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Archive for junho, 2009

Lançamento do livro IdeaFixa Greatest Hits em São Paulo

30 de junho de 2009 3:49 am

Na semana passada tive outra semana corrida. Na quarta-feira a noite, depois das aulas na PUC/PR, fui a Florianópolis para um julgamento e na sexta-feira pela manhã viajei a São Paulo também a trabalho, mas aproveitei para dar um pulinho, ao final da tarde, no lançamento do livro IdeaFixa Greatest Hits e dar um abraço em Alicia, de quem estava com muitas saudades depois que ela se mudou para Buenos Aires e que, por isso, não via há tempos.

No sábado pela manhã retornei a Florianópolis e recebi meus amigos para um jantar, tendo retornado no domingo a noite para Curitiba.

O livro está um primor e o trabalho que está sendo desenvolvido tem fôlego e vai longe.

Parabéns Alicia!

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Fotos do lançamento de SP (por Jorge Brivilati) >>

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Will Murai

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João Ruas

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Re, Fabio Girardi, Rômolo e Nã

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Diogo Deveras

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Danilo Rodrigues e Thais Ueda

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Hellvz

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Arthur D´Araujo e Victor Salciotti

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Fernanda Guedes e Janara Lopes

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Alicia Ayala, Henrique Nardi e Rafael Nascimento

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Juliano Domingues e Will Murai

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Daniel Barbosa, sra. Vasconcellos, Roger Basseto, Alicia Ayala e Cássio Vasconcellos

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Alicia Ayala e Pablo Lobo

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Egly, Tony de Marco, Andréa Branco e Carolina

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Colletivo, Deveras e amigos

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Flavio Montiel, Andre Braga, Marcelo Penna, Rodrigo David, Flavia Seidl

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pessoal da Polvora com Alicia Ayala

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Gore Vidal

29 de junho de 2009 6:01 pm

19 de Abril de 1995 – ATENTADO DE OKLAHOMA CITY

In In Memoriam on 19/04/2009 at 7:00 AM

Abaixo o artigo que Gore Vidal escreveu para a Revista Vanity Fair sobre o atentado a um prédio do governo americano que matou 168 pessoas em Oklahoma, em abril de 1995:
Gore Vidal

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Gore Vidal

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The winner is…

3:42 pm
She always win

She always win

Bater as botas, vestir o pijama de madeira, morder a terra, adormecer pra sempre, transformar-se em puro espírito, abotoar o paletó, esticar as canelas, passar desta pra melhor (ou pior), chegar ao termo fatal, atingir o desfecho sem volta, concluir a quitação peremptória, conhecer o término da via terrena, o instante decisivo, ter seus dias contados, virar caro data vermicus, encarar o trespasse, o desenlace, entrar na mansão das Parcas, na uniformidade igualitária de todas as campas, morrer, desencarnar, dormir o sono da noite sem estrelas, subir à mansão dos justos, entregar a Deus seu corpo mortal, fechar os olhos para sempre, ir-se puxando, envolver-se no gélido sudário, encarar o desfecho irremissível, emitir o canto do cisne, capotar, ver (?) a treva sem luz da escuridão absoluta, sentir a derradeira pulsação da vida, receber a sentença sem apelação, cumprir a execução da pena a que estamos todos condenados, pisar na praia do Estige, lembrar (?) o último esquecimento, conhecer a cacotanásia, passar pelo derradeiro transe, prestar contas a Deus, partir para o imenso incognoscível, ouvir soar a hora, despir-se da prisão da carne, descansar em paz, ir-se como passarinhos, largar filhos na orfandade, dar os derradeiros estrebuchos, ter seus dias contados, fazer a comunhão com o reino mineral, virar matéria inorgânica, transformar-se no produto para o qual desde o princípio fora destinado, integrar a defunção, dar o último suspiro, atingir o supremo trespasse, ser arrastado compulsoriamente à merencória Cerimônia da única vencedora perpétua em nossa efêmera existência, conhecer o fenecimento eterno, o arquejo final, a exalação do último alento, o descer às profundas da Terra ou o ascender às regiões etéreas, emitir o canto do cisne, despedir-se da alma, desencarnar, dar o último arranco, tomar o passaporte para o além, desistir, entrar no último repouso, despedir-se da vida, adormecer para sempre, engolir o viático, terminar os seus fados, receber os últimos sacramentos, ser amortalhado, partir para a última morada, encontrar-se nas garras da sinistra, na crise do derradeiro transe, no estertor da vítrea palidez, nas vascas da agonia, dormir o sono sem horas, virar só memória ou só esquecimento, ter os últimos lampejos, sentir que a terra lhe ficou leve, alcançar o fim da vida terrena, chegar ao instante decisivo, encarar o desfecho fatal, partir para a última jornada, ir para o eterno descanso, comparecer diante do Tribunal de Deus, ser transformado em preciosos despojos, falecer, finar-se, bater com as dez, ir pra fita, dobrar o Cabo da Boa Esperança.

