo, têm buscado ampliar o horizonte do real. Parece ser algo intrínseco à natureza.

Não podemos continuar tendo uma visão simplista e superficial sobre o assunto. Não se trata de desconsiderar os riscos e as complexidades bioquímicas do uso dessas substâncias, mas de abrir mais espaço para esse tipo de reflexão na discussão sobre as “drogas”.

A militarização no combate às “drogas” está perdendo a batalha em todo o Ocidente e também no Oriente. Essa ação não tem diferenciado o usuário do traficante; para ela, o consumidor é um cúmplice.

Não basta a descriminalização.

Algumas drogas, como o crack, viciam e geram dependência, com consequências devastadoras, inclusive parte das drogas legais.

A bebida, por exemplo, tem presença maciça nos acidentes de trânsito, e muitos remédios causam níveis altos de dependência. Entretanto, não podemos imputar à cultura a possibilidade de solucionar o problema. A cultura entra como mais um componente de uma análise multidisciplinar, mas de fundamental importância.

A diferenciação entre o consumo próprio, individual ou coletivo, e o tráfico ainda não foi totalmente estabelecida. A ausência de tal distinção acarreta um tratamento de desconfiança moral, policial e legal diante de todos os usuários de substâncias psicoativas, independentemente de seus hábitos e dos contextos culturais.

Existem drogas legais e drogas ilegais. Drogas leves e pesadas.

Drogas que criam dependência e drogas que não criam. Precisamos balizar de modo mais atento e detalhado as relações entre os usos, os consumos, a circulação e os direitos privados dos cidadãos.

Devemos incorporar compreensão “antropológica” sobre as substâncias psicoativas, abordagem mais voltada para a atenção aos comportamentos e aos bens simbólicos despertados pelos diversos usos culturais de “drogas”, tanto no nível individual quanto social.

Precisamos exercer um papel propositivo na elaboração da atual política nacional sobre a matéria, buscando sempre a ênfase na redução dos danos.

Ao desconhecer certas singularidades e ignorar os diversos contextos culturais, acabamos por tratar de modo estanque e indiferenciado as distintas apreensões culturais e nos tornamos incapazes de distinguir as implicações dos múltiplos usos das “drogas”.

As “drogas” estão na sociedade e nas culturas, portanto, não podem ser entendidas fora delas.
Nossos pesquisadores e nossa legislação devem, em alguma medida, levar em consideração a dimensão cultural, para cunhar políticas públicas mais eficazes e mais adequadas à contemporaneidade.


*JUCA FERREIRA, sociólogo, é ministro da Cultura


Orelha do Livro

Por Luiz Eduardo Soares*


Drogas são um tema paradoxal e enigmático. Importantíssimo, onipresente no dia a dia, capaz de sensibilizar, mobilizar, provocar controvérsias, alterar o rumo de disputas eleitorais, disseminar dissensos, inquietar autoridades, perturbar famílias, desestabilizar a ordem pública; ainda assim, quase ausente da pauta política e da agenda acadêmica –se excetuarmos esforços isolados de pioneiros e desbravadores. Nenhum repertório das grandes questões nacionais e globais estará completo sem a inclusão das drogas; entretanto, por mais extraordinário e surpreendente que seja, permanecem raríssimas as incursões intelectuais e políticas mais ousadas, que as tratem com profundidade e consistência, para além dos preconceitos. Paira esta curiosa e lamentável maldição sobre o tema, envolvendo-o em silêncio, cúmplice da irracionalidade que domina seu tratamento oficial mais freqüente.


Por isso, louve-se a iniciativa de Beatriz Caiuby Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore, Edward MacRae e Henrique Carneiro, pesquisadores do NEIP (www.neip.info), que organizaram este volume, e a participação qualificada de seus autores, graças aos quais um dos debates essenciais de nosso tempo sairá do armário, do ostracismo, da negligência. Trata-se de uma contribuição de muitos méritos, que se tornará referência tanto para os estudos acadêmicos, quanto para a reflexão pública, que mobiliza audiências mais amplas.


Os ensaios aqui reunidos nos ensinam que as drogas, as dinâmicas de sua produção e os circuitos de sua circulação semântica, conceitual-científica, econômica, social, religiosa, política, estética, psicológica, ideológica e simbólica constituem fenômenos complexos, multidimensionais, que exigem abordagens transdisciplinares. Em uma palavra, as drogas não existem; são invenções datadas, cujos significados variam conforme os contextos culturais, seus repertórios específicos, seus vocabulários particulares. Drogas são ministradas por médicos ou xamãs; são objeto de fruição individual ou coletiva; servem para excluir, excomungar, reprimir, prender ou violentar os que as consomem ou os que não as consomem, conforme o caso; são sacralizadas em rituais místicos; são institucionalizadas em celebrações familiares e sociais; são objeto de consumo; têm valor comercial; são alvo de legislações; saberes; terapias. Elas são criadas por dispositivos prático-discursivos, historicamente constituídos, os quais acionam regras morais, categorias de acusação, exercícios de poder, estratégias econômicas, padrões de fruição, linguagens que organizam a consciência e a sensibilidade, orientações valorativas e experiências de sociabilidade.


Abrindo-se a esta quase ilimitada pluralidade de apropriações, as drogas carregam consigo um potencial extraordinariamente rico para quem se disponha a pensar as sociedades. Talvez por essa razão represente risco, perigo, ameaça e incerteza. Fonte de prazer e de morte, as drogas nos interpelam e, pela mediação do presente livro, exigem que as incluamos no centro de nossa agenda política e intelectual.

Resenha:

Há um excesso quando se fala do tema das “drogas” que não tem a ver com o dionisíaco ou com qualquer noção de “abuso” ou overdose: trata-se da profusão de lugares-comuns, preconceitos, moralismo, idéias fixas. Poucos temas, hoje, seguem cercados de tantos tabus e interdições quanto o das drogas psicoativas. Não todas as drogas psicoativas, mas aquelas proibidas por lei ou condenadas pela moral, pela psicologia, pela medicina. Convivem, lado a lado, uma enorme oferta de drogas legais, produzidos pelas grandes indústrias farmacêuticas, e drogas ilegais, as quais articulam em torno de si uma poderosa guerra internacional que mobiliza Estados e redes de traficantes com conexões globais. Subsistem, simultaneamente, usos tradicionais e novas práticas relacionadas a substâncias há muito conhecidas. Em todo caso, a literatura que aborda a “questão das drogas” não costuma ir além do estreito campo que vai das obras médicas (mais ou menos conservadoras), passando pelos livros jurídicos até os livros-reportagem (mais ou menos sensacionalistas). O campo das ciências humanas até muito recentemente foi um espaço ocupado por poucas e corajosas iniciativas de pesquisas sobre “drogas” circundadas por um expressivo silêncio. O livro Drogas e cultura: novas perspectivas, resultado de um simpósio realizado pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP, www.neip.info) na Universidade de São Paulo em 2005, representa um importante esforço de pesquisadores das áreas de antropologia, sociologia, ciência política, direito e história de tratar do tema das “drogas” a partir de enfoques múltiplos, tendo como denominador comum a crítica ao proibicionismo destas substâncias. Composto por 17 artigos, além de um prefácio e uma introdução, está organizado em três partes: “A história do consumo de drogas e a sua proibição no Ocidente”, com quatro artigos destacando uma reflexão sobre a história e a lógica do atual regime proibicionista das drogas; “O uso de drogas como fenômeno cultural”, com três artigos que abordam a questão da interdisciplinaridade na análise das substâncias psicoativas”; e “Uso de drogas: diversidade cultural em perspectiva”, que abrange a maioria dos textos da coletânea, apresentando diferentes abordagens do tema das drogas, a partir dos olhares de disciplinas como a antropologia, etnologia e história. A obra oferece um amplo espectro de abordagens que constroem pontes de convergência e diálogo e criam zonas de tensão, o que torna evidente que não há consenso ou pacificação ao se tratar de uma questão como essa. Trata-se de um livro de referência para quem não se conforma com o que já está divulgado sobre as “drogas” e se incomoda o suficiente para buscar outros ângulos, miradas e percepções (Thiago Rodrigues).

Contato:

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Nosso homem em Teerã

27 de maio de 2010 11:11 am

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Por DEMÉTRIO MAGNOLI*

Paira no ar um falso mistério, exposto por Clóvis Rossi na Folha de S.Paulo sob a forma de uma indagação: “Por que os EUA resolveram torpedear o acordo Brasil-Turquia-Irã?” Gilles Lapouge, no Estado, ofereceu uma resposta, que está implícita na própria pergunta: “À primeira vista, podemos pensar que os grandes da diplomacia mundial simplesmente ficaram melindrados ao ver que Ancara e Brasília obtiveram de um só golpe o que os “gênios” não conseguiram.” Rossi e Lapouge são analistas independentes, não porta-vozes informais de Lula e Celso Amorim, como tantos outros. Pergunta e resposta, contudo, funcionam como senhas de uma narrativa oficiosa brasileira de graves implicações estratégicas.

A narrativa é a seguinte: 1) O acordo tripartite obtido por Brasil e Turquia é idêntico ao proposto em outubro pela Agência Internacional de Energia Atômica e rejeitado pelo Irã; 2) os EUA estimularam o Brasil a perseguir o acordo, como atestariam trechos vazados de uma carta de Barack Obama a Lula; 3) Washington rejeitou o acordo com a finalidade de barrar a ascensão de Brasil e Turquia ao estatuto de mediadores da questão iraniana; 4) assim como George W. Bush, Obama não está interessado em negociações, perseguindo uma confrontação com o Irã.

A indagação de Rossi merece uma resposta direta: maio não é outubro. Em outubro, o acordo rechaçado por Teerã abriria uma janela para negociações, pois o envio de 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) ao exterior deixaria o Irã sem combustível suficiente para avançar no rumo da bomba durante um intervalo razoável. Agora, após sete meses de operação das centrífugas iranianas, a mesma quantidade de LEU representa apenas pouco mais de metade do combustível disponível, de modo que Teerã poderia escapar das sanções e seguir enriquecendo urânio.

Quando Mahmoud Ahmadinejad e Lula ergueram os braços em triunfo, eles celebravam pontos diferentes do acordo. O brasileiro comemorava os itens que reproduzem trechos da carta de Obama, enquanto o iraniano comemorava o item 10. Nele, acintosamente, está escrito que Turquia e Brasil “apreciaram o compromisso iraniano com o TNP e seu papel construtivo na busca da realização dos direitos na área nuclear dos Estados membros”. A frase é senha diplomática para afirmar um “direito” iraniano de enriquecer urânio, contrariando três resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Virtualmente ignorada em meio ao surto patriótico que cegou quase todos os nossos jornalistas, a passagem foi registrada em Washington, Moscou e Pequim. Para esclarecer de vez o significado do acordo, o ministro do Exterior iraniano afirmou que seu país continuaria a enriquecer urânio, uma declaração descartada como bravata irrelevante por Celso Amorim.

A resposta de Lapouge só faz sentido para quem começou a acompanhar a crise iraniana na hora da viagem de Lula a Teerã. Há dois anos, na campanha eleitoral americana, enquanto Hillary Clinton prometia “obliterar” o Irã, Obama ousou sugerir que negociaria com o país persa. No governo, estendeu a mão a Teerã e conservou-a no ar durante quase um ano, até o rechaço do acordo de outubro. Nesse intervalo, congelou a proposta de novas sanções da ONU, resistindo às pressões do Congresso. Agora, não pode ser ludibriado por Ahmadinejad, sob pena de assistir à implosão de toda a sua estratégia para o Oriente Médio.

O Congresso americano tem pronto para ser votado um pacote unilateral de sanções que atingiriam em cheio a economia iraniana. É uma espada suspensa sobre Obama, pois sua aprovação forneceria um estandarte nacionalista para Ahmadinejad isolar a oposição no Irã e prejudicaria a ação multilateral das potências. No fundo, a iniciativa do Congresso equivaleria a um atestado de falência do Executivo na política de contenção do programa nuclear iraniano. Como efeito colateral se evaporariam as chances de Obama conseguir apoio doméstico para pressionar Israel a negociar seriamente com os palestinos.

Obama e Hillary dispararam telefonemas para Moscou e Pequim logo que vieram à luz os termos do acordo tripartite concluído em Teerã. Um projeto de sanções multilaterais desceu como um raio à mesa do Conselho de Segurança. Os EUA provavelmente pagaram caro pelo compromisso das potências recalcitrantes. Mas o consenso alcançado deriva do reconhecimento de que o Irã não é uma segunda Índia. No Subcontinente Indiano, configurou-se um cenário de dissuasão mútua entre Índia e Paquistão. No Oriente Médio, a hipótese de um equilíbrio nuclear entre Irã e Israel ampara-se na premissa incongruente de que os rivais árabes do Irã - Egito, Arábia Saudita e Iraque - aceitariam acocorar-se à sombra da bomba persa.

Enrolados num pano verde e amarelo, analistas brasileiros especulam à vontade sobre os motivos de Obama para rejeitar o acordo tripartite, mas não se perguntam sobre as motivações dos que puseram sua assinatura junto à do Irã. A Turquia, governada por um partido islâmico moderado, tem razões nacionais para jogar a carta iraniana: Ancara está dizendo que o veto persistente ao seu ingresso na União Europeia desvia sua política externa na direção do mundo muçulmano. O Brasil, ao contrário, sacrifica seus interesses nacionais no altar de imperativos partidários e ideológicos quando oferece álibis ao governo de Ahmadinejad. O preço dessa escolha começou a ser pago no momento em que as cinco potências da ONU rasgaram o acordo tripartite de Teerã.

Há, contudo, mistérios de verdade. Lula traveste-se de negociador global, capaz de solucionar a crise iraniana e mediar o impasse entre Israel e os palestinos. Alguém aí pode explicar por que nosso homem em Teerã não moveu uma pedrinha para conciliar os interesses da Colômbia e da Venezuela ou, ali na esquina, acertar os ponteiros entre Argentina e Uruguai na patética “guerra das papeleras”?

*SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR

É preciso dar uma chance para a diplomacia

A declaração de Teerã, alcançada por Brasil e Turquia no dia 17, deve receber uma oportunidade de verdade da comunidade internacional para funcionar

AHMET DAVUTOGLU & CELSO AMORIM*

THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE

A comunidade internacional, incluindo Turquia e Brasil, opõe-se firmemente à proliferação das armas de destruição em massa. Estamos também empenhados em alcançar um mundo sem armas nucleares. No caso do programa nuclear iraniano, acreditamos de modo inabalável que a negociação com resultados é necessária para evitar que nos encaminhemos para um conflito. A falta de confiança tem dificultado movimentos positivos no caso de um assunto crucial para a prosperidade e segurança regionais.

Sentimo-nos encorajados, contudo, pelo que foi alcançado em Teerã há alguns dias. Desde outubro, o foco estava num acordo para fornecer combustível para o reator de pesquisa de Teerã, em troca da retirada de 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento, dos estoques iranianos.

Como proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tal acordo estabeleceria a confiança, além de atender a uma necessidade humanitária tendo em vista o papel daquele reator no diagnóstico e tratamento de quase um milhão de pacientes no Irã.

A negociação fracassou no fim do ano em meio às suspeitas mútuas. Em consulta com os EUA e outros aliados, Turquia e Brasil ofereceram-se para intermediar um novo acordo. A declaração conjunta assinada por Turquia, Brasil e Irã, no dia 17, em Teerã, representou um enorme avanço.

O Irã concordou em entregar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento - quantidade proposta pela AIEA - no prazo de um mês tão logo os acertos necessários sejam concluídos. O urânio será armazenado na Turquia num único lote e esse depósito será feito no início do processo, antes que qualquer quantidade de combustível nuclear seja fornecida ao Irã. A declaração também estabelece que a troca de combustível nuclear criará uma atmosfera construtiva e positiva, propiciando uma oportunidade para dar início a um processo mais avançado.

A declaração conjunta não é apenas o resultado do nosso trabalho dedicado, mas também a culminância da estratégia do compromisso, colocada em prática pelo presidente Barack Obama e seguida pelos outros países do P5+1 - Rússia, China, França, Grã-Bretanha (membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU), mais a Alemanha - como parte de uma visão de cooperação multilateral efetiva e intensificada.

Há uma única solução viável para os desacordos com o Irã sobre o programa nuclear iraniano e é a solução diplomática negociada. Alguns críticos da declaração de Teerã afirmam que ela não trata de problemas que envolvem o programa nuclear iraniano. Este jamais foi o objetivo do acordo original. Mas acreditamos que a declaração firmada contribui para a solução do problema na sua integralidade, pois possibilita o estabelecimento da confiança, componente-chave que até agora tem faltado. E cria a oportunidade há tanto tempo esperada de uma solução das disputas por meio do diálogo e do engajamento. É preciso dar uma oportunidade para a declaração de Teerã mostrar que é exequível. Ameaças e comunicados retóricos precisam ser evitados. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*CHANCELERES DE TURQUIA E BRASIL, respectivamente

A exigência de Obama que Brasília preferiu não vazar

Por Denise Chrispim Marin

O Estado de São Paulo

A correspondência entre os presidentes Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva mostra que o governo dos EUA nunca abriu mão de aprovar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. Obama disse a Lula, no final de abril, bem antes da negociação em Teerã, que os EUA não abandonariam o projeto de sanções sem a “imediata” interrupção do enriquecimento de urânio.

A exigência não fez parte dos trechos da carta de Obama vazados para a agência Reuters, na sexta-feira. A omissão dá a entender que a Casa Branca ressuscitou a discussão das sanções como forma de se contrapor ao acerto entre Irã, Brasil e Turquia. O vazamento seletivo de trechos da carta também dá a entender que os EUA agiam com incoerência diplomática, ao ignorar um acordo cujos termos foram propostos por eles mesmos.

Amparado pelo apoio formal do Brasil e da Turquia, o Irã agora age como se os EUA estivessem isolados. Ahmadinejad falou ontem como se pudesse encurralar o governo de Obama. De concreto, o fato é que seu discurso revela o grau de incerteza ainda presente sobre o caminho que Teerã dará a seu programa nuclear.

O Brasil interpreta os arroubos de Ahmadinejad como uma necessidade de satisfazer setores políticos internos, da mesma forma como lê a insistência dos EUA pelas sanções como uma resposta às pressões domésticas republicanas. Não chega a estar equivocado. Mas esquece - ou omite - um detalhe não explicado. Não pareceu blefe o anúncio iraniano sobre a manutenção do enriquecimento de urânio a 20% no país logo depois de firmado o acordo mediado por Brasil e Turquia. Essa pretensão está no centro das justificativas dos EUA para aprovar novas sanções.

Mais feio impossível

Nada é pior do que países democráticos, como Brasil e Turquia, alinharem-se a um violador de direitos humanos

Por THOMAS L. FRIEDMAN*
THE NEW YORK TIMES

Confesso que quando vi pela primeira vez a foto do dia 17 do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Erdogan - depois de assinarem um suposto acordo para desarmar a crise sobre o programa de armas nucleares do Irã -, tudo que me ocorreu foi o seguinte: haverá algo mais feio que observar países democráticos venderem outras nações democráticas para um malfeitor iraniano ladrão de votos e negador do Holocausto só para provocar os EUA e mostrar que eles também podem jogar na mesa das grandes potências? Não, a coisa é feia assim.

“Durante anos, países não alinhados e em desenvolvimento criticaram os EUA por perseguir cinicamente seus interesses sem consideração pelos direitos humanos”, observou Karim Sadjapour do Carnegie Endowment. “Agora que Turquia e Brasil buscam atuar no cenário global, enfrentarão as mesmas críticas que um dia expressaram. A visita de Lula e Erdogan ao Irã ocorreu alguns dias apenas após o Irã executar cinco presos políticos que foram torturados para confessar. Eles abraçaram calorosamente Ahmadinejad como seu irmão, mas não mencionaram uma palavra sobre direitos humanos.

Brasil e Turquia são democracias nascentes que superaram suas histórias de regime militar. O fato de seus líderes abraçarem e fortalecerem um presidente iraniano que usa seu Exército para esmagar e matar democratas iranianos - pessoas que buscam a mesma liberdade de expressão e de escolha política de que hoje desfrutam brasileiros e turcos - é vergonhoso.

“Lula é um gigante político, mas moralmente tem sido uma profunda decepção”, disse Moises Naim, editor-chefe da revista Foreign Policy. Lula, observou Naim. “Tem apoiado a frustração da democracia na América Latina.” Ele regularmente elogia o homem forte da Venezuela, Hugo Chávez, e Fidel Castro, o ditador cubano - e agora Ahmadinejad - enquanto denuncia a Colômbia porque permitiu que aviões americanos usassem campos de pouso colombianos para combater o narcotráfico. “Lula tem sido grande para o Brasil, mas terrível para seus vizinhos democráticos”, disse Naim. Lula, que se destacou como líder sindical progressista no Brasil, virou as costas para os líderes sindicais violentamente reprimidos do Irã.

Evidentemente, se Brasil e Turquia realmente tivessem persuadido os iranianos a encerrar de maneira verificável seu programa de armas nucleares, os EUA os teriam endossado. O Irã possui atualmente 2,182 quilos de urânio enriquecido a 3,5%. Pelo acordo de 17 de maio, ele supostamente concordou em enviar 1188 quilos de seu estoque para a Turquia para conversão no combustível nuclear necessário para um reator de pesquisas médicas. Mas isso deixaria o Irã com aproximadamente 990 quilos de urânio, que ele está livre para continuar enriquecendo ao nível necessário para uma bomba - 95%. Especialistas dizem que o Irã precisaria de alguns meses para obter quantidade suficiente para uma arma nuclear.

Então, o que esse acordo faz é o que o Irã queria que ele fizesse: enfraquecer a coalizão global para pressionar o Irã a abrir suas instalações nucleares à inspeção e, como um bônus especial, legitimar Ahmadinejad no aniversário da repressão ao movimento pró-democracia que pedia recontagem de votos das fraudadas eleições de junho.

Duas vias. O Ocidente deveria ter seguido uma política de duas vias: negociações francas sobre a questão nuclear e uma discussão não menos franca sobre as questões de direitos humanos e democracia no Irã. Eu gostaria que o Irã jamais obtivesse a bomba. Mas se o Irã se tornar nuclear, faz diferença se o dedo no gatilho é o de um Irã democrático ou da atual ditadura clerical assassina. Todo aquele que conseguir trabalhar para retardar isso e promover uma democracia no Irã está do lado dos anjos. Todo aquele que capacitar o regime tirânico e der cobertura a sua perversidade nuclear um dia terá de responder ao povo iraniano. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

Brasil, Irã e Turquia fecham acordo sobre troca de urânio enriquecido

17 de maio de 2010 8:13 am

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Irã vai entregar 1.200 kg de urânio e receberá em troca o material nuclear para reator de pesquisas médicas

TEERÃ - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, além do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, fecharam hoje, 17, o acordo para que o urânio iraniano levemente enriquecido seja enviado ao território turco e, em troca, o país receba o produto enriquecido a 20%.

Pelo acordo, o urânio enriquecido a 20% será remetido no prazo de um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos.

O acordo foi assinado por Lula, Ahmadinejad e Erdogan durante reuniões paralelas do G15 (grupo que reúne 18 países não alinhados) em Teerã. Para as autoridades, o acordo encerra o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano.

Ahmadinejad, porém, quer conversar sobre os acordos e as garantias para o Irã por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo diplomatas que acompanham as negociações, o presidente iraniano pretende obter garantias dos países que integram o conselho - Estados Unidos, França, Inglaterra, China e Rússia.

Ontem, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que um acordo sobre o programa nuclear iraniano havia sido alcançado nas negociações da qual o Brasil participou. O anúncio atropelou autoridades brasileiras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma agenda cheia em Teerã, mas não mencionou o entendimento em seus discursos.

Segundo Erdogan, que só confirmou sua visita a Teerã ontem, os iranianos aceitaram trocar seu urânio por material nuclear após 18 horas de negociação, na prática, abrindo mão de avançar no processo de enriquecimento no país. Até ontem à noite o Itamaraty não havia confirmado a informação. Mas Erdogan, seu chanceler, Ahmet Davutoglo, e fontes turcas que falaram ao Estado em condição de anonimato garantiram que o pacto já está selado.

O texto do novo acordo foi montado em cima de uma proposta debatida em outubro na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

As três partes envolvidas na negociação concordaram ontem que a troca ocorrerá em território turco. Não está claro se já foi definido o prazo entre a entrega do urânio e o recebimento do material nuclear. Em outubro, os EUA não aceitavam uma troca imediata, como exigia o Irã, porque, na prática, isso aceleraria o programa nuclear iraniano.

Valores morais. Qualificando Lula de “bom amigo” e “irmão”, Ahmadinejad afirmou que Brasil e Irã compartilham “valores morais”. “Somos contra a discriminação, o preconceito, a agressão e a tirania”, disse o iraniano.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica, também reuniu-se com Lula. “Os EUA se revoltam com países independentes, como o Irã e o Brasil”, disse Khamenei a Lula. “Por isso eles fizeram esse estardalhaço antes de sua visita.”

PONTOS-CHAVE

Proposta da AIEA

Em outubro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) propõe ao Irã enviar urânio para França e Rússia, que o devolveriam enriquecido o suficiente para pesquisas

Condenação

Em novembro, a AIEA condena o Irã por manter segredo sobre estação de Qom. Teerã diz que motivação é política e anuncia construção de dez novas instalações nucleares

Pressão americana

O presidente americano, Barack Obama, diz que a única forma de frear o programa nuclear iraniano é a adoção de novas sanções pela ONU ao país. Grã-Bretanha, e França reforçam esta posição

Defesa brasileira

Contrariando os EUA, o presidente Lula afirma que sanções prejudicariam somente o povo iraniano e defende o direito do Irã de levar adiante um programa nuclear pacífico

Irán acepta un acuerdo para intercambiar su combustible nuclear en Turquía

Teherán enviaría 1.200 kilos de uranio enriquecido al 3,5% a cambio de recibir 120 kilos de uranio enriquecido al 20% para uso civil. - Ahmadineyad pide reanudar las conversaciones con la comunidad internacional

Por ÁNGELES ESPINOSA

El País

Teherán - Irán, Brasil y Turquía acaban de firmar un acuerdo para un intercambio de combustible nuclear que pretende desbloquear la crisis por el programa atómico iraní. A falta de conocer la letra pequeña, el compromiso parece similar al que la comunidad internacional propuso en Ginebra el pasado octubre, pero incluye la garantía de que el intercambio se hará en Turquía y que este país devolverá el uranio poco enriquecido iraní en caso de que no se complete el canje.

El presidente de Irán, Mahmud Ahmadineyad, ha hecho de inmediato un llamamiento a reanudar las conversaciones con el G-6 (EE UU, Rusia, China, Reino Unido, Francia y Alemania). “Tras la firma del pacto para el intercambio de combustible nuclear, es el momento para que los países del G-6 inicien conversaciones con Irán basadas en la honestidad, la justicia y el respeto mutuo”, declaró.

El acuerdo llega después de la muy anunciada intervención del presidente brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, que se encuentra en Teherán para promover las relaciones bilaterales y participar en una cumbre de países en vías de desarrollo de Asia, África y América Latina.

El primer ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, otro de los impulsores de la mediación, llegó a la capital iraní anoche después de que su ministro de Exteriores, Ahmet Davutoglu, le informara de que las conversaciones avanzaban de forma positiva. Tras casi 18 horas de negociación, los iraníes aceptaban hacer el intercambio de uranio fuera de su territorio, algo a lo que hasta ahora se habían negado.

Según el texto de 10 puntos, que el jefe de la diplomacia iraní leyó ante los medios de comunicación, Irán enviará a Turquía 1.200 kilos de uranio poco enriquecido (al 3,5%) dentro de un mes, para que en el plazo máximo de un año el Organismo Internacional de la Energía Atómica (OIEA) le facilite los 120 kilos de uranio al 20% que necesita para su reactor de investigación. “Si las provisiones no se respetan, Turquía se compromete a devolver rápida e incondicionalmente los 1.200 kilos de uranio poco enriquecido en cuanto se lo pida Irán”, subrayó Manuchehr Mottaki.

