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Archive for the 'Dicas' category

Kerygma Assessoria e Treinamento

17 de agosto de 2009 5:09 pm

Claudio Marlus Skora, diretor da Kerygma Assessoria e Treinamento, fala no telejornal Bom Dia Santa Catarina sobre a Feira de Estágios e Empregos de Florianópolis-SC:

Países - República Tcheca

15 de agosto de 2009 12:07 am

Após fazer um breve relato sobre a Grécia, vou falar um pouco da República Tcheca, especialmente a cidade de Praga, na qual estive por uns dias. A cidade é belíssima e pôde preservar sua arquitetura de forma íntegra, já que foi uma das únicas capitais europeias que escapou de bombardeios durante a Segunda Grande Guerra. O astral da cidade é muito bom e, diferentemente dos húngaros, a auto-estima dos tchecos está para lá de elevada. Aliás, parece que, ao lado da Polônia, a República Tcheca seja o país que mais aproveitou de seu ingresso na União Europeia. O único problema disso é que a cidade está cheia de new richs exibicionistas, com hábitos de ostentação que beira o ridículo, numa palavra, algo semelhante aos “desfiles” de Jurerê Internacional no verão. Fora isso vale dizer que o custo de vida é palatável, os restaurantes são honestos e não se pode perder a deliciosa cerveja tcheca que foi a primeira das pilsens: a Pilsner Urquell. Enfim, enjoy Praga!

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Praga from Bernardo Frau on Vimeo.

Leitura para o final de semana

14 de agosto de 2009 1:39 am

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WATSON, James D., BERRY, Andrew. DNA: o segredo da vida. Tradução de Carlos Afonso Malferrari, São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

O cientista James Watson (foto), que em 1953 desvendou a estrutura da molécula de DNA, faz um panorama da história da biologia moderna e mostra como a genética revolucionou nosso conhecimento sobre a vida e o meio ambiente. Diversas ilustrações e fotos auxiliam a leitura que se indica para o final de semana.

watson

Abaixo íntegra da entrevista concedida pelo cientista ao jornalista Jerônimo Teixeira, publicada na edição nº 1.919 da Revista Veja (24.ago.2005):

O biólogo americano James Watson, de 77 anos, participou de uma das maiores revoluções científicas de todos os tempos. Testes de paternidade, transgênicos, clonagem – nada disso seria possível sem a descoberta realizada por ele e seu parceiro Francis Crick (que morreu no ano passado) em 1953. A dupla desvendou a estrutura do DNA, a molécula que contém as informações do código genético. Na época, Watson achou que Crick – a quem couberam as principais intuições matemáticas do achado – exagerava ao dizer que eles haviam revelado o “segredo da vida”.

No livro DNA (Companhia das Letras), que chega nesta semana às livrarias brasileiras, Watson revisa o avanço da ciência e conclui que seu parceiro estava certo: o DNA encerra o segredo da vida, e também de como melhorá-la. À frente do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova York, o cientista é um defensor do aprimoramento genético da humanidade – com um potencial para a controvérsia que fica claro na entrevista que se segue.

Veja – Em 1953, o senhor e seu parceiro Francis Crick anunciaram ter descoberto a estrutura do DNA, num artigo de uma página. Dada a importância do achado, o texto talvez seja um dos mais contidos da história da ciência. Por que essa modéstia?

Watson – Porque não podíamos prever o futuro. Ao redigir aquele ensaio, Crick e eu acreditávamos estar contribuindo para um melhor entendimento da realidade. Não sabíamos que, na verdade, estávamos contribuindo para transformá-la. Essa transformação começou a ocorrer vinte anos depois, quando os cientistas Herb Boyer e Stanley Cohen inventaram uma técnica que permitiu manipular a molécula de DNA e inauguraram a era da engenharia genética. Eles deram um uso prático à nossa descoberta, e, a partir dali, as coisas se aceleraram.

Veja – Que inovações podemos esperar da genética nos próximos anos?

Watson – Eu diria que em dez anos quase todas as lavouras serão modificadas geneticamente. Na área da pesquisa médica, com a qual trabalho, destacaria progressos em duas direções. No tratamento do câncer, estamos caminhando no sentido de fazer biópsias de DNA, nas quais examinaremos o tumor para verificar que tipos de alteração genética estão ocorrendo. Com isso, teremos tratamentos melhores, com drogas que matam as células cancerosas que sofreram determinada mutação em seus genes. Tenho esperança de que daqui a uns 25 anos o câncer já não será considerado uma doença grave. Saberemos de suas causas, poderemos combatê-lo. Por outro lado, creio que em breve começaremos a encontrar os genes responsáveis por uma série de distúrbios mentais, como a esquizofrenia e o autismo. Em meu livro DNA, quase não discuto esse tema, pois ainda não há muito que dizer sobre isso em um texto de divulgação científica. Mas, como eu digo no próprio livro, ele está destinado a se desatualizar.

Veja – A compreensão genética dos distúrbios mentais é então uma fronteira que a genética ainda precisa cruzar?

Watson – Sim, creio que sim. Nosso laboratório está até construindo uma nova ala que será dedicada à pesquisa da esquizofrenia. Esse é um bom tópico para a ciência hoje.

Veja – O senhor mesmo tem um filho com problemas mentais.

Watson – Sim, mas não quero tecer comentários a respeito. Ele é capaz de ler, e não quero que leia coisa alguma sobre si mesmo.

Veja – A pergunta é sobre o senhor: como a doença de seu filho determinou seu interesse pelas pesquisas nessa área?

Watson – É claro que houve uma influência. Mas meu filho já sofre de sua doença há bastante tempo, e só recentemente me dediquei a pesquisar sobre o tema. Nos últimos quarenta anos, estive mais voltado para a pesquisa do câncer. Ocorre que por muito tempo não tínhamos nenhuma pista na área dos distúrbios mentais. Agora, creio que o problema está ao alcance da genética, embora ainda não tão claramente.