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Pecados Capitais

2:29 pm

Lost in Translation

4:43 am

Filme

The Complete New Yorker

2:45 am

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Disponível no mercado está uma caixa contendo oito DVD-ROMs de uma das principais revistas do século XX, que vem acompanha de um livro; finalmente algo que se possa levar, sem remorso de se ter abandonado outras coisas, para uma ilha deserta, desde que acompanhado de um computador. Compras em http://www.newyorker.com

New Yorker , a arte de editar bem
No dia 17 de fevereiro de 1925, uma terça-feira, os habitantes daquela que viria a ser a Capital do Século 20 praticamente não notaram a chegada aos quiosques de uma nova publicação. O primeiro número de uma revista que pretendia refletir o novo sentimento de cosmopolitismo e modernidade (“esta revista não será editada para a velha senhora de Dubuque”, dizia seu prospecto de lançamento) flopou. Três meses depois, no dia 8 de maio, diante da dificuldade da revista em decolar, os dois sócios proprietários resolveram fechá-la antes do verão americano começar. No dia seguinte, empolgados pelo champagne que bebiam no casamento de um amigo comum, os dois concordaram que a revista não poderia morrer. Naquele tempo, aconteciam coisas importantes nos casamentos.

Hoje, a revista The New Yorker é um caso raríssimo de publicação que conserva quase intacta as suas fórmulas editoriais originais, estabelecidas pelo fundador e editor Harold Wallace Ross. A cidade de Nova York mudou muito, a mídia mudou muito, as pessoas mudaram muito e até a New Yorker mudou muito ao longo do século passado, mas o eterno encantamento sofisticado e um tanto blasé da revista parece advir de certo elixir da eterna juventude que tem como essência aquelas idéias editoriais do topetudo Ross. A preservação cuidadosa de certos detalhes por mais de quatro mil edições semanais é, na aparente gratuidade e na espantosa permanência, reveladora de uma força editorial interior poucas vezes vista na indústria da comunicação impressa.

Desde que o artista Rea Irvin criou a figura do dândi de monóculo observando uma borboleta para a primeira capa da revista (o dândi da ilustração ganharia “vida” própria ao longo das décadas, passando a ser um personagem conhecido na revista como Eustaque Tilley), as capas da New Yorker não têm chamadas, apenas ilustrações; e, mesmo com toda evolução tecnológica dos sistemas de impressão de revistas, suas capas até hoje preservam uma tarja de alto a baixo, na lateral esquerda, como uma espécie de defesa para eventuais imprecisões na mancha de impressão ou na encadernação.

Mas não foram apenas os detalhes que fizeram da New Yorker uma longeva fórmula editorial: seus textos jornalísticos – ela também publica prosa de ficção e poesia – atingiram tal substância que muitos deles sobreviveram aos fatos relatados e estão bem vivos décadas após a aparição original nas páginas da revista. The New Yorker tem mais autores e textos escolhidos para a série dos cem mais importantes trabalhos jornalísticos do século 20, escolhidos pela Universidade de Nova York, do que qualquer outro veículo. Ela é uma das responsáveis pela consolidação do “jornalismo literário” ou da “literatura de não-ficção”, como o gênero é chamado nos EUA.

Colecionar cartoons da New Yorker tornou-se uma coqueluche de leitores intelectualizados (o humor era fundamental nas idéias editoriais de Harold Ross; em seu livro The Years With Ross, James Thurber conta que, durante o período sisudo do Macartismo, Ross incitava seus colaboradores a continuarem escrevendo peças de humor para a revista). A idéia – concebida em 1924! – que o despertar de uma metrópole como Nova York abria espaço para uma publicação semanal com roteiros de teatro, cinema, musicais, concertos, exposições, eventos esportivos etc., foi, ao longo dos anos, ficando cada vez mais certa. The New Yorker ajudou ainda a fixar pelo menos duas outras formas bastante difíceis de fazer (que dirá fazer bem feito!) jornalismo, o “perfil” – reza a lenda que o próprio termo teria sido fixado por uma seção da revista, Profiles – e o “essay”, que é um misto da nossa crônica bem brasileira com uma colher de sopa de reportagem e uma colher de chá de reflexão filosófica (qualquer que seja a definição deste último gênero, E.B.White – o rei do estilo e um dos pilares da New Yorker – era um craque nele.).