“La pelota está ahora en el terreno de las potencias occidentales”, declaró por su parte el portavoz de Exteriores iraní, Ramin Mehmanarast. El ministro turco de Exteriores afirmó que ya no había base para nuevas sanciones de la ONU. “El acuerdo de intercambio, firmado hoy por Irán, muestra que Teherán quiere seguir una senda constructiva (…). Nohay base para nuevas sanciones y presiones”, dijo Davutoglu.

Pero no está claro que el resultado vaya a ser suficiente para Estados Unidos, que sospecha que el programa nuclear iraní esconde intenciones militares.

Enriquecimiento en la planta de Natanz

Cuando Washington respaldó un intercambio similar en octubre, los 1.200 kilos de uranio poco enriquecido suponían el 80% de todo el combustible acumulado por Irán, y su salida del país por un año garantizaba que durante ese tiempo no tendría capacidad para fabricar una bomba atómica. Desde entonces, la planta de Natanz ha seguido enriqueciendo, y según el propio Ahmadineyad, a un ritmo mayor, lo que reduciría esa medida de confianza.

Teherán, que entonces desestimó la propuesta, considera que ha hecho una concesión, puesto que de acuerdo con el Tratado de No Proliferación, tiene derecho a comprar el combustible para su reactor de investigación, sin necesidad de entregar uranio poco enriquecido a cambio. Pero es precisamente el enriquecimiento de ese uranio, en contra de cinco resoluciones del Consejo de Seguridad, lo que preocupa a EE UU y sus aliados. Ese proceso lo mismo sirve para producir combustible nuclear que para fabricar bombas. Por eso se han movilizado en busca de consenso para una nueva resolución sancionadora.

A medida que se acerca el momento de su aprobación, Irán ha movilizado toda su capacidad diplomática para tratar de frenar las sanciones. En Brasil y Turquía, que actualmente ocupan dos sitios no permanentes en el Consejo de Seguridad, encontró dos aliados de peso para tratar de ganar la partida a EEUU y evitar nuevas sanciones.

Iran to Ship Its Uranium to Turkey in Nuclear Deal

LONDON — Iran said on Monday that it had reached an agreement, brokered by Brazil and Turkey, for a nuclear fuel swap that could undermine efforts in the United Nations to impose new sanctions on the Iranians.

Iranian state media quoted senior officials as saying the deal provided for Iran to ship 1,200 kilograms — about 2,600 pounds — of low-enriched uranium to neighboring Turkey in return for 120 kilograms of 20 percent enriched uranium.

Tehran says it wants to the uranium for a medical research reactor, but Western nations led by the United States say they fear Tehran is seeking to build a nuclear weapon.

Press TV, the state-funded satellite broadcaster, said the International Atomic Energy Agency, the Vienna-based United Nations nuclear watchdog, would officially receive a letter concerning the agreement “within a week.” Diplomats in Vienna said the I.A.E.A. had not been formally notified about the reported deal.

There was no immediate response from the United States or other nations in the international group dealing with Iran’s nuclear ambitions.

Iran had agreed to make the exchange one month after a deal was agreed by Iran, France, Russia, the United States and the I.A.E.A., news reports said. Tehran had also agreed that, while its low enriched fuel was in Turkey, the I.A.E.A. and Iiran could send observers. The agreement could revive an earlier proposal, supported by the United Nations, for Iran to exchange fuel outside its borders.

That suggestion ran into many obstacles, including its timing, with Iran insisting on a simultaneous swap while outside powers wanted a delay in the exchange while Iran’s 3.5 percent pure uranium was enriched to a higher level.

While Iran offered to place its low enriched uranium under I.A.E.A. scrutiny inside Iran, it also wanted the exchange for more highly enriched fuel rods to take place on its own soil. Tehran has said it has begun its own program to enrich uranium to the level of 20 percent purity, far less than is used in the manufacture of nuclear weapons, while the United States has increased pressure for additional sanctions.

If the latest agreement meant Iran was now prepared for an exchange outside its own territory, that could represent a potentially significant step, said a diplomat in Vienna who spoke in return for anonymity because he was not authorized to brief reporters. Iran says it wants the enriched fuel for civilian purposes but the United States and its western allies suspect that Tehran is pursuing a weapons program.

First word of the agreement came on Sunday after talks in Tehran between Brazil’s president, Luiz Inácio Lula da Silva, Turkish Prime Minister Recep Tayyip Erdogan and Iranian President Mahmoud Ahmadinejad.

A spokesman for the Turkish Foreign Ministry said on Sunday that after 17 hours of talks in Tehran, that officials from Brazil, Iran and Turkey had reached an agreement on the “principles” to revive the stalled nuclear fuel-swap deal backed by the United Nations.

Mr. Erdogan canceled an official visit to Azerbaijan late Sunday and instead joined officials in Tehran.

The Brazilian and Turkish leaders have been trying to revive a deal reached last October in which Iran would ship much of its stockpile of enriched uranium abroad for further processing; the uranium would then return as fuel rods for a medical research reactor.

It was unclear whether the Obama administration, which has insisted on the need for new sanctions, would take any new iteration of the original United Nations-based deal for a fuel exchange.

The original terms were considered attractive to the United States and its allies because Iran would have temporarily relinquished most of its uranium. Because Iran has produced more uranium since then, the deal would very likely be less acceptable today.

But the blessing of Turkey and Brazil for such a swap agreement could put the Obama administration in the awkward position of appearing to take an unreasonably hard line.

The Brazilian delegation was scheduled to depart Tehran just after midday on Monday for a European Union-Latin American summit meeting in Madrid.

Like Brazil, Turkey also has been seeking to draw Iran back to negotiations as pressure mounts for passage of another sanctions resolution.

American diplomats and the Russian president, Dmitri A. Medvedev, said last week that Brazil’s efforts were the “last chance” to avoid sanctions.

Iran has insisted that its nuclear work is intended only for peaceful purposes like energy production. But the United Nations nuclear monitoring agency has said that Iran has not cooperated fully with its investigation into whether the country’s program is also intended to develop nuclear weapons.

On Friday, Secretary of State Hillary Rodham Clinton predicted that Mr. da Silva’s mediation effort would fail. She said Iran could be forced to prove its nuclear program was peaceful only with a new round of United Nations sanctions.

“Every step of the way has demonstrated clearly to the world that Iran is not participating in the international arena in the way that we had asked them to do and that they continued to pursue their nuclear program,” Mrs. Clinton told reporters.

Alan Cowell reported from London, and Alexei Barrionuevo from São Paulo, Brazil. Sebnem Arsu contributed reporting from Istanbul, and David E. Sanger from Washington.

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Gritos de independência

16 de maio de 2010 12:16 pm
Domingo Faustino Sarmiento

Domingo Faustino Sarmiento

Comemoração dos 200 anos de independência de países latino-americanos reacende debates sobre o que é a democracia no continente

Gil Montano - 19.abr.10/Reuters

Militar passa diante de muro em Caracas com grafite representando Simón Bolívar, herói da independência da Venezuela

SYLVIA COLOMBO
EDITORA DA ILUSTRADA

As comemorações de 200 anos da vinda da família real ao Brasil, em 2008, tomaram proporções surpreendentes, fazendo com que livros sobre a data virassem best-sellers e acendendo debates na mídia e nas universidades. A cena parece repetir-se agora em vários países da América Latina, por conta dos 200 anos do início dos processos de independência das ex-colônias espanholas.

Cada território o faz com suas particularidades, mas em vários já se veem líderes políticos a usar a efeméride para legitimar discursos patrióticos.

O boliviano Evo Morales e o venezuelano Hugo Chávez foram os primeiros a sair a público evocando os heróis da independência como inspiradores de seus respectivos governos.

Arroubos populistas à parte, o fato é que a data encerra um significado importantíssimo para a história política da América Latina. Em 1810, depois de 300 anos subjugados a um império, os súditos americanos da Coroa espanhola passaram a ser cidadãos de distintas novas nacionalidades.

O processo teve início com os primeiros levantes, a maioria em 1810, e, com algumas idas e vindas, consolidou-se durante a década seguinte.

Tudo começou com o avanço napoleônico contra a Espanha, em 1808, que destituiu o rei espanhol, passando o controle do império a José Bonaparte, irmão de Napoleão. Houve uma resistência sangrenta por parte do povo espanhol, imortalizada nas pinturas de Goya, e um verdadeiro racha nos territórios de além-mar.

Entre as elites crioulas americanas, havia tanto quem defendesse a independência total como quem preferisse apoiar e esperar uma eventual volta do rei. Enquanto isso, de seu exílio no Brasil, a rainha Carlota Joaquina também sonhava reunir os ex-territórios espanhóis sob seu comando.

Na América, alguns dos “cabildos” -órgãos que cumpriam o papel de Câmara Municipal- se manifestaram em favor da ruptura e da formação de um governo próprio. Entre os principais “cabildos” estavam os de Caracas, Buenos Aires, Bogotá e da Cidade do México.

As independências em geral foram levadas adiante por esses grupos, que vinham inspirados pelas ideias liberais burguesas adquiridas por meio de livros, periódicos e viagens ao Velho Continente e aos EUA. Defendiam a liberdade política e comercial, a igualdade jurídica, a legitimidade da propriedade privada, a valorização da educação e o que consideravam a busca pelo progresso.

De modo mais geral, pode-se dizer que as independências latino-americanas estão inseridas no processo de revolução liberal que desde o fim do século 18 pôs fim ao Antigo Regime na Europa.
Tempo de debates

A data também inaugura um período de intenso debate entre intelectuais de diversas origens, que, a partir das décadas seguintes, passaram a escrever em jornais, viajar e levantar a discussão sobre modos de governar e o futuro que se desenhava para as jovens nações.

No caso argentino (leia ao lado), esse debate foi protagonizado, principalmente, pelos integrantes da chamada Geração de 1837 (Juan Bautista Alberdi, Esteban Echeverría) e o autor do clássico “Facundo”, Domingo Faustino Sarmiento.

As questões que incomodavam esses intelectuais não eram poucas, como explica a professora de história da América Latina da USP Maria Lígia Coelho Prado.

“Conquistada a independência, era preciso organizar e fazer funcionar os Estados que estavam nascendo. Com a República, vieram a necessidade da construção do espaço público, a ideia de que o poder emanava do povo, a invenção da legitimidade, a realização de eleições periódicas, a escritura de Constituições, a organização dos três Poderes, a definição das fronteiras nacionais.”

Para o mexicano Jorge Volpi, autor do recém-lançado “El Insomnio de Bolívar” [A Insônia de Bolívar], o bicentenário das independências vem revelar uma certa apatia no debate político. “O período era muito mais efervescente do ponto de vista da discussão. Hoje os países latino-americanos se isolaram, não se pensa num futuro comum.”

No livro, um ensaio que mistura reflexões sobre política e literatura, Volpi analisa a chamada nova esquerda latino-americana e faz duras críticas ao modo como interpretam a democracia. “Chegamos a um nível em que temos sistemas que são democracias imaginárias. No papel, parecem democracias ocidentais, mas na vida prática o cidadão se sente desprotegido e enganado por políticos corruptos, com a desigualdade social se alastrando.”

O historiador argentino Luis Alberto Romero lembra que, na ocasião do primeiro centenário, surgiram muitos ensaios, “que transcenderam o alvoroço das festas e apontaram problemas futuros: a questão social, a democracia, as instituições”.

Hoje, completa, não vê nada semelhante acontecendo. “Não está havendo reflexão, porque algo está falhando no que deveria ser o centro da discussão, o Estado. Naquele tempo, a elite dirigente tinha muitas dúvidas, mas uma certeza, a ferramenta estatal funcionava. Hoje, cem anos depois, devemos começar reconstruindo-a. Isso constitui o grande desafio do segundo centenário.”

O livro dos Caudilhos

Em “Facundo”, Sarmiento decifra relações de poder na Argentina e ajuda a propor um futuro para o país nascente

EDITORA DA ILUSTRADA

Um dos principais intelectuais argentinos do século 19 foi um personagem histórico de trajetória única. Domingo Faustino Sarmiento (1811-88) costumava gabar-se ao dizer que havia nascido nove meses depois do surgimento da nação -com a Revolução de Maio de 1810.

Por conta disso, via-se imbuído da missão de terminar de formar a pátria. E de certa forma o fez, com os escritos que influenciaram o debate político local e, tempos depois, como presidente argentino entre os anos de 1868 e 1874.
Nascido na Província andina de San Juan, a mais de mil quilômetros de Buenos Aires, Sarmiento educou-se sozinho.

Apesar de ter crescido num lugar em que eram comuns as lutas violentas entre grupos ligados a caudilhos, cedo percebeu o valor do conhecimento e passou a carregar essa bandeira por toda a vida. Foi professor em aldeias na juventude, para na fase adulta fundar escolas e desenhar planos de ensino.

Por conta da militância política, exilou-se no Chile em diversos momentos. Num deles, escreveu “Facundo - Civilização e Barbárie” (1845), considerado um dos textos fundadores da Argentina, que é relançado agora no Brasil, em nova tradução, pela editora Cosac Naify (tradução de Sérgio Alcides, com lançamento previsto para junho).

O livro foi escrito às pressas, no embalo de um fluxo de raiva do jovem agitador provinciano contra o temido governador de Buenos Aires Juan Manuel de Rosas (1793-1877), que nunca chegou a ser presidente da Argentina, mas conduziu o país com mãos duras durante os períodos de 1829 a 1832 e 1835 a 1852.

“Facundo” é um engenhoso jogo de narrativa em que se conta uma história semifictícia para atacar um problema real. A obra pretende-se uma biografia do temido general Juan Facundo Quiroga (1788-1835), cujas histórias de violência eram famosas no imaginário popular da região de Cuyo -que abrangia, além de San Juan, as Províncias de San Luis e Mendoza.

Ao descrever o meio geográfico e social que havia dado as condições para o surgimento de Quiroga, Sarmiento quis explicar também as razões geográficas e sociológicas que fizeram possível surgir no cenário do poder uma figura como Rosas.
Palpite engenhoso

Não se trata de um ensaio sociológico rigoroso nem de um registro histórico preocupado com a precisão dos fatos. Muito do que está ali em termos de datas e detalhes biográficos sobre os personagens envolvidos são reconhecidamente puro chute.

Sarmiento nunca teve pudores em inventar ou preencher com a imaginação as lacunas de suas lembranças. Vários amigos e opositores apontaram erros na narrativa quando a cotejavam com os fatos retratados.