Veja – O senhor causou muita controvérsia ao dizer que a burrice poderia ser tratada como uma doença. Pode explicar sua posição?

Watson – Muitos acreditam que somos todos iguais, que, com boa escola e boas condições sociais, todos aprenderão da mesma forma. Não é assim. A dificuldade de aprendizado nem sempre é resultado do ambiente. Algumas pessoas nascem com impedimentos. Há doenças relacionadas a agentes infecciosos, a traumas durante a gravidez, a genes ruins – pode haver diferentes causas para o mesmo efeito final. Qualquer que seja essa causa, se o seu cérebro não consegue trabalhar, digamos, com matemática, não é um cérebro normal. Se você não consegue juntar dois e dois para fazer quatro, é porque algo não está bem. Chamamos a esquizofrenia de doença mental, e o mesmo pode valer para certos QIs muito baixos, que não são funcionais. Se uma criança não consegue aprender a ler, eu acredito que isso seja uma doença. Ou, se a palavra “doença” é muito forte, diria que essa pessoa precisa de ajuda. Chamar isso ou não de doença não é o principal.

Veja – Que tipo de ajuda a genética pode fornecer a essas pessoas?

Watson – Depende das razões do problema. Pessoas com dislexia moderada, por exemplo, sabem ler, mas quem tem uma forma mais severa desse distúrbio nunca aprenderá. Quando alguém sofre de Alzheimer e sua memória se dissolve, não temos nenhum problema em chamar isso de doença. O mesmo pode valer para quem não é capaz de formar memórias. Essa pode ser a razão da burrice de algumas pessoas: talvez elas não sejam capazes de reter certas lembranças por algum defeito genético. O fato de chamarmos isso de doença não significa que nada possa ser feito a respeito. Pelo contrário, significa que estamos buscando formas de ajudar essas pessoas. E estamos fazendo progressos.

Veja – Uma característica como a inteligência, que envolve um complexo de genes, poderá um dia ser manipulada?

Watson – Não temos idéia. A inteligência envolve, sim, todo um complexo de genes. Mas você pode perdê-la com um defeito em apenas um deles. É o que ocorre, por exemplo, na síndrome do X frágil: por causa da falha em um gene, a pessoa nunca vai progredir além da inteligência de uma criança de 5 anos. No momento, não temos cura para essas condições. Talvez algum dia tenhamos uma terapia genética para resolver o problema – mas creio que será tecnicamente muito difícil inserir um gene sadio no cérebro das vítimas da síndrome. O que a ciência pode oferecer, no momento, é prevenção. Podemos impedir o nascimento de crianças com problemas mentais graves.

Veja – O senhor considera aceitável abortar bebês que poderiam viver, ainda que com deficiências?

Watson – Algumas pessoas pensam que o aborto é irresponsável. Do meu ponto de vista, o que é irresponsável é deixar nascer uma criança que terá uma doença incurável grave. É algo que causará sofrimento desnecessário. Mas isso, é claro, é uma escolha individual que cabe à mulher grávida. Cada um age de acordo com seus valores, e não quero roubar a ninguém o direito de tomar suas decisões. Se, por exemplo, o seu filho ainda não nascido tiver síndrome de Down, você pode perguntar se há alguma chance de curá-lo. Como cientista, responderei que não, que não existe hoje nenhuma chance de que essa criança seja normal. Esse é um fato científico: como as pessoas lidarão com ele é outro problema. Algumas verão a síndrome como sendo a vontade de Deus. Eu a vejo como uma falha biológica: no lugar de ter duas cópias do cromossomo 21, ela tem três, e isso conduz à anormalidade. Não vejo propósito no nascimento de quem vai levar uma vida menor, restrita.

Veja – E se um dia pudermos prever que um feto será, digamos, homossexual? Razões como essa seriam aceitáveis para um aborto?

Watson – As mulheres devem ter a liberdade de fazer o que elas consideram o melhor para sua família. Mulheres de diferentes culturas e circunstâncias terão diferentes concepções. Aquilo que é certo para uma delas pode não ser para outra. Decisões genéticas devem ser tomadas pelas mães, ou em acordo com sua família. O Estado não deveria influir sobre isso de forma alguma.

Veja – Há necessidade de alguma restrição legal à pesquisa genética?

Watson – Eu diria que não. Sou muito libertário. Se alguém um dia descobrir que podemos adicionar algum gene para que as crianças nasçam mais inteligentes, ou mais bonitas, ou mais saudáveis – bem, eu não vejo por que não fazê-lo. Não acredito que o sofrimento faça bem a uma pessoa. Algumas pessoas dizem: “Cristo sofreu, então os homens também precisam sofrer”. Eu não compro esse argumento. Hoje, não temos a capacidade de melhorar a humanidade dessa forma. Se um dia pudermos, por que não? Alguns alegam que isso favoreceria os ricos, mas não há novidade aí: os ricos sempre compram a nova tecnologia antes dos demais.

Veja – Não há sempre o perigo de essas tecnologias serem usadas por ideologias racistas?

Watson – Tudo pode ser usado para o mal, mas isso não é motivo para parar o progresso. Será tolo limitar a pesquisa genética porque os racistas podem se apropriar dela. Uma epidemia causada por um vírus ou uma bactéria pode ser uma ameaça bem maior do que o racismo – poderia até dizimar a raça humana. Há pouco tivemos a gripe do frango na Ásia, que felizmente pôde ser controlada. A peste, cerca de 600 anos atrás, devastou a população européia e deixou uma recessão que se arrastou por séculos. E se uma nova infecção dizimasse hoje a metade da população do Brasil? Seria terrível. A genética pode nos proteger desse perigo, se um dia tivermos a capacidade de mudar a constituição das pessoas para que elas se tornem, por exemplo, resistentes ao HIV, que causa a aids.