Pois bem, todas as vírgulas escritas por Truman Capote, Dorothy Parker, Edmund Wilson, John Cheever, Joseph Mitchell, John Hersey, J.D.Salinger, Lillian Ross, Mary McCarthy, John Updike, Hannah Arendt, Woody Allen e outros autores não menos clássicos, desde o primeiro número, todos os cartoons sobre cães, gatos e golfe, todas as seções The Talk of the Town, todas as correspondências de Washington escritas por um dos grandes jornalistas políticos de todos os tempos, Richard Rovere, todas as críticas de cinema escritas por Pauline Kael, todas as fotos de Richard Avedon (publicadas depois que Tina Brown passou a ser a editora), todos os textos sobre o boxe escritos pelo fofo Joe Liebling, cada capa ilustrada por Saul Steinberg, enfim, as cerca de meio milhão de páginas de puro refinamento editorial que saíram em 4.109 edições encontram-se, na diagramação original, em uma caixa contendo oito DVD-ROMs da revista das revistas. A caixa pode ser comprada pela internet no site da própria revista e custa US$ 100,00, sem as despesas de remessa para o Brasil. É o tipo da coisa ideal para se levar para uma ilha deserta (desde que o computador possa ir junto).

O que não é visível nesta floresta encantada digital de milhares e milhares de páginas é justamente a arte da edição – talvez a maior contribuição da New Yorker para a história do jornalismo – que, do backstage, do fosso escondido da orquestra, regia esse oceano de palavras e traços que fizeram da revista o sonho papável de todo jornalista com pretensão literária e de todo escritor com veleidades jornalísticas que viveram nos últimos 80 anos. Harold Ross era o homem de uma fórmula editorial só, mas que fórmula! Ele não ambicionava tornar-se, como a maior parte de seus colegas que tiveram sucesso na esfera do publishing, um magnata de conglomerado de mídia ou ser um homem de imprensa com o poder de influenciar governos. Seu reino limitava-se ao quarteirão da Rua 43 entre a redação da revista e, logo ali em frente, o hotel Algonquim (onde se iniciou, na famosa Mesa Redonda, no ritmo dissoluto da era do jazz nova-iorquino e onde viveu em seus últimos dias). Sua determinação era simplesmente levar a arte de editar à perfeição.

Não deixa de ser curioso que as duas revistas que fizeram o século 20, The New Yorker e Time, nasceram, na mesma época, no mesmo edifício do número 25, na Rua 45, no lado Oeste. Alguns anos depois, Henry Luce, o fundador da Time, e Ross duelaram em público por meio das páginas de suas publicações. Em 1934, a Fortune, de Luce, publicou uma reportagem de 18 páginas sobre a New Yorker que incomodou muito Ross. Ela não estava assinada, mas foi escrita por Ralph Ingersoll, que fôra uma espécie de secretário de redação de Ross. Este respondeu com um perfil de Luce, feito por Wolcott Gibbs, publicado na New Yorker, em 1936. Luce tentou impedir a publicação de seu perfil alegando a Ross que ele era inteiramente malicioso. “Você pôs o dedo na ferida – respondeu Ross. Eu acredito na malícia”.

Curioso também é que o homem que encontrou a maneira de traduzir em forma de revista o cosmopolitismo e o sentimento de sofisticação afetada da capital do século 20 não passava de um caipira, um filho de mineiro nada requintado, nascido em Aspen, Colorado; o talk of the town dizia que Ross era conhecido por ter perguntado se Moby Dick era a baleia ou o homem e por nunca ter lido um livro (há evidências, contudo, que ele lia alguma coisa: Brendan Gill, que trabalhou na The New Yorker por cerca de 60 anos, dizia que ele leu um livro de sociologia escrito por Herbert Spencer; Thurber conta que ele discutia as séries de mistério, melodrama e coragem que saiam na revista True Detective com a mãe dele, Thurber).

Harold Ross, contudo, era um leitor e comentador rigoroso de manuscritos e textos publicados em sua revista. Desses comentários e sugestões não escapavam nem os mais respeitados de seus colaboradores.

David Remnick, o atual editor da New Yorker costuma dizer que as cartas e os memorandos de Ross foram a sua principal escola de jornalismo. Stanley Walker, o editor do The New York Herald Tribune e um dos mais influentes jornalistas da cidade nas primeiras décadas do século passado, escreveu em seu valioso livro City Editor, de 1934: “Este semanário (The New Yorker) é produto do gênio peculiar de Harold Ross, um repórter veterano que, antes de se interessar por revistas, trabalhou em jornais em várias partes do país.