Ele corrigiu alguns em edições posteriores, mas muitos permaneceram. Captar o espírito de seu tempo e transmitir sua mensagem conclamando à luta eram suas prioridades.

O livro tem um estilo agressivo de narrativa e é forte nas imagens que cria para resumir o que considerava serem os grandes problemas da nação.

Com essas imagens, Sarmiento acabou gerando um clichê historiográfico.

Obra mais conhecida do que lida, o “Facundo” foi usado em inúmeras interpretações como tendo apresentado uma oposição fundamental para conhecer a América Latina: o conflito entre “civilização” e “barbárie”.

Apesar de não ser algo intencional, essa oposição foi incorporada à leitura do texto. Isso porque a fórmula de algum modo fornecia uma chave para compreender a transformação na América hispânica como um todo no período após as revoluções de independência. O continente, livre da Coroa espanhola, tinha de encontrar respostas com relação ao futuro.

Pela peculiaridade das condições sociológicas e históricas daquele momento, pela variada formação étnica da população e pelas distintas alternativas de modelo político, o século 19 latino-americano foi palco de um intenso debate de ideias. Nesse contexto, “Facundo” contribuiu para alimentar discussões sobre o futuro desses Estados nacionais embrionários.
Iluminismo

Em “Facundo”, Sarmiento propõe-se a pensar como a “civilização” poderia florescer em seu país, que ainda estaria vivendo num estado de “barbárie”. Por um lado, queria o fim de atrocidades cometidas por caudilhos locais. Por outro, propunha um intercâmbio entre elementos “bárbaros” e “civilização”.

O texto traz definições baseadas em seu conhecimento raso do país. Ainda sem ter conhecido Buenos Aires, Paris ou Washington (cidades que visitaria posteriormente), Sarmiento idealizou a “civilização” como algo que seria alcançado por sociedades bem-educadas, regidas pela lei, tendo o progresso tecnológico, cultural e econômico como meta e o ideário iluminista como guia.

A “barbárie” era para ele algo bem mais concreto, que fazia parte do dia a dia e da tradição oral da região em que vivia.
Traduzia-se nas crueldades dos caudilhos interioranos -a “degola”, outro termo que usava com frequência.

Rosas seria o exemplo mais bem acabado da “barbárie”. Ou melhor, o líder de uma “barbárie” instituída no poder. Aos poucos, e depois de “Facundo”, Sarmiento começou a observar a barbárie de uma forma mais oblíqua. Passaria a interessar-se mais pelo processo de civilização de um homem bárbaro e menos com o resultado final dessa “evolução”.

“Civilização” e “barbárie” vão ganhando novos significados e maior complexidade a partir da experiência pessoal de Sarmiento: seus enfrentamentos com Rosas por meio da imprensa chilena, sua viagem à Europa, sua participação na batalha de Caseros (que derrubou Rosas, com a ajuda do Exército imperial brasileiro) e, por fim, sua experiência na vida política da nação, no Senado, como embaixador da Argentina nos EUA (baseado em Nova York) e como presidente.


Obras de Sarmiento em espanhol, incluindo “Facundo”, podem ser acessadas em
www.proyectosarmiento.com.ar

Obra é um “manual de técnicas literárias”, diz escritor argentino

EDITORA DA ILUSTRADA

O escritor argentino Ricardo Piglia, 69, autor de “Respiração Artificial” (1980) e “O Último Leitor” (2005, ambos publicados no Brasil pela Cia. das Letras), é um estudioso do aspecto literário do “Facundo”, de Sarmiento. Utiliza a obra em seus cursos de literatura latino-americana na Universidade de Princeton (EUA). Ele assina o prefácio da edição da Cosac Naify, onde explica por que “o melhor escritor argentino do século 19 chegou à Presidência da República”.

Leia abaixo a entrevista que concedeu à Folha, por telefone, de Buenos Aires, sobre o autor e sua obra.
FOLHA - Por que decidiu escrever sobre Sarmiento como escritor?

RICARDO PIGLIA - Sarmiento é um dos temas das minhas aulas há muito tempo. Com o passar dos anos, fui percebendo que seu valor literário cresceu, uma vez que sua figura se distanciou na história.

FOLHA - Como assim?

PIGLIA - É bem sabido que o livro ["Facundo"] é uma mistura de ensaio sociológico com ficção. Foi escrito num determinado contexto histórico com o sentido de atacar um determinado governo, uma situação de opressão. Nesse sentido, é um panfleto político. Mas, se deixarmos esse contexto num segundo plano, vamos descobrir que a obra é um verdadeiro manual de técnicas literárias. Estão ali a fábula, a lenda, o romance, a prosa de aventura, a homenagem aos clássicos, uma infinidade de referências e de exemplos de experiências de uso da linguagem.

FOLHA - A passagem em que Sarmiento descreve a morte de Facundo traz muitos detalhes que só poderiam ter sido inventados, e também há uma tentativa de apresentar o fato em tom de tragédia clássica. Há aí uma homenagem?

PIGLIA - Sem dúvida. Sarmiento recorre à ficção sempre que tem de descrever minúcias. E gosta muito de fazê-lo. Essa cena é exemplar do que acabo de dizer sobre o livro ser um manual de recursos literários.

FOLHA - O sr. diz que o eixo para entender o livro está no “e”, do “civilização e barbárie”. Quem lê apressadamente pode achar que Sarmiento está propondo uma oposição entre os dois termos.

PIGLIA - Sim, é nesse “e” que está tudo. O livro transita nesse espaço entre os dois termos e aí ganha complexidade. Sarmiento idealiza a civilização, mas ao longo do livro vai mostrando seu fascínio pela barbárie. Há várias passagens em que isso fica claro, como no momento em que descreve o embate entre Facundo e um tigre que come gente, ou na própria descrição do temperamento e das ações do caudilho. De certa forma, é como se buscasse o tempo todo uma forma de não romper com a conexão entre civilização e barbárie.

FOLHA - Outro ponto que o sr. destaca em seu ensaio é o do exílio. A fundação da literatura argentina deu-se fora do país?

PIGLIA - Sim, e Sarmiento não foi o único autor a produzir fora. Há vários exemplos. É preciso lembrar que a primeira Constituição argentina foi rascunhada por Alberdi no Chile. Não só a literatura como outros textos fundamentais surgiram nos países vizinhos.

A eleição da mídia social

12 de maio de 2010 11:39 pm

David Cameron, líder do partido conservador, que venceu as eleições britânicas, consideradas as primeiras na nação na era das mídias sociais

David Cameron, líder do partido conservador, que venceu as eleições britânicas, consideradas as primeiras na nação na era das mídias sociais

Depois de Barack Obama, partidos sonham repetir sucesso na internet registrado nos EUA. A expectativa não é obter altas doações - como ocorreu entre os norte-americanos - mas medir desempenho pelas redes como Twitter, influenciar indecisos e conquistar eleitores jovens

Por Lena Castellón

A internet é a menina dos olhos dos partidos políticos. Ao menos nestes dias em que a propaganda eleitoral com a permissão de comícios ainda está vetada - a data para seu início é 6 de julho. Não é à toa, portanto, que escritórios de advocacia especializados em direito digital estão vivendo momentos intensos ultimamente, com muita solicitação de trabalhos de consultoria e orientação por parte das legendas e de agências de marketing político.

Mas especialistas acreditam que, mesmo com a liberação da campanha eleitoral na TV e no rádio (o que acontecerá a partir de 17 de agosto), o digital ainda ocupará um bom espaço na estratégia dos partidos. Um dos fatores que alimenta esse posicionamento é o sucesso de Barack Obama na eleição presidencial dos Estados Unidos.

Cerca de um ano atrás, a estratégia do então candidato democrata para cativar eleitores era uma das apostas para o Festival de Cannes de Publicidade. Prova disso é que o case entrou para a 23ª edição do Cannes Predictions, a lista de candidatos a Leões feita pela rede Leo Burnett. E, no final, saiu ganhadora, levando para a equipe do atual presidente os Grand Prix de Titanium e de Integrated, justamente os mais cobiçados.

Por aqui, a estratégia digital dos candidatos às eleições deste ano talvez não ronde prêmios de publicidade. Também não se deve esperar que o papel da internet seja tão impactante para a campanha como foi nos Estados Unidos em relação a um dos aspectos que se sobressaíram nas eleições norte-americanas: a arrecadação de dinheiro por meio de doações dos internautas (angariadas especialmente via e-mail marketing). “Por uma questão de cultura do brasileiro, não veremos volumes altos. Mesmo entre os usuários de internet, muitos não praticam o e-commerce”, observa Patrícia Peck, sócia do escritório Patrícia Peck Pinheiro, focado em direito digital e segurança da informação.

Ainda que nesse sentido não haja perspectiva de grandes avanços, está claro que este será a primeira campanha eleitoral em que a internet - e em particular a mídia social - exigirá dos presidenciáveis uma atenção mais do que especial. O fato é que o tema da internet já tomou o noticiário geral da mídia e inclusive envolveu a substituição de um filme da campanha de 45 anos da Rede Globo (leia mais aqui). O M&M Online também acompanhará a evolução do processo eleitoral deste ano, o primeiro em que o Twitter terá peso importante como ferramenta de marketing para os partidos.

“O principal papel da internet será de trabalhar indecisos e de conquistar o público jovem. Será importante gerar aderência por meio das ferramentas digitais”, analisa Patrícia. A advogada comenta que se sairá bem aquele que conseguir conquistar os formadores de opinião, os blogueiros e, claro, o público que ela chama de 3.0, ou melhor, a faixa entre 16 e 25 anos, que está constantemente interagindo.

Na visão de Patrícia, mesmo com o início da campanha na mídia de massa, o digital ainda terá muito a oferecer. “A internet será alimentada ainda mais. As opiniões a respeito da propaganda na TV vão aparecer no YouTube e nas redes sociais. A web perpetuará o que vai acontecer na TV e até poderá ajudar a produzir o que será mostrado depois nos programas da campanha eleitoral”.

Essa influência vale para os debates que vão acontecer na televisão (a web também permite esse tipo de embate). “Na véspera, as discussões na internet vão gerar posicionamento. E durante o debate o candidato poderá medir se está se saindo bem”, diz.

Reino Unido
A eleição geral britânica deste ano - cuja votação aconteceu na quinta-feira 6 - foi considerada a primeira da mídia social. É verdade que desta vez causaram burburinho os debates transmitidos pela TV (que não eram um hábito no Reino Unido). Mas eles também foram acompanhados pelos celulares. Além disso, os eleitores fizeram seus tweets e comentários no Facebook durante esses eventos, dando aos candidatos retornos instantâneos, entre eles dicas para melhorar a aparência.

Segundo o jornal The Guardian, após o terceiro debate foram computados 154.342 tweets relativos à discussão dos líderes na TV. Um estudo da Echo Research mostrou que a mídia social foi bastante usada pelo público entre 18 e 24 anos (42%). A consultoria informou ao diário inglês que cerca de metade da população buscou informações online sobre os candidatos e os partidos. Ao final, a vitória coube ao Partido Conservador, que conquistou a maioria dos assentos no parlamento. Durante o último debate, os conservadores disponibilizaram na home de seu site um sistema para mostrar comentários postados no Twitter.

Criatividade
Questionada se haveria chance de surgir algum case surpreendente nas eleições daqui, Patrícia Peck acredita que sim. “A gente não pode esquecer a criatividade do brasileiro e também sua adesão às redes sociais”. Ela diz que é possível surgir uma peça criativa do próprio eleitor no YouTube. “A gente tem uma experiência grande de mídia social, mais do que muitos países. Somos grandes adeptos”, reforça.

Patrícia lembra que o trabalho dos especialistas se estenderá para além do processo eleitoral. Isso porque a votação pode passar, mas o conteúdo continuará no ar, demandando atenção e inclusive investigação se for apontada alguma irregularidade nas ações digitais.

Para conhecer algumas regras para ações digitais nestas eleições, leia abaixo:

- A propaganda eleitoral na web está liberada a partir de 6 de julho. O que for “ato de vontade” não tem prazo de início - por exemplo, simpatizantes podem abrir espaço nas redes sociais para se manifestarem. Estão vetados anúncios pagos na internet. Sites de órgãos do governo ou entidades da administração pública não podem exibir propaganda

- Debates estão permitidos. A participação de candidatos nesses encontros não é considerada propaganda antecipada

- Existe direito de resposta na web. Sua solicitação tramitará com prioridade na Justiça Eleitoral

- E-mail marketing e SMS visando campanha eleitoral também estão autorizados. O receptor das mensagens poderá solicitar o fim do envio desse material. O prazo para isso é de 48h, sob pena de multa de R$ 100 por mensagem

- A boca de urna digital pode ficar no ar mesmo no dia da votação. Não há limite temporal para a veiculação de propaganda eleitoral gratuita na web

Blogueiros e jornalistas

29 de abril de 2010 12:05 pm

blogueiros-nao-entendem-mulheres

Do Queroterumblog.com

5 coisas que blogueiros ensinam a jornalistas

O New York Times pode desistir da versão impressa em cinco anos. Esse é só um dos aspectos das mudanças que vêm em breve no modo de ler, assistir, obter e divulgar informações.

Mudanças são difíceis. Porcelanas se quebram. O cachorro cai do caminhão. Alguém depena o papagaio. Ninguém se sente muito confortável no começo.

Creio que esta semana houve um certo desconforto por conta de uma publicidade de O Estado de São Paulo. Uma possível oposição entre jornalistas e editores de blogs.

Mas, na verdade, nem sei ainda se esse desconforto tem fundamento ou se as intenções de tal publicidade e das últimas entrevistas polêmicas sobre blogs foram mal interpretadas, se de fato existe essa oposição.

Mais vale perguntar se há mesmo uma guerra antes de declará-la, pois existe ainda muito desconhecimento de lado a lado.

Prefiro pensar como o Magalhães, que acredita na união de blogs e grande mídia em um futuro próximo.

Como você talvez já saiba sou jornalista e editor de diversos blogs. E pensei bastante sobre o assunto durante esses dias.

Por isso resolvi fazer esta série em duas partes. A seguir a esse artigo publicarei também 5 coisas que jornalistas ensinam a blogueiros.