Veja – O senhor não veria razões nem para proibir a clonagem humana?

Watson – Em 1972, quando pela primeira vez me dei conta de que um dia teríamos a possibilidade de clonar um ser humano, escrevi um artigo a respeito. Foi um texto prematuro: ninguém lhe deu a mínima atenção. Não gosto da idéia de produzir cópias humanas. Acabam de clonar um cachorro, mas ainda é algo difícil de realizar. Se um dia a técnica se tornar mais acessível e a maioria da humanidade for de clones – bem, esse não seria um mundo que eu desejaria ver. Um só clone, porém, não vai mudar o mundo. Não é uma arma nuclear. E não estou mais interessado em projeções futuristas. Clonagem deve preocupar o cientista que está na casa dos 20 anos. Na minha idade, estou mais preocupado com a cura da doença de Alzheimer.

Veja – O senhor é tido como um gerador de controvérsias. É mesmo?

Watson – A genética sempre será uma matéria controvertida. Porque as pessoas não gostam de imaginar que aquilo que elas são é determinado por moléculas de DNA. Nenhuma mulher gosta de pensar que nasceu feia. “Bom”, elas dizem, “se eu usar o cabelo desse jeito, ou se vestir roupas melhores…” Ela pode fazer tudo isso, claro. Mas o fato incontestável é que algumas mulheres tiveram mais sorte no jogo de dados genético do que outras. A questão é ainda mais delicada no que concerne ao cérebro – personalidade, inteligência etc. As pessoas gostam de imaginar que o cérebro é totalmente maleável, mas não é.

Veja – Algum dia chegaremos ao fim do debate sobre o que tem mais efeito sobre nossa personalidade – os genes ou o ambiente?

Watson – Não. Essa discussão vai sempre nos acompanhar. Muita gente ainda insiste em que a criação que você recebe em casa tem mais influência sobre o que você é do que sua natureza. Algumas pessoas querem até mesmo negar que existam diferenças inatas entre os indivíduos. Afirmam que, se alguém tem alguma deficiência, é porque foi vítima da pobreza, do capitalismo, da poluição. Não penso que isso seja verdade, mas compreendo a motivação: é natural que, quando algo está errado, tentemos primeiro modificar o ambiente para eliminar o problema. Modificar os genes é muito mais difícil. A genética e a evolução podem ser cruéis, e algumas pessoas têm azar nesse jogo.

Veja – A polêmica entre os adeptos da teoria da evolução e aqueles que acreditam no “desenho inteligente”, na idéia de que os seres vivos já foram criados como são, voltou a se aquecer. O que acha dessa controvérsia?

Watson – Mais de um século depois de Darwin, há um impasse entre a ciência e a religião – ou, pelo menos, entre a ciência e certas religiões, que estão obcecadas pelos rumos da biologia. Elas não gostam do conceito de evolução, embora todos os biólogos o apliquem, pois não se trata de uma mera teoria, mas de um fato. A controvérsia atual é sobre a conveniência de ensinar na escola o “desenho inteligente” lado a lado com o evolucionismo. Isso é misturar ciência e crença. É misturar idéias com base experimental com outras que não têm nenhuma. Não acho que deva ocorrer.

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Ilustrações

13 de agosto de 2009 12:02 pm

Tara McPherson

Tara McPherson

Tara McPherson

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Nos bares da vida

12 de agosto de 2009 10:06 pm

Fotos que tirei nos bares da vida:

Bar Bracarense - Rio de Janeiro-RJ

Armazém do Ferreira - Brasília-DF

Churrasquinho do Dedé - Goiânia-GO

Solar das Batidas - Curitiba-PR

Ao Distinto Cavalheiro - Curitiba-PR

Babilônia Gastronomia - Curitiba-PR

Juliana no Bracarense - RJ

Juliana no Bracarense - RJ

Bracarense - RJ

Bracarense - RJ

Bracarense - RJ

Bracarense - RJ

Juliana no Churrasquinho do Dedé - Goiânia

Juliana no Churrasquinho do Dedé - Goiânia

Flavinho no Armazém do Ferreira - Brasília

Flavinho no Armazém do Ferreira - Brasília

Juliana no Babilônia - Curitiba

Juliana no Babilônia - Curitiba

Eu, Cassiano Cordi (in memorian) e Cesar Serbena no Ao Distinto Cavalheiro - Curitiba

Eu, Cassiano Cordi ("in memorian") e Cesar Serbena no Ao Distinto Cavalheiro - Curitiba

José Cella e eu no Solar das Batidas - Curitiba

José Cella e eu no Solar das Batidas - Curitiba

Newton da Costa - 80 anos

6:44 pm

Nos próximos dias 23 a 28 de agosto o Centro de Lógica, Epistemologia e Filosofia da Ciência - CLE da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP realizará o evento Sciency, Truth and Consistency em homenagem aos 80 anos do Prof. Newton Carneiro Affonso da Costa, um dos maiores filósofos do Brasil e provavelmente o mais importante lógico vivo do planeta. Da Costa foi o criador da denominada Lógica Paraconsistente.

Conheci o Prof. Newton na Universidade de São Paulo - USP em 1994 e pude me aproximar dele também na USP, só que no ano de 1999, ocasião em que apresentava um trabalho sobre Lógica e Direito em que estiveram presentes ao debata tanto o Prof. Newton quanto o Prof. Roberto José Vernengo, da Universidad de Buenos Aires - UBA.

Desde essa ocasião passei a me interessar pelas relações entre a lógica e o direito e, quando o Prof. Newton se aposentou na USP, mudou-se para Florianópolis e passou a atuar como professor visitante do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC tive o intuito de participar de seus Seminários Avançados de Lógica e Filosofia da Ciência, que eram promovidos em conjunto com o Prof. Décio Krause. Para tanto ingressei no Doutorado em Direito daquela Universidade, tendo por orientador o Prof. Aires José Rover, a partir do que pude me matricular formalmente nos seminários de excelência dos Profs. Newton da Costa e Décio Krause.