Ele dá a impressão ilusória de ser um desmiolado. Na verdade, ele é um sagaz mercador de notícias. Ele publica a seção Profiles, que às vezes é um modelo da arte de fazer biografias. (…) Sobretudo, a New Yorker é admiravelmente conscienciosa na checagem dos fatos e em pegar detalhes relevantes”.

Harold Ross era fanático pela precisão factual – e o sistema de checagem da sua revista ficou famoso como um dos mais eficazes da história da imprensa. Como tudo vira mito na New Yorker, até a revisora da revista por 54 anos Eleanor Gould Packard tornou-se uma pequena celebridade do mundo lítero-jornalístico nova-iorquino, sendo considerada a autoridade em lógica, sintaxe, gramática, fluência, pontuação, vocabulário e outras questões ligadas à escrita.

Richard Rovere, que admirava a paixão de Ross pelo jornalismo acurado e pela precisão das expressões, dizia que adorava passar horas no escritório de Ross enquanto ele editava os artigos dele (Rovere). Certa vez, lembra o correspondente em Washington da New Yorker, Ross implicou com uma frase que mencionava o “horário” de um elevador. “Eu sou especialista em elevadores. Você ainda não havia nascido quando eu comecei a estudá-los, e, por Deus, eu nunca ouvi falar em ‘horário’ de um elevador. Isso soa verdadeiramente ridículo”, disse Ross a Rovere.

Ross teve a habilidade para escolher William Shawn como o seu sucessor. Discretíssimo (Brendan Gill afirmava que ele era um dos mais misteriosos homens da cidade), deu continuidade à arte de editar e permitiu que a New Yorker amadurecesse, sem perder o wit e o humor. Shawn passou a ser o editor que todo jornalista/escritor gostaria de ter.

Ele era politicamente mais liberal do que Ross e deu consciência social à revista. Sob seu comando, a New Yorker publicou algumas de suas peças mais famosas como a reportagem sobre os efeitos da bomba atômica em Hiroshima, feito por John Hersey, ou o relato de A Sangue Frio, de Truman Capote (tem gente que afirma que, por sinal, Shawn teria se arrependido de ter publicado o texto de Capote). Na década de 60, The New Yorker era a mais bem sucedida revista dos EUA, chegando a vender cerca de seis mil páginas de publicidade em alguns anos.

Não se pode, contudo, dizer que Shawn foi apenas venerado pelos adeptos do jornalismo literário. Tom Wolfe, em dois artigos para a revista dominical do Herald Tribune, de Nova York, em 65, esculhambou a publicação criada por Harold Ross e, deixando lívido os colaboradores da New Yorker, chamou Shawn de “mumificador”. Wolfe também insinuava haver excesso de intimidade entre Bill Shawn e Lillian Ross (na redação da New Yorker, todos procuravam evitar demonstrar que sabiam do caso entre o editor e a sua repórter; três décadas depois, a própria Lillian Ross se encarregaria de escrever um depoimento sobre o triângulo amoroso – uma vez que Shawn nunca deixou a sua mulher, Cecille).

Quando, em 1985, um dos imperadores da mídia americana, S.I. Newhouse, comprou o controle acionário da revista por US$ 170 milhões, houve um medo real de que as idéias editorias de Ross pudessem se perder. Um bizarro abaixo-assinado passado entre editores e colaboradores foi enviado ao novo editor Robert Gottlieb, pedindo patética e inutilmente, para ele não assumir o cargo de Bill Shawn. Mas Gottlieb mal esquentou a sua cadeira. Newhouse colocou em seu lugar a britânica inteligente e carreirista Tina Brown, que havia revivido a Vanity Fair. Iconoclasta e herege frente aos olhos dos tradicionalista, Brown também trouxe uma nova energia para a New Yorker. Além de introduzir fotos, textos mais curtos e a cobertura sobre temas mais mundanos, ela deixou a revista mais quente. Entre as suas grandes conquistas, uma tinha significado especial: conseguiu trazer Lillian Ross de volta à revista (Ross rompera com a New Yorker desde a demissão de Bill Shawn). Mas a publicação, que havia começado a perder prestígio e dinheiro na década de 70, ainda não havia se recuperado economicamente.