Mas primeiro vamos às 5 coisas que blogueiros ensinam aos jornalistas.

1. Blogueiros sabem fazer links.

Embora haja importantes exceções, jornalistas habitualmente não sabem fazer links. Seja em seus blogs, seja nos portais em que trabalham.

Ou simplesmente não fazem, apenas citando a fonte. Ou fazem precariamente.

Usam o indefectível “clique aqui”, que não ajuda nem ao leitor nem aos mecanismos de busca. O que reflete também no leitor, que terá resultados de buscas de menor qualidade.

É uma das coisas que faz com que blogs de jornalistas não funcionem.

O que fazer para melhorar: pense nos links de duas formas. Primeiro considere-os como as veias e artérias da verdadeira energia da internet, que é a informação.

É pelos links que ela escoa e não fica estagnada.

E, segundo, considere-os como os títulos da página de destino do link. Afinal, você chamaria todos os seus artigos de “clique aqui”?.

2. Blogueiros sabem procurar informação na internet.

É uma minoria de jornalistas que sabe o que é o Digg, o Del.icio.us e, para ficar no Brasil, o Rec6.

Além disso, muitos ainda acham que blogs só têm potencial para diários online, se tanto, e não os vêem como possíveis fontes ou parceiros na propagação da informações.

Blogueiros, no entanto, sabem garimpar informações na internet e em que blogs confiar e a partir dos quais propagar as informações.

O que fazer para melhorar: descubra e entenda o funcionamento das novas ferramentas de notícia.

Para descobrir blogs de qualidade, vá ao ranking do BlogBlogs e pesquise. Alguns – não todos – são de muita valia jornalística e informativa. Investigue também em outras fontes que você descobrirá no caminho.

3. Blogueiros sabem ler na internet.

Blogueiros há muito tempo usam agregadores de feed para ler seus sites de notícia e blogs preferidos.

Eles não perdem tempo entrando nos endereços a cada vez que precisam de algo novo. Além disso, usam os feeds de muitas outras maneiras criativas para ler sobre seus assuntos preferidos sem perder tempo.

O que fazer para melhorar: aprender de uma vez por todas a usar os agregadores de feeds e usá-los efetivamente.

4. Blogueiros sabem ser pessoais.

Nós jornalistas estamos acostumados a escrever de modo impessoal, sem se enredar no texto, principalmente quando se trata das notícias do cotidiano.

Não se fala diretamente ao leitor e não se fala de nós.

É como se não tivéssemos nada a ver com aquilo. Isso tem suas vantagens, mas nem sempre funciona.

Os blogueiros, porém, sabem falar com você sobre como eles se posicionam no mundo.

Um levantamento da E.Life, aponta que a opinião de amigos e conhecidos é mais importante que a dos grandes veículos de comunicação atualmente.

Blogueiros sabem desenvolver esse nível de proximidade com o leitor.

O que fazer para melhorar: cultive um estilo mais pessoal.

Solte as amarras técnicas. Tire férias do lead de vez em quando, sem esquecer no entanto que um bom primeiro parágrafo é essencial. Escreva como se estivesse falando para um amigo.

Tire proveito do sistema de comentários para estabelecer um diálogo com seu leitor.

5. Blogueiros sabem estabelecer potentes laços virtuais.

Pedro Dória – um dos integrantes do falecido NoMínimo e descobridor da Bruna Surfistinha -, em entrevista para o Digestivo Cultural, diz acreditar que as redações sempre vão existir.

Eu também acredito nisso.

A redação é o espaço físico em que se dá o intercâmbio entre jornalistas e onde, ao final do dia – desse contato real -, é produzida a notícia.

Mas isso não quer dizer que os laços virtuais não virão a ganhar mais e mais poder nos próximos anos.

E, se os grupos – virtuais ou não – serão fortes, o poder do indivíduo dentro deles também deve crescer, tanto mais conexões ele tiver e mais fortes essas conexões forem.

O que fazer para melhorar: a falta de conexões virtuais se dá por não se saber usar corretamente os potenciais da internet e não se acreditar no poder que elas têm.

Aprenda a usar links, trackbacks, redes de relacionamento (não só o Orkut), comente em outros blogs, freqüente o Rec6 e outros sites de notícia do gênero.

São diversas modalidades de estabelecer ligações que os blogueiros dominam como ninguém.

Durante muito tempo o termo relacionamento virtual tem sido visto de modo pejorativo. Não há razões para isso desde que esse relacionamento seja conduzido com seriedade.

Não há razões para blogueiros e jornalistas não estabelecerem um, jogando em lados opostos.

profissao-blogueiro

5 coisas que jornalistas ensinam a blogueiros

Mas digamos que jornalistas estão há mais tempo nessa história de propagar informações com mais – ou menos – responsabilidade.

Desnecessário dizer que o entrevero que houve entre blogs e Estadão é algo que se dá entre uma empresa e um grupo de representantes de um veículo de comunicação ainda em ascensão, os blogs.

Logo, isso não é uma batalha entre jornalistas e editores de blog nem entre o lado sombrio e o lado bonzinho da Força.

Os dois tipos de profissionais podem ser amiguinhos e até a mesma pessoa, como é o meu caso.

Portanto, não há por que negar que jornalistas também têm também coisas importantes para ensinar aos editores de blog.

1. Jornalistas apuram os fatos.

O jornalista já está habituado com a idéia de que nem tudo o que dizem pra ele é verdade.

Ao receber uma informação, ele telefona para suas fontes e, principalmente, fala – ou tenta falar – com os envolvidos.

O jornalista – assim como qualquer pessoa que propaga informações falsas – pode ser responsabilizado judicial e eticamente, prejudicando sua reputação diante do público e dos colegas.

O que fazer para melhorar: pergunte antes de atirar. Ao ler um artigo em um blog, pare para pensar se ele é verdadeiro antes de repercuti-lo ou simplesmente reproduzi-lo como um papagaio.

Antes de propagá-lo, descubra se há interesses por trás de determinada idéia. Descubra quem é a fonte mais confiável para você ler ou ouvir sobre o assunto.

Será a diferença entre ser um propagador de informações responsável e um mero fofoqueiro. E pode evitar dores de cabeças futuras.

2. Jornalistas sabem ouvir.

Claro que o jornalista lê jornais antes de escrever suas matérias. Mas, antes de escrevê-las, ele vai ouvir suas fontes. Não basta reproduzir uma informação: é preciso acrescentar algo. De outra forma, os jornais iriam se limitar a mastigar as informações uns dos outros. Em alguns casos, é o que acontece na blogosfera.

O que fazer para melhorar: ouça. Ouvir no caso da internet inclui, além do telefone e outras formas de contato pessoal, o email, o MSN e até diálogos em caixas de comentário. Quanto mais fontes você puder ouvir, mais embasado, confiável e completo seu artigo ficará, cheio de material inédito. Cultive e armazene bem suas fontes: alguns jornalistas morreriam se perdessem seus cadernos de telefone.

3. Jornalistas dizem muito com pouco.

Um jornal – impresso, radiofônico ou na tevê – é limitado pelo tamanho da coluna ou pelo tempo. É preciso saber dizer o essencial em poucas linhas. Jornalistas são craques nisso.

Na internet, sobretudo nos blogs, não há limites de tamanho. Junte a isso a habilidade – benéfica – que os blogueiros têm de ser pessoais e o artigo pode ficar mais longo do que o leitor gostaria.

O que fazer para melhorar: não diga com duas palavras o que você pode dizer com uma. Por exemplo, só use um adjetivo se ele realmente for acrescentar algo ao substantivo.

Treine: tome um texto seu e tente reduzi-lo à metade, aprendendo assim quais foram as palavras inúteis que você certamente usou.

Garanto que você vai se divertir e aprender muito com essa prática.

4. Jornalistas têm paciência.

Antes, o prazo de um dia para a notícia sair na manhã seguinte nas bancas e a deadline no começo da noite, quando a matéria precisava ser entregue, era um tempo muito escasso.

Hoje é um período infinito do ponto de vista de um editor de blog.

Um assunto precisa ser passado à frente ou comentado assim que é lido no blog ou site social de notícias preferido.

O jornalista, porém, tem ou tinha tempo de matutar sobre o assunto e dar a chance para as idéias aparecerem. Uma abordagem inovadora ou uma informação inédita sempre surgia daí.

O que fazer para melhorar: escolha um assunto que você leu. De preferência o que mais lhe agrada e o que mais lhe dá ansiedade para publicar o quanto antes.

E não publique.

Pense um pouquinho sobre ele. Trace uma estratégia de edição. Faça um plano. Trate-o com o carinho que ele merece. Que outras fontes você pode consultar antes de publicá-lo?

Enquanto isso, acompanhe o que os outros blogs estão dizendo. Espere. Deixe a água ferver até secar.

E só então depois de uns dois dias publique o mega-super-artigo com todas as coisas que ninguém disse sobre isso ainda.

E seja o centro das atenções.

Ou, se isso não acontecer, pelo menos tenha a oportunidade inigualável de se orgulhar de um trabalho bem feito.

5. Jornalistas revisam seus textos e dominam a língua portuguesa

Não todos, naturalmente. Mas a maior parte dos jornalistas penam revisando seus textos antes de que eles sigam para a edição e, a seguir, para a diagramação e a impressão.

Acontece que, quando no dia seguinte você lê um texto seu no jornal e há um erro absurdo de português, você sofre. Pois imagina que o leitor o considera estúpido ou coisa assim.

É comum que pessoas tirem todo o crédito de um texto bem elaborado se elas encontram um erro bobo como a flexão do verbo haver para o plural no sentido de existir.

Editores de blog, ainda têm a possibilidade de corrigir seus textos depois de publicados, mas imagine quantas pessoas já o leram antes que isso aconteça.

O que fazer para melhorar: leia, escreva, estude. Não tem outro jeito. Quando acabar de ler, revise seu texto. Releia.

Se você tiver essa possibilidade e não estiver com pressa, peça para outra pessoa – de preferência alfabetizada – ler seu post. É mais fácil encontrar erros em textos que não escrevemos.

Você pode querer ainda algumas dicas: 9 dicas de como evitar erros de português e nunca mais passar vergonha.

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Um continente sob as cinzas de um vulcão

27 de abril de 2010 8:36 am

vulcao

Independentemente da globalização, as supostas características nacionais dos países europeus seguem intactas, como demonstrou a crise aberta pelo Eyjafjallajokull

Por Michael Kimmelman*

The New York Times

O Eyjafjallajokull, aquele vulcão de nome impronunciável, provocou inevitáveis comentários sobre a impressionante fúria da natureza e a inadequação das invenções humanas que tentam domá-la. Em geral, os europeus costumam se esquecer da Islândia até que uma nova calamidade atraia outra vez as atenções para o país. A última catástrofe foi a implosão do sistema bancário, e a piada que circula no continente diz o seguinte: depois que sua economia bateu as botas, o último desejo da Islândia era que suas cinzas fossem espalhadas sobre a Europa.

As outras piadas são ainda piores.

Apesar de imprevista, a erupção parece ter permitido aos europeus que se dedicassem um pouco aos estereótipos - afetuosamente evocados, apesar de previsíveis e antigos - a respeito uns dos outros. Independentemente da globalização, as supostas características nacionais se mostram resistentes e, num certo nível, podem ser instrutivas.

Demora. Assim, inicialmente, as autoridades italianas se demoraram num segundo cafezinho enquanto pensaram estar diante de uma crise restrita ao norte do continente. Então tudo passou a lembrar a produção de uma ópera de Zeffirelli. A Agência Italiana de Proteção Civil foi obrigada a montar centenas de catres e colchões de ar no aeroporto Leonardo da Vinci, em Roma. Enquanto isso, as estações de trem foram tomadas pela multidão, com filas intermináveis se formando diante de máquinas de passagens que levavam séculos para funcionar (quando funcionavam).

Felizmente, os italianos são um povo piedoso e os sindicatos nacionais do transporte público (trens, ônibus e metrôs) adiaram uma greve marcada dias antes - ao contrário dos sindicatos franceses.

Fazendo jus à fama, os trabalhadores franceses - no caso, da rede de trens SNFC - recusaram-se a interromper uma greve que começara antes da chegada das cinzas, pouco se importando com o vulcão. Assim, era teoricamente possível (apesar das multidões) viajar de trem de Paris a Genebra, por exemplo, mas não de Paris a Bordeaux, exacerbando o nível geral de caos e descontentamento. Quando as viagens aéreas foram liberadas, a greve chegou ao fim.

Os gregos não quiseram ser deixados para trás e, num agito defensivo decorrente do derretimento econômico que o país infligiu a si mesmo, aproveitaram o momento para começar uma greve ou duas. Os servidores públicos gregos decidiram cruzar os braços. O mesmo fez um sindicato apoiado por comunistas, prejudicando o funcionamento do serviço de balsas.

Enquanto isso, os britânicos enviaram a frota (o que mais poderia ser?), incluindo o HMS Ark Royal, resgatando turistas ingleses que estavam isolados em Calais e em lugares problemáticos como Ibiza, junto com soldados que voltavam do Afeganistão. Isso permitiu ao sitiado primeiro-ministro Gordon Brown - atrás nas pesquisas eleitorais - brincar de Lord Nelson por um tempo.

E na Rússia, como relatado pelo New York Times, um mercado negro de passagens aéreas - das quais nem todas eram legítimas - surgiu da noite para o dia. Imensas filas na estação Belorussky deixaram de olhos marejados os nostálgicos do período soviético.

Os alemães, por sua vez, disseram inicialmente que ninguém deveria ser responsabilizado pelo problema. Não havia culpados. Mas quando as empresas aéreas alemãs começaram a se queixar dos lucros perdidos e a imprensa do país começou a reclamar da atitude do governo alemão– que, desempenhando o eterno papel de irmão mais velho ansioso para agradar ao pai, tinha uma vez mais acatado as determinações mais amplas da União Europeia, aceitando a proibição aos voos sem enviar seus próprios balões meteorológicos para a realização de testes -, a questão foi transformada num problema empresarial e num escândalo econômico.