Depois disso ainda tive a honra de ser arguido, na banca examinadora de minha tese de doutorado, pelo Prof. Newton da Costa, que foi um de seus integrantes.

Enfim, recomenda-se fortemente a participação no evento que vai homenagear os 80 anos de nosso grande filósofo brasileiro: o Prof. Newton da Costa:

Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência
Académie Internationale de Philosophie des Sciences

August 23th - 28th 2009

Dedicated to Newton da Costa’s 80th Anniversary


IMECC Auditorium
Institute of Mathematics, Statistics and Scientific Computation
Unicamp - Campinas, SP - Brazil

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Confirmed Speakers:
Evandro Agazzi (AIPS President, University of Genoa - Italy)
Elias H. Alves (Faculty of Philosophy São Bento / Unicamp - Brazil)
Diderik Batens (University of  Ghent - Belgium)
Valentin A. Bazhanov (University of Ulyanovsk - Russia)
Giuliano Di Bernardo (University of Trento - Italy)
Jean-Yves Béziau (UFC - Brazil)
Harvey R. Brown (Oxford University - UK)
Otávio Bueno (University of Miami - USA)
Walter A. Carnielli (Unicamp - Brazil)
Gregory Chaitin (IBM - USA)
Oswaldo Chateaubriand (PUC-RJ - Brazil)
Roberto Cignoli (University of Buenos Aires - Argentina)
Newton C. A. da Costa (USP/UFSC - Brazil)
Marcelo Dascal (Tel Aviv University - Israel)
Francisco Antonio Dória (UFRJ - Brazil)
Itala M. Loffredo D’Ottaviano (Unicamp - Brazil)
Aldo Figallo (UNS - Argentina)
Michel Ghins (Catholic University of Louvain - Belgique)
Marcel Guillaume (University of Clermont-Ferrand I - France)
Décio Krause (UFSC - Brazil)
Germano Lambert-Torres (UNIFEI - Brazil)
Emmanuel Carneiro Leão (UFRJ - Brazil)
Zeljko Loparic (Unicamp - PUC-SP - Brazil)
María Manzano (University of Salamanca - Spain)
Artibano Micali (University of Montpellier - France)

David Miller (University of Warwick - UK)
Francisco Miraglia (USP - Brazil)
João Ricardo Moderno (UFRJ/ABF - Brazil)
Jesús Mosterín (CSIC - Spain)
Daniele Mundici (University of Florence - Italy)
Marek Nasieniewski (Nicolaus Copernicus University - Poland)
Michel Paty (CNRS - Paris 7 - France)
Oswaldo Pessoa (USP - Brazil)
Andrzej Pietruszczak (Nicolaus Copernicus University - Poland)
Graham Priest (University of Melbourne - Australia)
Hans-Jörg Rheinberger (Max Planck Institute - Germany)
Alexandre Rodrigues (USP - Brazil)
Clara Helena Sanchez (National University of Colombia - Colombia)
Jairo José da Silva (Unesp - Brazil)
Marcelo Tsuji
Daniel Vanderveken (University of Québec - Canada)

Scientific Committee:
Evandro Agazzi (AIPS President, University of Genoa - Italy)
Oswaldo Chateaubriand (Pontific University of Rio de Janeiro - Brazil)

Itala M. Loffredo D’Ottaviano (State University of Campinas - Brazil)
Daniele Mundici (University of Florence - Italy)
Patrick Suppes (Stanford University - USA)

Organizing Committee:
Itala M. Loffredo D’Ottaviano (State University of Campinas - Brazil)
Daniele Mundici (University of Florence - Italy)
Walter A. Carnielli (State University of Campinas - Brazil)
Marcelo E. Coniglio (State University of Campinas - Brazil)

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Organization:
Centre for Logic, Epistemology and the
History of Science - CLE

Académie Internationale de Philosophie
des Sciences - AIPS

Secretariat:
Marcos Antonio Munhoz
Phone: +55-19-35216518
E-mail: munhoz@cle.unicamp.br

Webmaster:
Emerson Luis Francisco
Phone: +55 19 3521-4911
E-mail: emerson.luis@reitoria.unicamp.br

August 23th - 28th 2009

IMECC Auditorium
Institute of Mathematics, Statistics and Scientific Computation
Unicamp - Campinas, SP - Brazil


Program
23/08/2009 - Sunday
24/08/2009 - Monday
25/08/2009 - Tuesday
26/08/2009 - Wednesday
27/08/2009 - Thursday
28/08/2009 - Friday

Institute of Mathematics, Statistics and Scientific Computation - IMECC

Rua Sérgio Buarque de Holanda, 651 – Cidade Universitária “Zeferino Vaz”
Barão Geraldo – Campinas – São Paulo – Brasil
CEP 13083-859 – Caixa Postal 6065
Fone: (19) 3521-5921 – Fax (19) 3521-6094 - E-mail: dirimecc@ime.unicamp.br
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UNICAMP Conventions Center - Room II
Rua Elis Regina, 131 - Cidade Universitária “Zeferino Vaz”
Barão Geraldo - Campinas - São Paulo - Brasil
Fone: (19)  3521-1733  -  E-mail: cdc@unicamp.br
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Adriano Lima, Werner Bruns, Décio Krause, Newton da Costa, José Renato Cella, Hamilton Silveira, Jonas Becker. Agachados: Cesar Serbena e William Steinle - outubro de 2005

Adriano Lima, Werner Bruns, Décio Krause, Newton da Costa, José Renato Cella, Hamilton Silveira, Jonas Becker. Agachados: Cesar Serbena e William Steinle - outubro de 2005

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Zé Renato, Newton da Costa e Aires Rover

Zé Renato, Newton da Costa e Aires Rover

Confraternização de final de semestre - minha casa em Florianópolis

Confraternização de final de semestre - minha casa em Florianópolis

Confraternização de final de semestre - minha casa em Florianópolis

Confraternização de final de semestre - minha casa em Florianópolis

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2002

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Eu e o Prof. Newton

Eu e o Prof. Newton

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Seminários Avançados - UFSC - 2005

Profs. Décio Krause e Newton da Costa

Profs. Décio Krause e Newton da Costa

Profs. Roberto Vernengo e Newton da Costa - USP - 1999

Profs. Roberto Vernengo e Newton da Costa - USP - 1999

Última flor do lácio

11 de agosto de 2009 10:40 pm

portugal

Dildo’s designers and Dildo Factory

10:21 pm

Fun Factory, consolo feminino!