Em 1999, assume um editor da nova geração, David Remnick, que havia feito um grande trabalho como correspondente na União Soviética e escrito um ótimo livro sobre Mohammad Ali. Mais do que Tina Brown, ele tinha consciência do peso da grande tradição que teria de carregar. Diferentemente de Ross e Shawn, ele costuma escrever constantemente para a revista que edita; mas, mesmo quebrando esse silêncio que os antepassados cultivavam, ele quer reencontrar o elo com a fórmula editorial que fez a reputação da dupla inicial de editores da New Yorker. Há uma clara reverência ao passado da publicação nas várias antologias de melhores peças de jornalismo, ficção e humor da revista que Remnick vem editando. E o lançamento desta caixa com os oito DVD-ROMs contendo todas as páginas da revista, deste baú digital de relíquias impressas, é a homenagem suprema que Remnick faz àqueles que foram os mestres da arte de editar. Harold Ross costumava dizer que uma revista é 80% sorte. Os outros 20%, ele fez como ninguém.

Por Matinas Suzuki Jr.

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Bíblia: um livro para maiores

2:04 am

SODOMA E GOMORRA

Para quem gosta de histórias de horror, a Bíblia é um prato cheio. Escondido no meio de milhares de versículos, pode-se encontrar cenas tenebrosas.

Em Gênesis, por exemplo, encontra-se um episódio, no mínimo, bizarro. Abraão foi o patriarca dos Hebreus. Com seu pai, sua mulher e seu sobrinho Lot, Abraão saiu da cidade de Ur, no baixo Eufrates. Encaminharam-se para Harrã, nas cabeceiras do mesmo rio, uma cidade santa dedicada ao culto de Sin, o deus-lua, o mais importante do panteão sumeriano. Depois, Lot se separou de Abraão e foi morar em Sodoma, a cidade do pecado.

Conta a Bíblia que, certa vez, Lot hospedou dois anjos em sua casa. À noite, alguns homens de Somorra bateram à porta de Lot e disseram-lhe que sabiam que ele tinha dois hóspedes e que eles, os homens de Sodoma, queriam ter relações sexuais com os visitantes. Quem duvidar que confira em Gênesis 19, ao final deste post.

Lot ficou apavorado. Para os acalmar, disse que tinha duas filhas virgens e que as daria para eles, a fim de poupar seus hóspedes. Poderiam fazer o que quisessem com suas filhas.

Os homens de Sodoma não aceitaram a proposta e invadiram a casa. Então, os anjos cegaram os homens e mandaram Lot fugir de Sodoma, que seria destruída por Deus.

Os horrores continuam. Depois que fugiram de Sodoma, as filhas de Lot disfarçaram-se de prostitutas, embebedaram o pai com vinho e tiveram relações sexuais com ele, a fim de “preservar sua raça”. Das relações incestuosas nasceram Moab e Amon, patriarcas dos moabitas e dos amonitas, tribos árabes vizinhas de Israel.

Antes desse espetáculo grotesco, há outra cena curiosa. O Deus bíblico de então, que ainda não tinha revelado seu nome aos hebreus (Javé), disse a Abraão que iria destruir Sodoma. Assustado com a ameaça divina, Abraão pergunta a Deus o que faria se houvesse em Sodoma cinquenta homens de bem. Deus disse que não destruiria a cidade, em respeito aos cinquenta homens de bem. Abraão anima-se e começa a pechinchar com Deus. Pergunta o que Deus faria se houvesse apenas quarenta e cinco homens de bem. Deus atende à pechincha e diz que pouparia a cidade. Depois Abraão baixa para quarenta, e Deus concorda. No fim, Deus concorda em não destruir a cidade se encontrasse apenas dez homens de bem.

O que é assustador nessa conversa é a noção antropomórfica do Deus do Antigo Testamento. O Deus dos primeiros capítulos da Bíblia, embora seja todo-poderoso, criador dos céus e da terra, é uma figura humana, com pernas e braços, cabeça, e, certamente, uma respeitável barba. Possivelmente tem uma esposa e até uma residência que, de acordo com o velho testamento, é o Templo de Salomão, que, aliás, foi destruído por Tito Flávio Vesásiano há quase dois milênios.

Em outro local, depois que Adão e Eva cometeram o pecado original, sentem vergonha de Deus. Quando pressentem que Deus se aproxima, escondem-se dele atrás de um arbusto. Diz o texto sagrado que Deus estava aproveitando “a fresca da manhã”.

Este é o livro mais vendido no mundo, e o mais respeitado. Consta que foi escrito sob inspiração divina, como se o próprio Deus o tivesse escrito. Ele é tão respeitado que, em alguns tribunais, as pessoas fazem juramento com as mãos sobre a Bíblia. A explicação é simples. Embora a Bíblia seja livro mais vendido de todos os tempos, é também o menos lido.

Gênesis 19

1 – E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e, vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra.