É verdade que os estereótipos são detestáveis, apesar dos europeus gostarem tanto de perder seu tempo com eles, sejam de si mesmos ou dos demais povos. Apesar de traiçoeiros, os estereótipos evocados a partir das diferentes respostas ao vulcão sublinham o quanto a Europa permanece diversa do ponto de vista cultural, e o quanto a unidade tão ostentada pela União Europeia pode se mostrar frágil e fragmentada.

Com base na cooperação econômica, a União teve cada vez mais que enfrentar uma série de temas morais, culturais e étnicos, como a imigração e o respeito aos direitos humanos. São questões que não podem ser separadas do bem-estar econômico, mas que representam desafios para a soberania nacional - o tipo de problema contra o qual os EUA se debatem desde a sua fundação.

O vulcão. A natureza elaborou a metáfora perfeita para o fardo da união, obrigando os europeus a reconhecerem, por bem ou por mal, que estão no mesmo barco, uma família de países, apesar de terem na Islândia a figura do primo extravagante e levemente inconveniente que se senta à cabeceira da mesa de jantar e ainda acredita em elfos.

Elfos. De acordo com a agência de notícias russa Interfax, uma organização chamada de Associação dos Especialistas Ortodoxos manifestou-se durante a crise provocada pelo Eyjafjallajokull na tentativa de associar as cinzas vulcânicas ao papel desempenhado pela Islândia enquanto “centro do neopaganismo europeu de tonalidades arianas ocultas”.

Parece que, além de suas preocupações legítimas, a Islândia é também a base da Associação de Religiões Étnicas Europeias, que negociou uma fusão entre a Assembleia Mundial Pagã e a Aliança Pagã Internacional.

Enfim. A questão é que as famílias precisam se unir quando enfrentam problemas, como fizeram aqueles italianos presos em Londres na Victoria Station.

Eles se reuniram, estabeleceram uma amizade, alugaram uma van e voltaram para casa. Depois, um deles escreveu a um jornal italiano falando sobre a redescoberta “do grande espírito da solidariedade” que antes parecia ter-se perdido no país.

Eis aí outro estereótipo dos italianos: na maior parte do tempo, constituem um país apenas enquanto ideia, mas são capazes de se transformar numa família em questão de instantes. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

*COLUNISTA, CRÍTICO DE ARTE E ESPECIALISTA EM CULTURA E SOCIEDADE EUROPEIA

Voz dissonante

26 de abril de 2010 12:00 am

José Ramos Tinhorão

José Ramos Tinhorão

Um dos principais historiadores da música popular brasileira, José Ramos Tinhorão diz que a produção de canções se restringe cada vez mais a nichos e critica o silêncio da academia em relação à sua obra

Por LUIZ FERNANDO VIANNA

Folha de São Paulo

Rio de Janeiro - Quatro meses antes de, em já famosa entrevista à Folha realizada em 2004, Chico Buarque afirmar crer na possibilidade do fim da canção, José Ramos Tinhorão dissera o mesmo à mesma Folha. Foi bem menos lido e mais atacado do que Chico, naturalmente.
Aos 82 anos, Tinhorão parece não ter se desviado em nada do percurso que começou a trilhar em 1958, quando recebeu a incumbência de escrever sobre música no “Jornal do Brasil” e se tornou um dos mais originais frasistas, ensaístas e historiadores da cultura popular do país. Quando se debruça sobre um assunto, chega muito antes dos outros ou já chega imprimindo uma visão absolutamente peculiar.
Tinhorão lança mais dois livros, alcançando a marca de 28: “A Música Popular Que Surge na Era da Revolução” (ed. 34, 176 págs., R$ 32) relata, com fartura de informações, o que aconteceu na música em Portugal e na França por conta da Revolução de 1789; “Crítica Cheia de Graça” (ed. Empório do Livro, 160 págs., R$ 43) compila alguns de seus textos publicados na imprensa, atuação que lhe custa até hoje o ódio de bossa-novistas, tropicalistas, jazzistas, roqueiros e outros times.
E, ainda, com a publicação da biografia “Tinhorão - O Legendário” (Imprensa Oficial, 280 págs., R$ 20), de Elizabeth Lorenzotti, e a instalação na sede carioca do Instituto Moreira Salles do enorme Acervo Tinhorão, fica difícil suas ideias não voltarem à tona, embora muita gente as preferisse sepultadas.
“A figura do artista como conhecemos, romântica, vai acabar. O engenheiro de som vai ser mais importante do que o artista. Hoje, fabrica-se som, em breve não será preciso tocar nenhum instrumento. Quando vem uma dessas bandas tocar aqui, a imprensa exalta as toneladas de equipamento que elas trazem. Hoje, a música popular se julga por toneladas”, afirma ele.
O rap, o funk, a música eletrônica e boa parte da música pop já não têm os instrumentos como eixo, e sim as programações feitas em computador. Estas exigem musicalidade, claro, mas não a derivada de cinco séculos de música tonal, tradição que culminou nas canções, como aponta Tinhorão.
“Não existe mais gente buscando novas sínteses. A hegemonia hoje é a média, a repetição. Nada acaba, a canção de qualidade vai continuar a ser feita, mas viverá em nichos, como aconteceu com a ópera e o quarteto de câmara. [José Miguel] Wisnik e [Luiz] Tatit continuam a fazer canções porque gostam, mas não há como fugir do processo histórico”, afirma, referindo-se a dois compositores-ensaístas que já criticaram sua visão do fim da canção.
“Processo histórico” é uma expressão que remete ao marxismo -ou ao “materialismo histórico-dialético”, como ele prefere-, que foi a base de seus ensaios sobre música na imprensa, especialmente nos dois períodos no “Jornal do Brasil”: 1958 a 63 e 1975 a 81. Eram ensaios porque Tinhorão costumava partir de um disco para fazer uma “análise sócio-histórico-cultural”, o que seria impossível hoje, por falta de espaço, formação e porque nos acostumamos a dar dicas sobre um produto que será consumido, e não escrever sobre uma suposta criação artística.

Críticos
“Não sou crítico. Renzo Massarani, Edino Krieger e Mário de Andrade eram críticos, entendiam muito de música. Hoje, existem críticos de discos, que escrevem na base do “gostei” e “não gostei” e procuram agradar a sua corriola”, diz.
A formação marxista ajuda a explicar a sua aversão à bossa nova, a mais notória e longeva das brigas que comprou -e que lhe rendeu fortes ataques de Caetano Veloso e muitos outros, além de anedotas como a de que Tom Jobim começava o dia urinando num vaso de tinhorão, a planta.
Para Tinhorão, o ensaísta, se havia influência do jazz na bossa nova, sendo esta “filha de aventuras secretas de apartamento com a música norte-americana”, como escreveu em 1963 na revista “Senhor”, João Gilberto, Tom Jobim e os demais estavam se afastando da cultura popular brasileira e entendendo como “de maior qualidade o que era produzido no equivalente de sua classe nos Estados Unidos”. Mais do que nacionalista, Tinhorão estava e continua sendo, digamos, “classista”. “Toda cultura é cultura de classe”, resume, num axioma marxista.
“Tom era um bom músico, um bom harmonizador, mas não um criador. Eu tenho uma memória musical desgraçada, ouço uma vez e não esqueço, e posso te dizer que 16 músicas do Tom têm anterioridade”, repisa ele, fazendo associações entre “Mr. Monotony” (Irving Berlin) e “Samba de uma Nota Só”; a “ouverture” da “Ópera dos Três Vinténs” (Kurt Weill) e “Sabiá”; o tema folclórico “Água do Céu” e “Águas de Março”.
São aproximações discutíveis, e Tinhorão não as chama de plágio. “Quando fez “Insensatez”, por exemplo, ele não sabia que estava repetindo uma lembrança de Chopin.”

Autodidata
Tinhorão acaba falando de bossa nova mesmo sem ser provocado, embora logo no início da entrevista diga que odeia ser chamado pelo clichê de “polêmico” e que o tema não interessa mais. Só que é inevitável passar por ele para chegar ao fato de o autor não ter conquistado, apesar da profusão e da profundidade de seus livros, o reconhecimento que deseja.
“Daqui a 50 anos, quando se quiser conhecer a música brasileira do século 20, as pessoas vão ler Tinhorão, Zuza Homem de Mello, Sérgio Cabral, e aí sem influência dos julgamentos anteriores, feitos a quente”, afirma ele, apostando que os futuros jovens o descobrirão.
Quanto ao reconhecimento da academia, a revolta é maior e a esperança parece menor. Ele se vê alvo de preconceito por ser um jornalista que se tornou historiador autodidata, indo por conta própria às fontes primárias, especialmente no Brasil e em Portugal.
“Sou muito citado nos livros acadêmicos, mas só como apud [quando se aponta o autor que teve acesso à fonte original], porque eles não têm outra forma de dizer de onde tiraram aquelas informações, já que eu tenho obras que não existem nem na Biblioteca Nacional [no RJ]. Eles ficam citando [Jacques] Le Goff, os mesmos, estão presos na bibliografia europeia, em especial francesa”, critica ele, garantindo nunca ter tido um dado de livro seu contestado. “Como não podem me refutar, preferem me tratar com o silêncio.”
Os ídolos de Tinhorão na música, como se pode prever, são os artistas populares que fazem muito com pouca formação e não mudam sua maneira de criar e viver mesmo após lançar discos e entrar na indústria cultural. Um paradigma é Nelson Cavaquinho.
“A originalidade dele resulta do seu primitivismo. Roubaram-lhe o cavaquinho, alguém deu um violão e ele, que era para ser um tocador de cavaquinho, virou um tocador de violão, daquele jeito único, que fundiu a cuca do [violonista clássico] Turíbio Santos. Com extrema limitação de possibilidades, ele conseguia fazer melodias inexplicáveis. Não tinha nem coordenação motora, sua letra ia subindo no caderno. Claro que eu tenho que elogiá-lo. Esse é um criador”, exalta.

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LORENZOTTI, Elizabeth. Tinhorão: o legendário. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.

José Ramos Tinhorão começou a escrever sobre Cultura em 1961, no Jornal do Brasil, quando recebeu a tarefa de produzir uma série sobre música popular brasileira. Entre muitas investigações e pesquisas do efervescente momento cultural, colocou à prova verdades sacramentadas sobre a música, provocou polêmicas, conquistou apoios e muitos inimigos. Essa e muitas outras histórias sobre sua trajetória profissional, contextualizadas nos bastidores do jornalismo brasileiro nas décadas de 60 e 70, principalmente, estão no livro Tinhorão, o Legendário, da coleção Imprensa em Pauta. A biografia, escrita pela jornalista Elizabeth Lorenzotti, mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e doutoranda em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pela mesma instituição, resgata fatos históricos de várias épocas. Tinhorão começou a escrever textos-legendas no histórico Diário Carioca dos anos 50. Fez carreira na humilde função de copidesque (redator), como ele mesmo classifica, em veículos como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Cruzeiro, O Jornal, Última Hora e Veja (neste último veículo, integrou a primeira equipe, em 1968), além do próprio Diário, sua porta de entrada na profissão. As pesquisas na área musical o levaram pelo caminho da crítica, pautada principalmente pelo seu espírito nacionalista. Tinhorão, nas palavras da autora, sempre nadou contra a corrente: em suas colunas, contrariou o senso comum sobre a música popular. Entre suas descobertas, escreveu que a Bossa Nova é uma variante americana do samba, tão brasileira como um carro montado no Brasil ele também satirizava o fato de diversos artistas reivindicarem a paternidade deste estilo musical. Demonstrou ainda que o samba nasceu no Rio de Janeiro, e não na Bahia, como se acreditava. Era rigoroso e, muitas vezes, irônico nas críticas à indústria cultural e a artistas. Diversos artigos causaram reações furiosas. Alguns deles, não só os polêmicos como os engraçados, estão no livro.

Johnson Araújo, mais um juiz que entra no rol dos praticantes de obscenidades jurídicas

23 de abril de 2010 7:49 am

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Jornalista é proibido de citar governador de Roraima no Twitter

Por Sílvia Freire

FOLHA DE SÃO PAULO

A Justiça Eleitoral de Roraima multou um jornalista em R$ 5.000 por entender que ele fez propaganda eleitoral antecipada negativa em seu perfil no Twitter.
Em decisão liminar anterior, o juiz Johnson Araújo, do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, havia proibido o jornalista José Raimundo Rodrigues Silva de citar no microblog o nome do governador José Anchieta Júnior (PSDB), que é pré-candidato à reeleição.
O jornalista anunciou, em março, em seu perfil no Twitter, que iria postar 45 supostos crimes eleitorais de Anchieta Júnior. Antes de chegar ao 30º “crime”, uma liminar proibiu que ele mencionasse o nome do governador, mesmo que implicitamente, e fixou uma multa diária de R$ 300 em caso de descumprimento.
J.R. Rodrigues, como é conhecido, é secretário de Comunicação da Assembleia e ligado a políticos de oposição a Anchieta Júnior.
Para o jornalista, a decisão é um caso de censura prévia. O advogado do PSDB, Alexander Ladislau, nega a acusação.

Setor elétrico pós-Belo Monte

21 de abril de 2010 1:31 pm

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Planejamento da área precisa ser blindado de conceitos artificiais e seus efeitos negativos como o apego quase dramático aos ”projetos estruturantes”

Por Claudio J.D. Sales*

Com direito a todos os arroubos dramáticos possíveis, foi leiloada a usina de Belo Monte. Os inúmeros grupos de pressão com interesses diretos no sucesso - ou fracasso - do leilão provavelmente continuarão a se enfrentar nas arenas judiciais e midiáticas. Ocuparão as páginas dos jornais por um bom tempo especulações de curto prazo e de caráter comercial na linha do “Belo Monte vale a pena? O projeto é viável? Os impactos socioambientais foram avaliados? Qual o real custo da usina se forem internalizados os subsídios?”

Dito isso, propomos um olhar “além Belo Monte” que parte da premissa que este projeto deverá ser desenvolvido de forma a preservar os três pontos fundamentais pactuados com o Estado brasileiro: a entrega da quantidade de energia prevista no edital, no prazo determinado e a tarifa correspondente ao lance vencedor. O respeito a estes pontos sedimenta a seriedade institucional necessária aos próximos leilões e gera um ambiente de menor risco, com potencial redução de custos das empresas e das tarifas para os consumidores.

Quais lições podemos extrair da polêmica em torno do leilão?