If there was a Charlie and the chocolate factory for adults and by adults I really mean women, you’d find it in Bremen, Germany. When we arrived we were met with smiles and given the tour. The factory floor was bright and full of colour and smiles like a kids playgroup.

Getting full access to a dildo factory kinda like getting the answers to a multiple choice test before you know the questions. What does that mean? I have no idea. Felt right when I typed it.

It was an education. I’ve never talked so frankly to women about their personal time. I also was never more thankful for having a camera thats big enough to cover my laughter when I work. Oh no wait, there was a talent contest that I photographed once where I was thankful for that too.

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Yes I felt as uncomfortable as I look. I got over it. After all, I’m a better listener.

If there was a Charlie and the chocolate factory for adults and by adults I really mean women, you’d find it in Bremen, Germany. When we arrived we were met with smiles and given the tour. The factory floor was bright and full of colour and smiles like a kids playgroup.

Getting full access to a dildo factory kinda like getting the answers to a multiple choice test before you know the questions. What does that mean? I have no idea. Felt right when I typed it.

It was an education. I’ve never talked so frankly to women about their personal time. I also was never more thankful for having a camera thats big enough to cover my laughter when I work. Oh no wait, there was a talent contest that I photographed once where I was thankful for that too.

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Yes, that’s a scissors…..and yes, that’s a dildo.

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dick head……I mean that in the best possible way.

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This is not by any means the best photograph that I’ve ever made. So why did it make the cut? Well when you meet a woman whose jobs it is to design dildos, and you ask her to draw one for you, you better believe you should remember that moment.

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Everywhere they sell their products. Smart.

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Hoje em Curitiba

12:49 pm

Carlos Heitor Cony no Paiol Literário

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O escritor e jornalista Carlos Heitor Cony é o convidado do projeto Paiol Literário nesta terça-feira (11), às 20 horas, no Teatro Paiol. A mediação será do jornalista e tradutor Christian Schwartz. A entrada é franca. Desde 2006, o projeto, realizado pelo jornal literário Rascunho em parceria com o Sesi Paraná e a Fundação Cultural de Curitiba, já trouxe à capital paranaense 29 grandes nomes da literatura brasileira para um bate-papo com o público. Todos os encontros são reproduzidos na edição do mês seguinte do Rascunho e no site www.rascunho.com.br, mantido em parceria com a Rede Paranaense de Comunicação (RPC). Dessa forma, os leitores que moram em outras cidades ou que não podem comparecer ao bate-papo conferem na internet os temas levantados nas conversas.
O convidado
Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro, em 1926. Cursou humanidades e filosofia no Seminário de São José. Estreou na literatura ganhando, por duas vezes consecutivas, o Prêmio Manuel Antônio de Almeida, em 1957 e 1958. Sua carreira no jornalismo, iniciada em 1952 no Jornal do Brasil, foi continuada no Correio da Manhã, do qual foi redator, cronista, editorialista e editor. Depois de várias prisões políticas durante a ditadura militar e de um período no exterior, entrou para o grupo Manchete, no qual lançou a revista Ele & Ela e dirigiu as revistas Desfile e Fatos & Fotos.
Atualmente, é colunista da Folha de S.Paulo, e suas colunas são reproduzidas em diversos jornais do país. Mantém um comentário diário na Rádio CBN, no programa Liberdade de Expressão e na Band News TV.
A obra
Imortal da Academia Brasileira de Letras desde março de 2000, Cony é autor dos livros O Ventre, A Verdade de cada Dia, Tijolo de Segurança, Informação ao Crucificado, Matéria de Memória, Antes, o Verão, Balé Branco, Pessach: a Travessia e Pilatos, Quase Memória, O Piano e a Orquestra, A Casa do Poeta Trágico, Romance sem Palavras, O Indigitado, A Tarde da sua Ausência e O Adiantado da Hora. Escreveu romances, em sua maioria, além de ensaios biográficos, contos, crônicas e adaptações de clássicos.
Em 1996, a ABL lhe concedeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, e a Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Jabuti, elegendo Quase Memória como o melhor livro de ficção do ano de 1996. O Piano e a Orquestra ganhou o Prêmio Nacional Nestlé de Literatura em 1997, na categoria “autor consagrado”. Em 1998, ganhou novamente o Jabuti e, pela segunda vez, o Livro do Ano, concedido pela CBL, pelo romance A Casa do Poeta Trágico. O terceiro Jabuti veio em 2002, com Romance sem palavras.
Em 1998, o governo francês, no Salão do Livro, em Paris, condecorou-o com a L’Ordre des Arts et des Lettres.
Apoios e parcerias
O Paiol Literário é uma realização do jornal Rascunho, em parceria com o Sesi Paraná e com a Fundação Cultural de Curitiba. O projeto conta com o apoio do jornal Gazeta do Povo, da Tchukon Terapias, do Quintana Café & Restaurante, da Livrarias Curitiba, da Nume Comunicação, da Editora Arte & Letra, do Hotel Deville Rayon e da CCZ.