2 – E disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não! Antes, na rua passaremos a noite.

3 – E porfiou com eles muito, e vieram com ele e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete e cozeu bolos sem levedura, e comeram.

4 – E, antes que se deitassem, cercaram a casa os varões daquela cidade, os varões de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.

5 – E chamaram Ló e disseram-lhe: Onde estão os varões que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.
(comentário: Os dois anjos que visitam Ló lavam os pés e comem. Eles são sexualmente irresistíveis aos sodomitas).

6 – Então, saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,

7 – e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal.

8 – Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram varão; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for nos vossos olhos; somente nada façais a estes varões, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.
(comentário: Ló se recusa deixar dois anjos a mercê de um bando de pervertidos, e em vez disso, ele oferece as duas filhas virgens. Ele diz para o grupo de estupradores: “fareis delas como bom for nos vossos olhos.” Este é o mesmo homem que é chamado de “justo” em [II Pe 2:7-8]).

9 – Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro, este indivíduo veio aqui habitar e quereria ser juiz em tudo? Agora, te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o varão, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.

10 – Aqueles varões, porém, estenderam a sua mão, e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta;

11 – e feriram de cegueira os varões que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta.

12 – Então, disseram aqueles varões a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar;

13 – pois nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado diante da face do SENHOR, e o SENHOR nos enviou a destruí-lo.

14 – Então, saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos; saí deste lugar, porque o SENHOR há de destruir a cidade. Foi tido, porém, por zombador aos olhos de seus genros.
(comentário: Ló mentiu sobre a virgindade de suas filhas em [19:8]. Mas era uma mentira “justa e íntegra”, com pretensão de fazê-las mais atraente aos olhos dos estupradores).

15 – E, ao amanhecer, os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade.

16 – Ele, porém, demorava-se, e aqueles varões lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher, e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade.

17 – E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.

18 – E Ló disse-lhe: Assim, não, Senhor!

19 – Eis que, agora, o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida; mas não posso escapar no monte, pois que tenho medo que me apanhe este mal, e eu morra.

20 – Eis, agora, aquela cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena; ora, para ali me escaparei (não é pequena?), para que minha alma viva.

21 – E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te aceitado também neste negócio, para não derribar esta cidade de que falaste.

22 – Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, enquanto não tiveres ali chegado. Por isso, se chamou o nome da cidade Zoar.

23 – Saiu o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.

24 – Então, o SENHOR fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra.

25 – E derribou aquelas cidades, e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.

26 – E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.
A mulher de Ló (sem nome) olha para trás, e Deus a transforma numa estátua de sal.

27 – E Abraão levantou-se aquela mesma manhã de madrugada e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do SENHOR.

28 – E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, e eis que a fumaça da terra subia, como a fumaça duma fornalha.

29 – E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da destruição, derribando aquelas cidades em que Ló habitara.

30 – E subiu Ló de Zoar e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele, porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas.

31 – Então, a primogênita disse à menor: Nosso pai é já velho, e não há varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra.

32 – Vem, demos a beber vinho a nosso pai e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos semente de nosso pai.

33 – E deram a beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

34 – E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe a beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos semente de nosso pai.

35 – E deram a beber vinho a seu pai, também naquela noite; e levantou-se a menor e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

36 – E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai.

37 – E teve a primogênita um filho e chamou o seu nome Moabe; este é o pai dos moabitas, até ao dia de hoje.

38 – E a menor também teve um filho e chamou o seu nome Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom, até o dia de hoje.

(comentário: Ló e suas filhas acampam durante algum tempo em uma caverna. As filhas pegam seu “justo e íntegro” pai bêbado, e tem relações sexuais com ele, e cada uma concebe um filho).

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Em casa com amigos – Florianópolis, 27 de junho de 2009

12:39 am
Com Juliana

Com Juliana

Simone

Simone

Orides

Orides

Manoel

Manoel

Flavia, Carolina e Juliana

Flavia, Carolina e Juliana

Carolina e Juliana

Carolina e Juliana

Ida

Ida

Matilde

Matilde

Manoel e Aires

Manoel e Aires

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Um espectro assombra a burguesia

12:22 am
"Tudo o que é sólido se desmancha no ar" (Karl Marx)

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar" (Karl Marx)

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

E o Diabo, levantando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: — Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: — Vai-te, Satanás, porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás.

Lucas, Cap. V, versículos 5-8

Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.

De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele comia…

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

– Garrafa, prato, facão –

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário,

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário.

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele não cresceu em vão

Pois além do que sabia

– Exercer a profissão –

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu

Que a todos admirava:

O que o operário dizia

Outro operário escutava.