Em primeiro lugar, o planejamento do setor precisa ser blindado de conceitos artificiais e seus efeitos negativos. Como exemplo, o apego quase apaixonado pelos “projetos estruturantes” precisa ser substituído pelo conceito inatacável da competição, balizada pela análise econômica pura e transparente. Diretrizes de expansão baseadas no “se eu quiser muito acaba acontecendo” não produzem uma expansão ótima do ponto de vista econômico e não são respostas à segurança energética.

O ato de impor empreendimentos que “precisam sair de qualquer jeito” acaba enfrentando a dura realidade que foi constatada às vésperas do leilão: a ausência de interessados. As empresas estatais não podem mais ser forçadas a implementar quaisquer comandos que partam dos governos de plantão que as controlam. Portanto, como o espaço para políticas energéticas impositivas é menor, se as diretrizes do planejamento energético não levarem em conta as concretas opções disponíveis para a realidade brasileira, continuaremos reféns de decisões pendulares que ora demonizam algum tipo de fonte, ora endeusam alternativas menos viáveis.

Num cenário globalizado como o setor de energia, que desempenha papel crucial na competitividade das nações, aceitar pressões de atores que representam bandeiras muito simpáticas - como a social ou a ambiental - mas que escondem interesses menos charmosos - econômicos, políticos e ideológicos - é entregar de forma inocente nossos ativos.

Outra realidade que precisa ser desvendada é a da carga de tributos e encargos do setor elétrico. Muito se fala sobre “modicidade tarifária”. Mas a principal alavanca para diminuir a tarifa raramente é acionada. De cada R$ 100 da conta de luz, apenas R$ 54 têm a ver com a geração, transmissão e distribuição de eletricidade. Os restantes R$ 46 decorrem dos inúmeros impostos e subsídios criados ao longo de décadas : x% para um pleito aqui, y% para outro acolá.

Incontáveis as iniciativas do governo federal têm resultado em aumentos bilionários da conta de luz. Exemplos: a alteração da lógica de operação das usinas de forma discricionária, desvirtuamento de encargos embutidos na tarifa, criação de novos subsídios que perpetuarão ineficiências. E o Congresso, além de frequentemente dar guarida às iniciativas do governo, também é berço de várias ações que produzem bondades localizadas (subsídios para poucos grupos) mas geram maldades dispersas (aumento de impostos para todos os consumidores que não conseguem se organizar em lobbies).

O olhar para o futuro deve ser direcionado para as reais alavancas que produzirão um setor com mais segurança de oferta de energia e tarifas módicas de fato: a despolitização do setor, um planejamento sem artificialidades e sem preconceitos, e a gradual redução dos tributos e encargos que têm pesado sobre a tarifa.

*PRESIDENTE DO INSTITUTO ACENDE BRASIL

Os dilemas de Belo Monte

Povo brasileiro vai ser sócio em 49% e credor em até 85% do que não pode ser economicamente viável, a menos que a vida na região do Xingu pague a conta

Por Pedro Bara Neto*

Desde que o setor elétrico brasileiro retomou a velha prática de que o futuro passa por grandes projetos hidrelétricos na Planície Amazônica, autoridades têm abusado de um argumento simplório, onde um bom barramento é aquele cuja relação entre área inundada e capacidade de geração é a menor possível.

Sob o ponto de vista de segurança, para um sistema tão dependente da boa vontade dos céus, o argumento é falso. Quanto mais represas de grande porte com reservatórios relativamente pequenos forem construídas na Amazônia, mais inseguro será o sistema elétrico em relação a eventos climáticos extremos. Não só para garantir a “energia firme”, mas também para transportá-la por milhares de quilômetros.

Sob o ponto de vista de mitigação, o argumento continua sendo simplório. Tome-se o caso de Belo Monte, cuja engenharia consiste em encurtar o caminho do Rio Xingu em um trecho conhecido como Volta Grande. Nessa arriscada empreita, haveria dois reservatórios. No primeiro, o rio se transformaria em lago por 60 km. Entre os prováveis inundados, o estudo de impacto ambiental fala em 20 mil pessoas. Para os prejudicados em sua atividade econômica, os números ainda não são conhecidos porque falta um cadastro socioeconômico.

No segundo, batizado de Reservatório dos Canais, residem os grandes riscos da obra. Para transformá-los em imensos canais de derivação seria preciso escavar dois igarapés e o próprio reservatório, antes de as águas chegarem à casa de força principal. No final dessas escavações sobraria, sabe-se lá onde, um totem equivalente de terra sobre um campo de futebol com 32 quilômetros de altura e um de rocha com 10 quilômetros. Além de inundar e prejudicar a vida do rio e o modo de vida das 120 mil pessoas que vivem na sua área de influência direta, Belo Monte também teria de secar parte do rio. Por quê?

Apesar de ser caudaloso onde a vazão máxima em um ano-ciclo (outubro a setembro) úmido (73-74) pode chegar a quase 30.000 m³/s, isto é, 12 piscinas olímpicas por segundo (abril-74), em um ano seco (98-99) essa vazão pode se reduzir em até 60%. Mesmo em um mesmo ano-ciclo as variações são enormes, em média, de 20 para 1, ou seja, menos de 5% de água em períodos secos.

Com um comportamento hidrológico tão instável, a terceira represa do mundo geraria apenas 40% do potencial. Enfim, quanto mais da escassa água passar pelo curso original menos sobrará para gerar energia.

Ante tudo isso, fica claro que estamos diante de dois dilemas.

O dilema de quem vive e depende do rio como meio de vida nos pedrais, nas cachoeiras e nas florestas mais preservadas das terras indígenas. Outro, o dilema do povo brasileiro e os bilhões de reais que vão ser colocados em um arriscado projeto cuja decisão de ir a leilão foi tomada sobre um estudo com inúmeras incertezas e insuficiências de informações. O povo brasileiro vai ser sócio em 49% e credor em até 85% do que não pode ser economicamente viável, a menos que a vida na Volta Grande do Xingu pague a conta.

*ENGENHEIRO, MESTRE PELA UNIV.STANFORD E LÍDER DA ESTRATÉGIA DE INFRAESTRUTURA DA WWF NA AMAZÔNIA

Do outro lado do espelho

18 de abril de 2010 11:14 am

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Indícios de patologias permeiam a vida e a obra do britânico Lewis Carroll, autor de “Alice no País das Maravilhas”

Por MOACYR SCLIAR*

Charles Lutwidge Dodgson (1832-98), mais conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll, faz parte da história da literatura, sobretudo graças ao monumental “Alice no País das Maravilhas”, que podemos considerar a obra precursora do realismo mágico e que inspirou obras similares, peças teatrais, filmes, o mais recente dirigido pelo original Tim Burton [que estreia no Brasil na sexta-feira].
Mas Dodgson também tem sido objeto de vários estudos médicos e psicológicos, baseados tanto em sua peculiar existência como em seu trabalho ficcional. De uma conservadora família anglicana, à qual não faltavam clérigos e militares, o jovem Dodgson, que as fotos mostram como um homem bonito, simpático, dedicou-se inicialmente à matemática, lecionando no famoso Christ Church College, de Oxford, cidade em que, a propósito, a sua memória é muito evocada.
Era um homem culto, gentil, mas não livre de problemas: como outro grande escritor, o seu contemporâneo Machado de Assis, gaguejava, coisa que o mortificava e que rotulava como sua “hesitação”; o pássaro Dodo, que aparece no livro, traduziria a dificuldade que ele tinha em dizer seu sobrenome (”Do-Do-Dodgson”). Começou também a publicar e tornou-se razoavelmente conhecido, já usando o pseudônimo famoso. Em 1856, um novo deão, Henry Liddell, tomou posse no Christ Church. Dodgson tornou-se amigo da família Liddell, sobretudo das três filhas, e sobretudo de Alice -que, segundo ele, não foi o modelo para a personagem do livro; de qualquer modo a história nasceu num passeio de barco com as garotas.
Ilustrado pelo grande sir John Tenniel, o livro se transformaria num sucesso retumbante, com uma continuação -”Through the Looking-Glass and What Alice Found There”, em geral traduzida como “Alice no País do Espelho”.
Mais ou menos na mesma época, Dodgson começou a se dedicar à fotografia, então em seus começos. Ele gostava de fotografar meninas, às vezes em poses sedutoras, e, nuns poucos casos comprovados, nuas. Daí nasceu a suspeita de pedofilia que durante décadas pesou sobre o escritor.
Vladimir Nabokov chegou a compará-lo a seu personagem Humbert Humbert, que, em “Lolita”, se apaixona por uma ninfeta. Havia um agravante: a Inglaterra vitoriana, uma sociedade moralmente muito repressiva, gerou casos de aberrações e até crimes sexuais, Jack, o Estripador, sendo disso um exemplo.

Proibição
No caso de Dodgson, há detalhes agravantes: a partir de 1863, o casal Liddell não mais permitiu que o professor visse as crianças. E, supostamente por causa de uma consciência culpada, ele nunca foi ordenado ministro da Igreja Anglicana, como era de esperar com alguém que lecionava no Christ Church. Nisto contou com a aprovação do deão Liddell, que lhe permitiu continuar lecionando [também publicou livros de matemática, celebrizando-se pela criação de quebra-cabeças lógicos].
Os estudos modernos a respeito da controvérsia são, digamos, mais tolerantes. Dodgson certamente tinha dificuldades com mulheres adultas (no mínimo falta de interesse por elas). Mas daí à pedofilia vai um passo grande. Mesmo a suposta patologia vitoriana é posta em questão; parece que as fotos de crianças eram valorizadas como expressão da inocência infantil. E, nas fotos de Dodgson, as crianças parecem inteiramente à vontade, sem mostrar temor diante de um suposto assédio.
Um outro aspecto interessante, do ponto de vista médico, é a chamada síndrome “Alice no País das Maravilhas”. Reporta-se àquele episódio em que Alice cresce e encolhe, o que se traduz em macropsia e micropsia, a visão dos objetos subitamente aumentados ou diminuídos em tamanho, uma penosa sensação que pode ocorrer em casos de enxaqueca, problema que, como João Cabral de Melo Neto, Dodgson tinha.
Outros autores sugeriram que o escritor talvez sofresse de epilepsia do lobo temporal, que também pode dar esses sintomas. Dessa doença sofria Machado de Assis, e há disso evidências em sua obra.
Por exemplo, a cena alucinatória em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, em que o protagonista, num delírio alucinatório, percorre os séculos transportado por um hipopótamo que, no final, “encolhe” e é apenas um gatinho.
Escritores não precisam ser necessariamente criaturas saudáveis. Mesmo porque conseguem, graças ao talento, transformar em fonte de inspiração as mazelas médicas e psi- cológicas que a eles, como a outras pessoas, perturbam e atrapalham.


*MOACYR SCLIAR é médico e escritor, ganhador do 51º Prêmio Jabuti, nas categorias ficção e romance, por “Manual da Paixão Solitária” (Companhia das Letras). moacyr.scliar@uol.com.br

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17 de abril de 2010 3:54 pm

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Por Interney

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Un cardenal felicitó en 2001 a un obispo por ocultar un caso de pederastia

16 de abril de 2010 4:53 pm

padre_pedofilia

“Estoy encantado de tener un compañero que habría preferido la cárcel antes que denunciar a un sacerdote”, decía en una carta el colombiano Darío Castrillón

El cardenal colombiano Darío Castrillón mandó en 2001, cuando ocupaba el cargo de prefecto de la Sagrada Congregacion del Clero, una carta a un obispo francés en la que le felicitaba por no haber denunciado ante las autoridades civiles a uno de los curas de su diócesis, que supuestamente había abusado sexualmente de menores, ha informado el Vaticano.

La Santa Sede asegura que la forma de actuar de Castrillón ante el presunto caso de pederastia no representa la línea oficial de la Iglesia católica frente al problema.

La Sagrada Congregación del Clero, de la que Castrillón era prefecto cuando envió la misiva hace ahora nueve años, es un organismo vaticano encargado de supervisar los asuntos relacionados con los sacerdotes y diáconos que no pertenecen a una orden religiosa.

“Os felicito por no haber denunciado a un sacerdote a la administración civil. Lo has hecho bien y estoy encantado de tener un compañero en el episcopado que, a los ojos de la historia y de todos los obispos del mundo, habría preferido la cárcel antes que denunciar a su hijo sacerdote”, afirmaba en la carta Castrillón, de 81 años.

Según el Vaticano, lo expuesto en la misiva “demuestra lo necesaria que era la unificación de todos los casos de abusos sexuales bajo la competencia unitaria y rigurosa de la Congregación para la Doctrina de la Fe (el organismo vaticano encargado, entre otras funciones, de la displina interna de los sacerdotes)”.

Ayer, en una misa en el Vaticano, Joseph Ratzinger habló de los retos que afronta el cristianismo ante el escándalo de los abusos sexuales y dijo que es preciso hacer penitencia para purificarse y renovarse. “Los cristianos, en los últimos tiempos, hemos evitado a menudo la palabra penitencia, que nos parecía demasiado dura”, señaló. “Ahora, bajo los ataques del mundo que nos hablan de nuestros pecados, vemos que poder hacer penitencia es una gracia, y vemos que es necesario hacer penitencia, es decir, reconocer lo que hay de equivocado en nuestra vida”, agregó.

Pederastia, homosexualidad y diccionarios obsoletos

Obras de referencia perpetúan un equívoco lingüístico que equipara a los gays con agresores sexuales

Por A. FRAGUAS / C. JAN

Madrid - En plena polémica por los escándalos de pederastia en la Iglesia católica, el pasado día 12 de abril el cardenal Tarcisio Bertone habló de una vinculación entre los abusos sexuales a menores y la homosexualidad (palabras que han desatado la ira de colectivos homosexuales y la protesta formal de algunos países). Esta analogía no es sólo cosa de Bertone. Diccionarios prestigiosos, como el de la Real Academia Española (RAE), aluden a la homosexualidad cuando uno busca la palabra “pederastia”. La RAE habla de sodomía como segundo significado de este término. La página de traducción del diario El Mundo en Internet brinda la palabra “homosexual” como único resultado cuando se busca la equivalencia en inglés del término castellano “pederasta”.

