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STF rejeita recurso e censura ao Estadão continua em vigor

10 de dezembro de 2009 8:34 pm

Por 6 a 3, ministros rejeitaram tese de que mordaça desrespeita decisão que derrubou a Lei de Imprensa

Mariangela Gallucci e Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

O relator do caso no STF, Cezar Peluso

Dida Sampaio/AE

O relator do caso no STF, Cezar Peluso

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 3, arquivou nesta quinta-feira, 10, a reclamação em que os advogados do Estado pediam o fim da proibição ao jornal de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com isso, fica mantida a censura imposta no fim de julho pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF). A mordaça ao Estado já soma 133 dias.Veja Também

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lista Confira os votos dos ministros

A maioria dos ministros não concordou com a tese defendida pelos advogados do jornal, de que a censura desrespeita a decisão do próprio Supremo que derrubou a Lei de Imprensa e consagrou o pleno direito à liberdade de expressão. Naquela decisão, tomada em abril deste ano, há referência explícita contra a censura imposta pelos Poderes estatais, como o Judiciário.

“Não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive a procedente do Poder Judiciário”, diz o texto publicado no Diário da Justiça. A Lei de Imprensa que vigorou até o julgamento de abril era um documento legal do tempo do regime militar (1964-1985).

Interceptações

Apesar de ter decidido dessa forma neste ano, a maioria dos ministros do STF afirmou nesta quinta-feira que o resultado do julgamento sobre a Lei de Imprensa não poderia ser aplicado ao caso do Estado. De acordo com a ala do Supremo vencedora no julgamento desta quinta, a decisão judicial do TJ-DF de censurar o jornal baseou-se na Constituição e na legislação que trata de interceptações telefônicas. Portanto, não haveria referência à Lei de Imprensa e ao julgamento de abril do STF. Por esse entendimento, não caberia reclamação ao Supremo por suposto desrespeito à decisão da corte.

O voto vencedor do julgamento foi dado pelo vice-presidente do STF e relator do caso, ministro Cezar Peluso, que arquivou sem discussão do mérito a ação apresentada pelo Estado. “A decisão ora impugnada não tangencia sequer aspectos da Lei de Imprensa”, afirmou Cezar Peluso durante o julgamento. Votaram com Peluso os ministros Eros Graus, José Antônio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski.

Além de concordar com a argumentação técnico-jurídica de Peluso, o presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que a honra e a intimidade, citados por Dácio Vieira para impor a censura ao jornal, têm de ser preservadas. “Se é inviolável a honra e a intimidade, é preciso que isso tenha alguma consequência. Esses valores são invioláveis. E o que é inviolável não é para ser violado”, afirmou.

‘Visões autoritárias’

Primeiro ministro a votar pela derrubada da mordaça imposta ao Estado, Carlos Ayres Britto lembrou que ao declarar o fim da Lei de Imprensa, em abril, o tribunal levou em conta dispositivos da Constituição que vedam a censura prévia à mídia, às manifestações e às publicações. A ministra Cármen Lúcia e o decano do STF, Celso de Mello, acompanharam Ayres Britto.

Para Celso de Mello, é profundamente grave e preocupante que ainda remanesçam no aparelho de Estado “visões autoritárias” que buscam justificar a prática da censura a publicações em geral. Ele lembrou que no dia 13 serão rememorados os 41 anos da data em que o marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do regime militar, impôs ao País o Ato Institucional nº 5, o AI-5. “O passado deve ser respeitado pela corte, pelos magistrados e pelos tribunais”, afirmou Celso de Mello. “O poder geral de cautela é o novo nome da censura em nosso país.”

Alternativas

De acordo com ministros do STF, o jornal ainda pode questionar a censura por meio de outros instrumentos que não sejam a reclamação. Um dos ministros da corte afirmou que a solução do caso, seguindo esse caminho, certamente vai demorar.

Eis os liberticidas (os comentários às fotos são meus):

stf-01

Eros Grau e Gilmar Mendes votaram pela manutenção da censura e continuam rindo à toa dos súditos que habitam estes tristes trópicos

Ricardo Lewandowski aderiu ao coral dos liberticidas

Ricardo Lewandowski aderiu ao coral dos liberticidas

Cesar Peluso seguiu pela desculpa esfarrapada da inadequação formal da via processual eleita e desferiu seu golpe à liberdade

Cesar Peluso seguiu pela desculpa esfarrapada da inadequação formal da via processual eleita e desferiu seu golpe à liberdade
Ellen Gracie acompanhou a patota do "Cale-se". Alguém não tinha entendido ainda as razões da recusa, por despreparo intelectual, para assumir as funções de juíza em Corte Internacional?

Ellen Gracie acompanhou a patota do "Cale-se". Alguém não tinha entendido ainda as razões da recusa, por despreparo intelectual, para assumir as funções de juíza em Corte Internacional?

O mascote Toffoli começa a rasgar a Constituição - terá tempo de sobre para rasgar todas as páginas

O mascote Toffoli começa a rasgar a Constituição - terá tempo de sobra para dilacerar todas as páginas

One Response to “STF rejeita recurso e censura ao Estadão continua em vigor”

[...] Justiça impõe censura prévia ao “Estado”em reportagens sobre a Operação Boi [...]

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