E foi assim que o operário

Do edifício em construção

Que sempre dizia sim

Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas

A que não dava atenção:

Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uísque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução.

Como era de se esperar

As bocas da delação

Começaram a dizer coisas

Aos ouvidos do patrão.

Mas o patrão não queria

Nenhuma preocupação.

– “Convençam-no” do contrário –

Disse ele sobre o operário

E ao dizer sorria.

Dia seguinte, o operário

Ao sair da construção

Viu-se súbito cercado

Dos homens da delação

E sofreu, por destinado

Sua primeira agressão.

Teve seu rosto cuspido

Teve seu braço quebrado

Mas quando foi perguntado

O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário

Sua primeira agressão

Muitas outras se seguiram

Muitas outras se seguirão.

Porém, por imprescindível

Ao edifício em construção

Seu trabalho prosseguia

E todo o seu sofrimento

Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.

Sentindo que a violência

Não dobraria o operário

Um dia tentou o patrão

Dobrá-lo de modo vário.

De sorte que o foi levado

Ao alto da construção

E num momento de tempo

Mostrou-lhe toda a região

E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:

– Dar-te-ei todo esse poder

E a sua satisfação

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem bem quiser.

Dou-te tempo de lazer

Dou-te tempo de mulher.

Portanto, tudo o que vês

Será teu se me adorares

E, ainda mais, se abandonares

O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário

Que olhava e que refletia

Mas o que via o operário

O patrão nunca veria.

O operário via as casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão

Não vês o que te dou eu?

– Mentira! – disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se

Dentro do seu coração

Um silêncio de martírios

Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado

Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas

E gritos de maldição

Um silêncio de fraturas

A se arrastarem no chão.

E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão.

Uma esperança sincera

Cresceu no seu coração

E dentro da tarde mansa

Agigantou-se a razão

De um homem pobre e esquecido

Razão porém que fizera

Em operário construído

O operário em construção.

Vinicius de Moraes

Pecados Capitais

27 de junho de 2009 9:32 am

Hoje em São Paulo

26 de junho de 2009 3:34 pm

Lançamento do livro IdeaFixa Greatest Hits será hoje em São paulo, evento em que estarei presente, viu Alicia? Já que não pude ir ao lançamento em Curitiba, cujas fotos do evento lá acontecido vão abaixo.

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Hoje a partir das 18h30 acontece o tão esperado lançamento do livro da IdeaFixa na POP na rua Virginio de Carvalho Pinto, 297 Pinheiros.

Os artistas participantes do livro estarão com o sticker da IdeaFixa no peito para você saber quem são e pedir o seu autógrafo.

Enquanto isso, vejam as fotos do lançamento do livro em Curitiba na editora Arte&Letra que foi emocionante 😀

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Liber Paz

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Guilherme Caldas

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Jorge Galvão fazendo live painting

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Povo lindo lotou a noite toda nos três ambientes do café e da livraria. Esperamos muito calor humano na POP.

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O anúncio do lançamento que saiu na última Deluxe.

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Janete Andermann, Alicia Ayala, Janara Lopes, Caderno de Viagens de Curitiba, Daniel (Caderno Listrado), Guilherme Caldas e  Daniel Mazer.

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Mãos da Janara Lopes.

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Francisco Gusso, Alicia Ayala e Glauber Shimabukuro.

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Rafael Silveira

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Mariana e Bruna Bill.

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Beto Janz, Tiago Puppi, Jefferson Carollo e Fernanda.

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Guilherme Biglia

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Naty Fogaça e Carolina Balvedi.

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Juliana Deslandes e Liber Paz.

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Carlos Ayala

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Livro 🙂

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Renato Faccini

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Alicia Ayala

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Depois disso irei ao Happy Hour, peça com Juca de Oliveira.

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Depois de tudo isso, como ninguém é de ferro, vou jantar em um dos restaurantes que mais aprecio em São Paulo, o Ruella Bistrot.

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Nascer do sol em Curitiba

1:25 pm

No solstício de inverno o sol aparece mais ao norte, na altura do Pico Paraná e bem a esquerda do Pico do Anhangava.

inverno

No solstício de verão o sol desponta mais ao sul, entre os Picos do Anhangava e do Complexo Marumbi.

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12:47 am

Leitura para o final de semana

25 de junho de 2009 11:37 pm

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Publicado pela editora Record em 2001, ótima biografia de Paulo Leminski, cujo autor da obra intitulada “Paulo Leminski: O Bandido que sabia Latim” é Toninho Vaz.