“La verdad es que es un error enorme”, señala una portavoz de la compañía francesa Reverso, que suministra la aplicación de traducción a Elmundo.es. Fuentes de esta compañía aseguran que el hecho de que este traductor ofrezca la palabra “homosexual” como equivalente a “pederasta” se debe a un fallo humano. “Uno de los traductores que colabora con nosotros nos ofreció este significado. Vamos a corregirlo lo antes posible”, señala. El traductor de elmundo.es es el más visitado en castellano, con 1,3 millones de usuarios únicos al mes en España, según datos de la consultora Nielsen. El traductor de EL PAÍS también registraba un error similar que fue corregido hace meses.

La web Wordreference.com, una de las más consultadas del mundo, también equipara en su primera acepción pederasta y homosexual. Wordreference.com utiliza el Pocket Oxford Spanish Dictionary en su edición de 2005 (Oxford University Press).

Otros diccionarios de referencia, como los editados por Santillana, ya han eliminado en su última edición las alusiones a la homosexualidad del término pederastia. Así lo ha indicado una portavoz de esta editorial: “A veces mantenemos acepciones históricas de la RAE que, en casos como éste, tienen que caer porque no se sostienen y ahora son totalmente ofensivas”.

También la Real Academia Galega, a petición del colectivo de lesbianas, gays, bisexuales y transexuales de Galicia (Colega), eliminará en la nueva edición de su diccionario las connotaciones negativas sobre la homosexualidad de la definición de pederastia.

Origen de un equívoco

Para arrojar luz sobre el histórico equívoco entre “pederasta” y “homosexual”, el director del departamento de Filología Clásica de la Universidad Complutense de Madrid, Alberto Bernabé Pajares, remite a la obra de referencia en este campo: Homosexualidad Griega, de Kenneth James Dover (El Cobre ediciones). La palabra pederasta proviene del griego clásico paedí (niño) y erastés (amante), así pues un pederasta sería un “amante del niño”.

En la antigua Grecia no eran exactamente niños, aunque sí menores de edad: varones adolescentes de entre 15 y 18 años que se veían abocados a mantener una relación (no siempre sexual) con un adulto como parte de su periodo de formación educativa, moral y militar. A esa misma edad las chicas adolescentes solían contraer un matrimonio pactado; era, por tanto el periodo de inicio en la sexualidad, explica el profesor Bernabé.

La palabra “homosexual” fue acuñada en el siglo XIX por el escritor austrohúngaro Karl Maria Kertbeny con el significado que para la mayoría de la gente tiene hoy en día: relaciones sexuales entre dos personas del mismo sexo. “Hasta ese momento (bien entrado el siglo XIX) la homosexualidad se llamaba pederastia en alusión a la modalidad pedófila de los griegos como método educativo”, señala en la revista argentina de clínica neuropsiquiátrica Alcmeon el doctor Juan Carlos Romi.

Los diccionarios y traductores que todavía identifican pederastia y homosexualidad se han quedado, pues, anclados en el siglo XIX, porque la palabra pederastia ha perdido hoy en día su significado clásico e indica “abuso sexual cometido con niños”. El Código Penal español considera como abusos sexuales “los que se ejecuten sobre menores de 13 años”. El Gobierno, a petición del Congreso, se ha comprometido a elevar esa edad mínima en línea con las recomendaciones del Consejo de Europa (entre 14 y 16 años).

Pederastia y pedofilia

El cardenal Bertone, en su controvertida declaración antes citada, no empleó la palabra pederastia, sino que utilizó el término pedofilia. La confusión entre ambas voces es habitual. La palabra pedofilia se refiere, según la RAE, a la “atracción erótica o sexual que una persona adulta siente hacia niños o adolescentes”. La pedofilia, por tanto, no implica abuso sexual y no es delito.

La Fundación del Español Urgente, Fundeu, emitió el 29 de marzo una recomendación en la que pide que no se confundan estos términos. “Hemos distinguido entre el que comete [pederasta] y el que tiene la tendencia [pedófilo]“, afirma el director de la Fundeu, Joaquín Müller-Thyssen. “Aquí tenemos muy claro que el término [pederastia] se refiere a niños, sin distinción de la orientación sexual”, añade.

El Vaticano y la pedofilia

Wojtyla y Ratzinger impusieron que los crímenes de pedofilia fueran tratados como pecados o meros “delitos” de Derecho Canónico. Si la Iglesia quiere “limpiarse”, el Papa debe derogar las leyes del secreto

Por PAOLO FLORES D’ARCAIS*

No podemos seguir ocultándonos detrás de un dedo. La cobertura que se les ha facilitado durante décadas a miles de curas pedófilos, en casos no denunciados ante las autoridades judiciales, pone directamente en causa la responsabilidad de Joseph Ratzinger y de Karol Wojtyla. Si se trata de responsabilidad moral o también jurídica no tardarán en decidirlo algunos tribunales americanos. La responsabilidad moral queda en evidencia, en todo caso, por los propios documentos que L’Osservatore Romano (órgano de la Santa Sede) volvió a publicar hace unos días.

Nos referimos a la responsabilidad de los dos pontífices en todos los delitos de pedofilia eclesiástica que no han sido denunciados ante los tribunales estatales. El punto crucial es, efectivamente, éste: el Sumo Pontífice y el Cardenal Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe impusieron una obligación taxativa a todos los obispos, sacerdotes, personal auxiliar, etcétera, para que no llegara a las autoridades civiles nada de lo que tuviera que ver con casos de pedofilia eclesiástica.

La confesión tiene su origen en ellos mismos. L’Osservatore Romano ha vuelto a publicar el motu proprio de Juan Pablo II, que reservaba al “Tribunal Apostólico de la Congregación… los delitos contra la moral”, es decir “los delitos contra el sexto mandamiento del Decálogo cometidos por clérigos con menores de edad inferior a los 18 años”, y la “Instrucción” ejecutiva de la Congregación para la Doctrina de la Fe, con estas inderogables disposiciones: “Cada vez que el ordinario o el superior tuvieran noticia con cierta verosimilitud de un delito reservado, tras haber realizado una indagación preliminar, la señalarán a la Congregación para la Doctrina de la Fe”.

Todas las notitiae criminis, en definitiva, debían afluir a los vértices. Papa y Prefecto informados de todo (es más, siendo los únicos en saberlo todo) son, exclusivamente, quienes tienen la primera y última palabra acerca de los procedimientos que se han de seguir. La “pena” máxima (casi nunca infligida) no va más allá de la reducción al estado laico del sacerdote. Por lo general, el castigo se limita a trasladar al sacerdote de una parroquia a otra. Donde, obviamente, reiterará su delito. “Pena” exclusivamente canónica, en todo caso. No ha de efectuarse denuncia alguna ante las autoridades civiles: “Las causas de esta clase quedan sujetas al secreto pontificio”. ¿En qué consiste éste?

Hallamos la explicación en un documento vaticano de marzo de 1974, una “Instrucción” emanada por el entonces secretario de Estado, el cardenal Jean Villot, siguiendo la voluntad de Pablo VI. “En determinados asuntos de mayor importancia se requiere un particular secreto, que viene a ser llamado secreto pontificio y que ha de ser guardado con obligación grave… Quedan cubiertos por el secreto pontificio…”. Y se enumeran a continuación numerosísimos casos, entre ellos la pedofilia eclesiástica. Más interesante aún resulta la minuciosa lista de personas que “tienen obligación de guardar el secreto pontificio”: “Los cardenales, los obispos, los prelados superiores, los oficiales mayores y menores, los consultores, los expertos y el personal de rango inferior, los legados de la Santa Sede y sus subalternos”, etcétera.

En definitiva, de forma exhaustiva, todo el mundo. La “suciedad” debe quedar en los “sótanos del Vaticano”, inaccesible a la curiosidad excesivamente seglar de policías y jueces. La impunidad penal de los sacerdotes pedófilos queda garantizada. Es más, para alcanzar tal objetivo se exige un juramento de una solemnidad sobrecogedora. Reza la instrucción: “Aquellos que entren en posesión del secreto pontificio deberán prestar juramento con la siguiente fórmula: ‘Yo… en presencia de…, tocando con mi propia mano los sacrosantos evangelios de Dios, prometo guardar fielmente el secreto pontificio… de manera que en modo alguno, bajo ningún pretexto, sea por un bien mayor, sea por motivo urgentísimo y gravísimo, me sea lícito violar el mencionado secreto… Que Dios me ayude y me ayuden estos santos evangelios suyos que toco con mi propia mano”. Fórmula solemne y terrible, que nos exime de todo comentario.

Todas las Instrucciones mencionadas siguen aún en vigor. Frente a documentos ofíciales “expresivos” hasta tal extremo, provoca un notable desconcierto el que nadie exija explicaciones a las cúspides jerárquicas, el Papa y el Prefecto de la Congregación de la Fe, ante tanta evidente responsabilidad. Monseñor Bertone, en la época de la “Instrucción” de Ratzinger, obispo de Vercelli y secretario de la Congregación, en una entrevista de febrero de 2002 a la revista 30Giorni, al periodista que se hacía eco de las obvias preocupaciones de los ciudadanos diciéndole que “podría pensarse sin embargo que todo lo que se le dice fuera de la confesión no se acoge al secreto profesional de un sacerdote…”, le contestaba desabridamente: “Si un fiel no tiene ya ni siquiera la posibilidad de confiarse libremente, fuera de la confesión, con un sacerdote… si un sacerdote no puede hacer lo mismo con su obispo porque tiene miedo de ser denunciado… eso querría decir que ya no existiría la libertad de conciencia”. Libertad de conciencia, nada menos. Esa libertad de conciencia que el mundo moderno, gracias al heroísmo de tantos espíritus heréticos enviados puntualmente a la hoguera, consiguió imponer en contra la Iglesia, es invocada ahora para garantizar la impunidad a miles de curas pedófilos.

¿Qué sentido tiene, por lo tanto, seguir hablando de “zafia propaganda contra el Papa y los católicos” (L’Osservatore Romano), visto que son los propios documentos vaticanos los que desvelan la postura de acorazado rechazo frente a toda hipótesis de denuncia ante las autoridades judiciales seculares? Y téngase en cuenta que el “Motu proprio” y la “Instrucción” de 2001 marcan una fase considerada de mayor severidad de la Santa Madre Iglesia en relación con los sacerdotes pedófilos. No cuesta imaginar lo que ocurría antes.

El cardenal Sodano, decano del Sacro Colegio Cardenalicio, adopta el papel de la víctima: “La comunidad cristiana se siente herida con toda razón cuando se pretende involucrarla en bloque con las vicisitudes, tan graves como dolorosas, de algunos sacerdotes, transformando culpas y responsabilidades individuales en culpas colectivas con una arbitrariedad realmente incomprensible”. No, vuestra eminencia, nadie pretende involucrar en bloque a la comunidad cristiana, la cuestión atañe sólo a la jerarquía de la Iglesia católica. Intentar corresponsabilizar a todos los fieles es “jugar sucio”.

Pero volvamos a la cuestión crucial. Wojtyla y Ratzinger pretendieron e impusieron que los crímenes de pedofilia fueran tratados exclusivamente como pecados, en vez de como delitos, o a lo más como “delitos” de Derecho Canónico. Si el actual Pontífice ha entendido de verdad el alcance de la “suciedad” y la necesidad de combatirla puede demostrarlo de un modo muy sencillo: derogando inmediatamente con un “Motu proprio” las tristemente célebres “Instrucciones” que apelan al “secreto pontificio” y sustituyéndolas con la obligación de denunciar inmediatamente ante las autoridades judiciales cualquier caso. Y abriendo de par en par los archivos a todos los tribunales que lo soliciten, visto que algunos países han decidido plantear para la denuncia de estos crímenes una “moratoria” de un año con el fin de sustraer a la prescripción los casos antiguos.

Y con más razón si se considera que la jerarquía eclesiástica es la misma que pretende transformar en delitos, sancionados por las leyes del Estado, todo lo que considera pecado (aborto, eutanasia, control de la natalidad, etcétera), y que para muchos ciudadanos son únicamente derechos, por más que sean dolorosos.

Post scriptum:

Tras la redacción de este artículo, la oficina de prensa vaticana ha dado a conocer que desde el año 2003 existen nuevos procedimientos operativos, nunca hechos públicos y atribuibles al entonces cardenal Ratzinger, que se resumen en un texto de “líneas maestras” colgado en la página web de la Santa Sede, según el cual “siempre debe seguirse la ley civil en lo que atañe a la denuncia de los delitos ante las autoridades apropiadas”. Estas “líneas maestras” son el texto más extravagante que ha producido nunca la Santa Sede. Texto anónimo y carente de fecha.

Y sobre todo: no se ha presentado nunca denuncia alguna. Si ese documento hubiera estado realmente operativo, la verdadera noticia sería que desde hace siete años todos los obispos del mundo desobedecen al Papa y a su Prefecto para la Congregación de la Defensa de la Fe. Una revelación digna del Premio Pulitzer.

*Paolo Flores d’Arcais es filósofo y editor de la revista Micromega. Traducción de Carlos Gumpert

5 blogs de mídias sociais que não podem faltar no seu reader

15 de abril de 2010 12:39 pm

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Do blogue Mídias Sociais

Abaixo segue uma lista de 5 blogs que estão sempre atualizados com um conteúdo de qualidade. Uma lida diária nesses 5 blogs é suficiente para ficar em dia sobre o que anda acontecendo nas mídias sociais.

1. Social Media Examiner - Social Media Examiner é uma revista on-line gratuita destinada a ajudar as empresas a descobrirem a melhor forma de utilizar as ferramentas de mídia social como o Facebook, Twitter e LinkedIn para encontrar leads, aumentar as vendas e gerar mais consciência de marca.

2. Mashable – Sem dúvida o blog mais conhecido sobre tecnologia e mídias sociais. Fundado em Julho de 2005, Mashable é o maior blog do mundo focado exclusivamente na Web 2.0. Com mais de 15 milhões de pageviews mensais.

3. penn olson – Com foco na aplicação de conhecimentos de mídia social em branding, marketing e negócios o blog sempre traz artigos interessantes e atuais.

4. Mind Jumpers – A Mind Jumpers é uma agência focada em mídia social que mantêm um blog muito interessante com boas dicas e conteúdo de qualidade.

5. Readwriteweb – Esse também é um blog muitos devem conhecer, ele trata de vários assuntos relacionados à web 2.0