Em São Paulo

11:33 am

Estamos, eu e Juliana, em São Paulo desde domingo (09 de agosto de 2009) e dessa vez aproveitamos para uma incursão pelo Centro velho da cidade, com caminhadas pela Praça da Sé, pelo Pátio do Colégio, pelo Mosteiro de São Bento, pelo Viaduto Santa Efigênia, pelo Vale do Anhangabaú. Na caminhada fizemos a parada obrigatória no Bar Brahma, que fica na esquina das Anenidas Ipiranga e São João, após o que demos uma esticada na Praça Roosevelt, onde pudemos ir até o espaço dos Satyros e ver a apresentação da peça “O Amante de Lady Chatterley”. Estivemos também em um agradável restaurante nas proximidades da Avenida Consolação: o Mestiço.

Bifurcação entre as linhas 1 e 2 do Metrô - Estação Sé

Bifurcação entre as linhas 1 e 2 do Metrô - Estação Sé

Estação Sé do Metrô

Estação Sé do Metrô

Praça da Sé

Praça da Sé

Catedral da Sé

Catedral da Sé

Catedral da Sé

Catedral da Sé

Pátio do Colégio

Pátio do Colégio

Pátio do Colégio

Pátio do Colégio

Edifício que era sede do Banespa

Edifício que era sede do Banespa

Mosteiro de São Bento

Mosteiro de São Bento

Vale do Anhangabaú

Vale do Anhangabaú

Restaurante Mestiço

Restaurante Mestiço

Restaurante Mestiço

Restaurante Mestiço

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

Bar Brahma

O AMANTE DE LADY CHATTERLEY

Sinopse: A peça de teatro O Amante de Lady Chatterley é uma adaptação do clássico romance de D.H. Lawrence. Numa sociedade inglesa do início do século passado os confrontos entre ricos e pobres ficam evidentes com a manipulação do poder daqueles que o detém. O amor e o sexo se perdem nesta estrutura corrompida, conseguir ser autêntico e conquistar a sua própria liberdade é tarefa para poucos. Uma mulher consegue avistar o amor. Diz “não” para tudo que acredita ser uma manipulação do poder da alta sociedade. Ela paga o preço desta liberdade em nome do verdadeiro amor, pois quer preservar o sentido da vida. Consegue finalmente respirar o verdadeiro “amor e sexo”, eles não se dividem mais, pois sua identidade enquanto humano esta preservada, não é mais mulher máquina, objeto, artefato, é por fim, uma mulher.
Texto: Adaptação de Germano Pereira, A Partir do Romance de D. H. Lawrence.
Direção: Rubens Ewald Filho
Elenco: Germano Pereira, Ana Carolina de Lima e Ailton Guedes
Quando: Domingos às 20h30
Onde: Espaço dos Satyros Dois, pça Roosevelt, 134
Quanto: R$20,00 e R$10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade), R$5,00 (Oficineiros do Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 70 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação: 16 anos
Estréia: 04 de julho a 27 de setembro de 2009

“Cachorro engarrafado”

8 de agosto de 2009 7:54 pm

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Países - Grécia

5:08 pm

Depois de algumas dicas sobre a Turquia, agora é a vez de falar da Grécia, país em que as pessoas alimenta uma grande antipatia pelos turcos, e vice-versa. A rivalidade entre ambos os países tem raízes na antiguidade clássica e perdura, de maneira que gragos e troianos ainda não resolveram suas diferenças.

Tanto a Turquia quanto a Grécia reinvindicam a inauguração do Ocidente com o surgimento da Filosofia; tanto gregos quanto turcos reinvindicam também a originalidade de sua culinária, especialmente a invenção do Kebab; turcos são islâmicos, gregos são cristãos ortodoxos. A rivalidade vai por aí afora e ainda há guerras territoriais não concluídas entre ambos os países, fato que atiça a rivalidade existente para níveis mais perigosos que uktrapassam o que poderia se reduzir a meras implicâncias, como por exemplo a rivalidade entre paulistas e cariocas.

A Grécia é um país muito pobre economicamente se comparada a grande parte dos demais países que integram a União Europeia, apesar de nela ter ingressado em 1981, antes mesmo de Portugal e Espanha, que aderiram ao bloco em 1986. Estes dois países aproveitaram muito mais a possibilidade de progresso do que a Grécia. Ora, os três países tinham indicadores de países subdesenvolvidos à época, porém a Grécia ali se manteve, talvez por conta do (mal) governo local.

A comida é mediterrânea, deliciosa e farta. Os preços são baratos.

Os gregos não são lá muito polidos, não se costuma cumprimentar as pessoas e amiúde se vê bate-bocas espetaculares nas ruas. Aliás, os gregos não são nenhum pouco cavalheiros e a impressão que se tem é a de que a sociedade é bastante machista.

Tirante as ruínas e monumentos, Atenas é uma cidade muito feia e suja, suas construções seguem um padrão quase que único que faz da cidade um lugar com uma paisagem só e, por isso, bastante enfadonha, até por que os prédios padronizados têm uma arquitetura de gosto duvidoso.

É preciso tomar algum cuidado com batedores de carteira, especialmente em diversas praças da cidade em que há desocupados, ciganos e drogados em geral.

Aliás, apesar da grande presença de ciganos, o preconceito em relação a eles é algo evidente e sequer disfarçado.

Nos navios que levam às belas ilhas gregas que se situam no Mar Egeu viajam diversos ciganos. Parece que eles têm alguma espécie de redução tarifária ou isenção para viajarem. Por conta disso são todos confinados no convés dos barcos, onde o sol é intenso e não há acesso aos banheiros e restaurantes. O fato é que chega um momento em que especialmente as crianças sentem necessidade de ir ao banheiro ou de se alimentar e, nessa hora, os ciganinhos e suas mães forçam passagem nos locais a eles inacessíveis e, diante disso, as discussões se iniciem de forma bastante ríspida e se chega mesmo às vias de fato, num “espetáculo” dantesco de se presenciar. Aliás, como os ciganos ficam expostos ao sol e à chuva no convés, sem acesso aos sanitários, uma visita ao convés se torna uma experiência única em que se sente odores terríveis, uma verdadeira Idade-Média.