Veja-se, por exemplo, esta citação do romance de Leminski “Agora é que são elas”, em que se vê a versatilidade de sua prosa (p. 250):

“Com aquela cara de homem fingindo estar interessado no papo de uma mulher apenas porque está com vontade de comê-la, com aquela cara de mulher costurando e bordando pensamentos apenas porque está a fim de ser comida por ele, cheguei, caprichei, relaxei, lembrei tudo o que tinha aprendido em Kant e Hegel, repassei toda a teoria dos quanta, a morfologia dos contos de magia de Propp, o vôo 14-bis, cheguei e não perdoei: – Tem fogo?”

A obra, portanto, vai recomendada com todos os aplausos, valendo destacar um de seus depoimentos, que é de Jaime Lechinski, atual assessor de comunicação do governador Jaime Lerner (p. 336/337):

“O Paulo e a Alice agendaram um dia cheio em Londrina: lançamentos de livros dele e dela, entrevistas, palestras. Era 1988, se não me engano. Saímos de Curitiba na noite anterior, de ônibus. Ele embarcou com uma garrafa de vodca a tiracolo, que chegaria completamente vazia ao destino, lá por seis da manhã.

Vodca quente, que ele tomou diretamente do gargalo, da primeira à última gota, já que Leila, Alice e eu recusamos um gole sequer e não se viu entre os demais passageiros qualquer intenção de participar da beberagem.

Viagens sempre exaustivas estas de longo percurso em ônibus convencional, por melhor que possa ser a companhia. Daí que imaginávamos pelo menos um pequeno descanso na chegada, mas Leminski, sempre falante e animado, insistiu para continuar a conversa no apartamento que os anfitriões haviam reservado para ele no Hotel Bourbon. Ali, em poucos minutos, derrotou sistematicamente tudo que havia de interessante no frigobar, primeiro as garrafinhas de uísque, depois as de vodca, as de vinho e, finalmente, as latinhas de cerveja.

Ainda no hotel, e antes que desse 9 horas, quanto estava agendado o primeiro compromisso, apareceram alguns dos anfitriões e, com eles, os baseados e as carreirinhas que o polaco consumiu com voracidade e uma naturalidade que impressionavam até os mais íntimos, como nós.
Enfim, a tal palestra. Ele, sem dar qualquer demonstração de cansaço ou de que pudesse ter a mente turvada depois de tamanha extravagância, falou por mais de uma hora, eloqüente como sempre, marcando pela exatidão das palavras e pela exuberância de gestos.

Encerrada a fala, vieram as perguntas e, quase no final do debate, uma senhorinha – algo perua, algo tímida – faz a sua indagação, visivelmente ensaiada: – É verdade que o senhor escreveu a maior parte de sua obra sob o efeito de álcool e de drogas pesadas?

Tensão na platéia, especialmente entre os anfitriões. Mas o polaco, impassível, fulminou a senhorinha com aquele seu olhar penetrante:
– Jamais! Eu não bebo. Quando muito aceito uma taça de vinho na noite de Natal.”

Michael Jackson

11:07 pm

Há alguém no mundo, que já nascido na década de 1980, não teve em casa este LP?

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The Simpsons go to Paris

3:25 am

Hoje em Curitiba

24 de junho de 2009 4:22 pm

Livro IdeaFixa em Curitiba

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Pecados Capitais

3:43 pm

Teocracias passadas

23 de junho de 2009 3:11 pm

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Irã

2:42 pm

Quando níveis de prosperidade econômica e educacionais que vêm à reboque  da riqueza se disseminam em proporção significativa na população de um país fica muito difícil manter um poder forte, policial e controlador dos indivíduos, como é o caso do Estado Teocrático do Irã, atualmente em transição para um regime ditatorial de controle militar, cuja manutenção do poder pela força persistirá provavelmente por mais algum tempo, após o que dificilmente será possível impedir a vitória da liberdade. A liberdade só não triunfa em locais em que a população é mantida na ignorância e sem acesso às riquezas culturais e materiais, como por exemplo na Arábia Saudita e na Coréia do Norte; fora disso, creio eu, não há controle forte possível, de forma generalizada, sobre as vidas das pessoas.

Difícil é ouvir de nosso Presidente Lula, com a imprudência que não deveria pautar as declarações de Chefes de Estado, que não houve fraudes nas eleições do Irã, para em seguida, alguns dias depois, surgir a notícia de que o Conselho de Guardiães daquele País já reconheceu fraudes em mais de três milhões de votos em algumas cidades.

Mais vídeos aqui.

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Uma revolução que começa pelas mulheres, tal qual a grande revolução do século XX: a sexual.

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