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Passaportes

23 de fevereiro de 2015 5:00 pm

Meu passaporte atual e o do meu filho, Pedro, estão prestes a vencer. Sinal de que teremos que enfrentar trâmites burocráticos para a obtenção de um novo documento, o que importa em preenchimento de formulários, obtenção de fotos novas, pagamento de taxas e, provavelmente, enfrentamento de alguma fila nos corredores da repartição pública responsável por sua emissão – creio que ainda seja a Polícia Federal –  essas coisas chatas que nos tomam tempo precioso de nossas vidas.

Diante dessa empreitada enfadonha que se avizinha, fui pegar nossos passaportes atuais em minha caixa de documentos e aí comecei a fuçar as coisas lá de dentro, e entre elas me deparei com meus outros três passaportes já vencidos, e ato contínuo comecei a folhear todos eles.

Cada carimbo estampado no papel me remetia à memória das viagens que fiz e dos bons momentos de cada uma delas, a companhia de minha mãe, de meu pai, de minha irmã, de amigos e amigas, de namoradas, (ex)noiva e (ex)esposa, enfim, das muitas experiências vividas e das histórias que não podem ser transportadas nem em bagagens e muito menos em carimbos lançados por autoridades aduaneiras em cada fronteira cruzada.

Interessante que nesse momento aborrecido de busca de documentos pude me desligar por alguns instantes da rotina diária e, diante de um objeto tão frio e burocrático por excelência, fui transportado para os recônditos da memória e lá me deixei ficar em devaneios líricos e também melancólicos, somente interrompidos quando o telefone tocou, sempre ele a nos trazer de volta à vida, ou será que dela nos extrair?

Abaixo os passaportes e suas fotos, validades, vistos, carimbos; vida!

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De volta ao lar, tentei retomar aquele momento mágico, mas sua intensidade não foi recuperada e nem a descrição acima pôde representar aquele momento; não tenho o dom da escrita de descrição pormenorizada, ainda mais quando se trata de narrativa sentimental, talento esse somente reservado aos grandes poetas.

E por falar neles, nesse instante me veio à memória e fiz questão de ouvir duas canções que tratam de nossos encontros e desencontros e das consequências do ritmo muitas vezes frenético a que nos submetemos em nossas preciosas existências.

Sinal Fechado (Paulinho da Viola)

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo…
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa – é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos…Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é…quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas…
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone – Eu preciso beber alguma coisa
rapidamente…
– Pra semana…
– O sinal…
– Eu procuro você…
– Vai abrir, vai abrir…
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço…
– Por favor, não esqueça, não esqueça…
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!

Amigo é pra essas coisas (Silvio Silva Júnior/Aldir Blanc)

– Salve!
– Como é que vai?
– Amigo, há quanto tempo!
– Um ano ou mais…
– Posso sentar um pouco?
– Faça o favor
– A vida é um dilema
– Nem sempre vale a pena…
– Pô…
– O que é que há?
– Rosa acabou comigo
– Meu Deus, por quê?
– Nem Deus sabe o motivo
– Deus é bom
– Mas não foi bom pra mim
– Todo amor um dia chega ao fim
– Triste
– É sempre assim
– Eu desejava um trago
– Garçom, mais dois
– Não sei quando eu lhe pago
– Se vê depois
– Estou desempregado
– Você está mais velho
– É
– Vida ruim
– Você está bem disposto
– Também sofri
– Mas não se vê no rosto
– Pode ser…
– Você foi mais feliz
– Dei mais sorte com a Beatriz
– Pois é
– Pra frente é que se anda
– Você se lembra dela?
– Não
– Lhe apresentei
– Minha memória é fogo!
– E o l´argent?
– Defendo algum no jogo
– E amanhã?
– Que bom se eu morresse!
– Prá quê, rapaz?
– Talvez Rosa sofresse
– Vá atrás!
– Na morte a gente esquece
– Mas no amor agente fica em paz
– Adeus
– Toma mais um
– Já amolei bastante
– De jeito algum!
– Muito obrigado, amigo
– Não tem de quê
– Por você ter me ouvido
– Amigo é prá essas coisas
– Tá…
– Tome um cabral
– Sua amizade basta
– Pode faltar
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará

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