Seja como for, depois de uma visita completa a Atenas vale muito à pena tomar um barco que leve às belas e encantadoras Ilhas Gregas. Visitei três delas e me hospedei na que considerei a mais bonita, Santorini (Thíra), que integra as denominadas Ilhas Cyclades. A ilha é o que resultou de uma forte erupção vulcânica e seus moradores alegam que era lá que havia a perdida cidade de Atlântida, dada a beleza do local, que de fato é inegável. Imperdíveis são o pôr do sol com vista para o mar,  os restaurantes, as praias, os bares, as boates, tudo! Fui para lá no verão (agosto) de 2007 e me hospedei em um hotel que recomendo fortemente, o Thera Mare; além de recomendar que uma viagem à Grécia, em especial às suas ilhas, deve ser feita no verão.

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Leitura para o final de semana

7 de agosto de 2009 3:35 pm

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ALLEN JR., John L. Conclave. Traduzido por Maria Beatriz Medina, Rio de Janeiro: Record, 2003.

Terminado o pontificado de João Paulo II em 02 de abril de 2005, o Conclave que elegeu o Papa bento XVI teve suas regras estabelecidas pelo próprio João Paulo II no documento de 1996 intitulado Universi Dominici Gregis, as quais, entre muitos outros dados confiáveis, estão presentes na obra de 2003 que agora se indica para leitura, de um autor jovem que é um dos mais competentes “vaticanistas” da atualidade, jornalista correspondente no Vaticano do “National Catholic Reporter” e autor da biografia “Cardinal Ratzinger: The Vatican’s Enforcer of the Faith”.

Cumpre observar que o Papa João Paulo II, um dos mais populares líderes mundiais que surgiram no século XX, embora tenha sido uma pessoa de virtudes irrepreensíveis, legou-nos um pontificado de resultados questionáveis, conforme se pode verificar de escritos que trataram da morte do Papa, a exemplo, entre outros artigos que seguem abaixo, do pronunciamento do eminente teólogo suíço HANS KÜNG, que, tendo sido assessor do então Arcebispo Karol Josef Wojtyla (antes de sua ascensão ao trono da Igraja) havia sido proscrito pelo Vaticano já no início do pontificado recém concluído, haja vista que, no dia 18 de dezembro de 1979, a Congregação da Fé do Vaticano cassou a licença de lecionar do teólogo em apreço, residente em Tübingen, no sul da Alemanha.

HANS KÜNG arrebatara o ódio do Vaticano ao questionar por várias vezes o dogma da infalibilidade do Papa:

Relata-se que o cardeal de Colônia, Joseph Höffner, havia convocado uma entrevista coletiva para a tarde de 18 de dezembro de 1979, sem anunciar o assunto. Pouco antes do encontro com os jornalistas, um emissário da embaixada do Vaticano entregou em Tübingen uma carta da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). “O professor Hans Küng - declarou o cardeal Höffner - diverge da integridade da fé católica em seus escritos. Por isso, ele não pode ser considerado teólogo católico nem continuar lecionando como tal”.

Era o desfecho de uma briga de dez anos entre KÜNG e o Vaticano. O teólogo suíço, radicado na Alemanha, foi proibido de lecionar teologia em nome da Igreja. “Acredito que o importante para um teólogo é expressar as preocupações e esperanças atuais do povo à luz do Evangelho. Assim ele também será levado a sério em Roma”, disse HANS KÜNG, numa entrevista à Deutsche Welle em meados dos anos 1970, quando o conflito parecia ter se acalmado.

Nascido em 1928, em Sursee, no cantão de Lucerna, ele começou a questionar a doutrina da Igreja depois de estudar em Roma. Duvidava que as antiquadas fórmulas de pregação católica ainda fossem assimiláveis pelo homem moderno. KÜNG argumentava que os ensinamentos da Igreja deveriam ser formulados de maneira irrefutável, mas numa linguagem adequada a cada época. Criticou o dogma da infalibilidade do Papa, aprovado sob circunstâncias peculiares, no Concílio Vaticano I, em 1871.

Já em 1957, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora da Inquisição, havia elaborado um “Dossiê Küng” para analisar posições duvidosas de sua teologia. Apesar disso, o Papa João XXIII convocou o teólogo (professor da Universidade de Tübingen a partir de 1960) para ser consultor oficial durante o Concílio Vaticano II, que pretendia modernizar a Igreja. Logo após a conclusão do Concílio pelo Papa Paulo VI, a Sagrada Congregação retomou o dossiê, abriu secretamente um processo para cassar a cátedra de KÜNG e tentou impedir a publicação de seus livros. KÜNG queria, ao menos, que o processo fosse justo. Reivindicava o direito de ver os documentos e à assistência jurídica. “Um processo que não respeite esses direitos básicos é contra o Evangelho”, disse. O teólogo, porém, não teve possibilidade de se defender em Roma e, pouco antes do Natal de 1979, o Vaticano lhe cassou, unilateralmente, a licença de lecionar.

Pela lei alemã, KÜNG não podia ser demitido como professor e foi transferido para a cadeira de Teologia Ecumênica na Universidade de Tübingen. Longe de ficar reduzido ao silêncio, prosseguiu sua tarefa esclarecedora, empreendendo dois grandes projetos: tratar da situação religiosa atual e de uma ética global. Realizou estudos sobre as tradições cristã, judaica, islâmica, hinduísta e budista e publicou obras sobre a questão da ética mundial (”Weltethos”). “A globalização requer uma ética mundial que supere as linhas de conflito entre nações, povos e religiões. Se a globalização for apenas um instrumento para a maximização dos lucros, preparem-se para uma séria crise social”, advertiu no Fórum Econômico Mundial de 1997, em Davos, na Suíça.

