Pr[oximo a Plaza Mayor está o Restaurante Botin, considerado pelo Guiness Book como o mais antigo do mundo. Não deixe de pedir ali um leitão assado (cochinillo asado) delisioso.
Ainda nas proximidades da Plaza Mayor está a agradável Bodega El Madroño
Depois de uma visita ao Museu do Prado, vale uma boa caminhada pelo Paseo del Prado
Nas cantinas da Universidad de Zaragoza se pode beber chope, cerveja, vinho e demais bebidas. Uma boa coisa a se permitir em nossas universidades brasileiras, sinal de maturidade.
Nas fotos as chopeiras da cantina da Faculdade de Direito:
Hoje estou na bela cidade de San Sebastián (em euskera, a língua do País Basco, denominada Donostia), que é a capital da Província de Guipúscoa, no País Basco Espanhol. Aqui vim para uma reunião com os juízes responsáveis pela documentação do Consejo General del Poder Judicial espanhol, que tem sua sede em San Sebastián, a fim de tratar do projeto Iberius - Red Iberoamericana de Información y Documentación Judicial, que busca uma integração dos sistemas de informação (doutrinário, jurisprudencial e legal) da Espanha e de vários países latino-americanos, dentre eles o Brasil.
Sede de documentação do Consejo General del Poder Judicial espanhol
Estômago é um trabalho maduro, engraçadíssimo, com duas interpretações magistrais de João Miguel (troféu Redentor de melhor ator) e Babu Santana (prêmio especial do júri). Talvez seja a melhor comédia nacional em muitos anos. Com sutileza, direção de arte caprichada, fotografia expressionista, interpretações cativantes, é uma comédia brasileira em que a maior parte de suas cenas foram gravadas na cidade de Curitiba. Ele fala sobre comida, sobre devorar e ser devorado, um tema pouco (ou nada) explorado pelo nosso cinema, tirando a velha antropofagia. Site oficial: www.estomagoofilme.com.br
No dia 03 de maio último houve chamada nacional para uma marcha/manifesto em favor da descriminalização da maconha, nos mesmos moldes da chamada do ano anterior. O grande problema é que o Ministério Público em vários Estados da Federação considera o próprio manifesto como caracterizador do tipo penal de apologia às drogas, sendo que, sob esse argumento, buscou impedir a realização do próprio manifesto, e obteve êxito junto a muitos juízes que acolheram o pleito impeditivo dos nossos fiscais da Lei.
Isso demonstra o nosso alto nível de desrespeito a um dos direitos básicos de qualquer democracia que se preze, que é a liberdade de expressão.
Quem foi que falou que expressar contrariedade ao fato de que uma conduta seja tipificada como crime também se constitui em crime?
Então não posso convocar uma marcha em favor da descriminalização do aborto se eu pensar que o aborto não deve ser tido como crime? Fazer isso pode ser enquadrado como incentivo ou apologia a prática do aborto?
Da mesma forma, não posso pensar que a liberação da maconha deva ocorrer? E se me manifestar nesse sentido então o Estado pode me impedir e, no limite, enquadrar-me como um criminoso que faz apologia ao crime?
Essa uma visão autoritária do Ministério Público que, infelizmente, tem encontrado eco junto ao Poder Judiciário, justo o fórum que deveria zelar por nossas garantias individuais, dentre as quais a plena liberdade de pensamento.
Infelizmente nossa maturidade democrática ainda tardará a vir.
Esperemos a próxima chamada para o dia 31 de maio, no aguardo de que o Poder Judiciário decida em favor das liberdades democráticas.
Abaixo o manifesto publicado pelos organizadores da Marcha da Maconha:
NOTA OFICIAL DO COLETIVO MARCHA DA MACONHA BRASIL SOBRE A PROIBIÇÃO DO EVENTO EM VÁRIAS CIDADES DO BRASIL
03/05/09
Ativismo, Brasil, Marcha da Maconha
O Coletivo Marcha da Maconha Brasil repudia a atitude covarde do Ministério Público de vários Estados da Federação, de pedir a proibição nas vésperas das datas marcadas, com a finalidade de dificultar e mesmo impossibilitar a nossa defesa jurídica em face de decisões liminares contrárias a nós.
Chamamos atenção para o fato de que, no ano passado, os próprios membros do MP, em cada um desses Estados, pediram o arquivamento, sem julgamento do mérito, dos processos por ele mesmos ajuizados e também dos habeas corpus que foram impetrados contra as decisões que proibiram a Marcha. Para nós, isto aconteceu por um único motivo: aqueles que querem proibir a Marcha da Maconha no Brasil não têm a coragem de submeter a julgamento a sua tese, que é frontalmente contrária ao artigo 5º, IV, IX e XVI, da Constituição Federal.
No entanto, este ano não permitiremos o sucesso dessa manobra. Diante das liminares proibindo a Marcha, nas cidades em que isso ocorrer, a manifestação fica adiada para o dia 31 de maio, no aguardo do julgamento de nossos habeas corpus, os que já foram impetrados e os que ainda o serão contra as liminares obtidas pelo MP. Confiamos no Poder Judiciário brasileiro, em especial nos tribunais superiores, que demonstram claramente uma grande firmeza na garantia dos direitos constitucionais fundamentais e das liberdades democráticas em nosso País.
Lembramos que cláusula pétrea de nossa Carta Política é a liberdade de manifestação e de reunião e não a proibição da maconha, que sequer está prevista em expressamente em lei, é apenas ato administrativo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Pedimos ainda que ninguém desobedeça as ordens judiciais e evitem qualquer confronto com as forças policiais. Incidentes que acarretem violência e detenções não nos ajudam, pelo contrário, fortalecem apenas aqueles que querem nos calar. Alertamos ainda para a possível ação de agentes provocadores, visando gerar noticiário negativo em torno da Marcha. Reafirmamos também a nossa firme orientação no sentido de que ninguém porte ou use maconha ou qualquer substância proscrita em nossas atividades.
Para concluir, mais uma vez declaramos que a Marcha da Maconha Brasil não incentiva o uso da erva. Do nosso direito de criticar a política criminal vigente e de propor a sua mudança, entretanto, não abrimos mão. Confundir isso com incitação ao crime ou apologia de fato criminoso é uma grotesca tentativa de censurar o debate público sobre a questão. Além do mais, inútil. O que coloca a legalização da maconha na agenda política nacional e internacional é o evidente fracasso da sua proibição. Impedir a Marcha de acontecer não vai mudar esse fato, apenas fará o Brasil se parecer a um Estado policial.