No livro “Uma ética global para a política e economia mundiais” (Editora Vozes, Petrópolis, 1998), KÜNG afirma que “uma nova ética mundial passa pela paz religiosa, sem a qual não haverá paz mundial, e esta exigirá interpretações mais humanas de leis sacras ultrapassadas e anti-humanistas, fundadas na intolerância e na mentira”. Outro livro de sua autoria foi “Os grandes pensadores do cristianismo – Paulo de Tarso, Orígenes, Agostinho, Tomás de Aquino, Martinho Lutero, Friedrich Schleiermacher, Karl Barth”, lançado em português pela Editorial Presença, de Lisboa, em 1999. Abaixo vai um artigo escrito por HANS KÜNG na data em que João Paulo II faleceu, publicado pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em 03 de abril de 2005:

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AS CONTRADIÇÕES DE UM PONTIFICADO

HANS KÜNG

Aparentemente, o papa João Paulo II, que esteve ativamente envolvido no combate à guerra e à repressão, era um farol de esperança para aqueles que anseiam por liberdade. Internamente, porém, seu mandato anti-reformista mergulhou a Igreja Católica Romana em uma crise de credibilidade sem precedentes.

A Igreja está em apuros, mas deve continuar seu caminho e, à luz da seleção de um novo papa, vai precisar de um diagnóstico, uma análise interna objetiva. O tratamento será discutido mais tarde.

Muitos se surpreenderam com a permanência no poder deste frágil e parcialmente paralisado chefe da Igreja, um homem que, apesar de todos os medicamentos, mal conseguia falar. Outros se sentiram desprezados por um homem que viam como um mandatário que, ao invés de azeitar o caminho cristão em direção à própria eternidade, usava todos os meios à disposição para se manter no poder em um sistema amplamente antidemocrático. Até para muitos católicos, esse papa no limite de suas forças físicas, recusando-se a entregar o poder, era o símbolo de uma igreja fraudulenta e calcificada.

O clima festivo que prevaleceu durante o Concílio Vaticano II ( 1962 a 1965), ou Vaticano II, desapareceu. A aparência de renovação, entendimento ecumênico e abertura geral do mundo do Vaticano II agora parece superada e o futuro, sombrio. Muitos se resignaram ou até se afastaram por causa da frustração com essa hierarquia auto-imposta. Como resultado, muitas pessoas foram confrontadas com uma impossível variedade de alternativas: ‘Jogue o jogo ou saia da Igreja.’ A nova esperança só vai começar a criar raízes quando funcionários da Igreja em Roma e no episcopado se reorientarem na direção do Evangelho.

Um dos poucos brilhos de esperança foi a atitude do papa contra a guerra do Iraque e a guerra em geral. O papel do papa polonês na ajuda à queda da União Soviética também foi enfatizada e com razão. Mas foi pesadamente exagerada pelos propagandistas papais.

Além do mais, o regime soviético não fracassou por causa do papa (antes da chegada de Mikhail Gorbachev, o papa estava conquistando tão pouco quanto conquistou atualmente na China), mas implodiu por causa da estrutura do sistema econômico e das contradições sociais soviéticas.

Karol Wojtyla não foi o maior, mas certamente o mais contraditório papa do século 20. Um papa de grandes dons e muitas decisões erradas. Sua política externa exigia a conversão do resto do mundo. Mas isso foi fortemente contradito por sua ‘política interna’, orientada para a restauração do status quo pré-concílio, obstruindo a reforma, negando o diálogo dentro da Igreja e impondo o domínio romano absoluto. Essa inconsistência é evidente em muitas áreas. Apesar de reconhecer os lados positivos deste pontificado, gostaria de centrar o foco nas nove contradições mais evidentes.

DIREITOS HUMANOS

Aparentemente, João Paulo II apoiou os direitos humanos, apesar de afastá-los dos bispos, teólogos e especialmente das mulheres. O Vaticano ainda tem de assinar a Declaração de Direitos Humanos, mas muitos cânones da lei da Igreja absolutista da Idade Média teriam de ser corrigidos antes. O conceito da separação de poderes, o marco de toda a prática legal, é desconhecido na Igreja. Nas disputas, uma única agência do Vaticano funciona como legislador, promotor e juiz.

Consequência: um episcopado servil e condições legais intoleráveis.

O PAPEL DAS MULHERES

O grande devoto da Virgem Maria pregava um conceito nobre de feminilidade, mas proibia mulheres de praticar controle de natalidade e de ser ordenadas.

Consequência: uma diferença entre conformismo externo e autonomia de consciência interna. Isso leva a um êxodo crescente entre essas mulheres que até então tinham se mantido fiéis à Igreja.

MORAL SEXUAL

Este papa, apesar de pregar contra a pobreza e a indigência, tornou-se parcialmente responsável por essa indigência com suas atitudes em relação ao controle de natalidade e ao crescimento demográfico.

Durante suas muitas viagens e na Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, João Paulo II declarou sua oposição à pílula e à camisinha. Mais que qualquer outro estadista, o papa pode ser considerado parcialmente responsável pelo crescimento populacional descontrolado em alguns países e a disseminação da aids na África.

Conseqüência: Mesmo em países tradicionalmente católicos, o papa e a rigorosa moral sexual da Igreja são rejeitadas.

CELIBATO DOS PADRES

Ao propagar a tradicional imagem do celibato no sacerdócio, Wojtyla pode ser responsabilizado pela catastrófica falta de padres, o colapso do bem-estar espiritual em muitos países e os vários escândalos de pedofilia que a Igreja não consegue mais esconder.

O casamento ainda é proibido para os homens que concordaram em se devotar à vida religiosa. Esse é apenas um exemplo de como o papa ignorou os ensinamentos da Bíblia e a grande tradição católica do primeiro milênio, que não exigia que os padres fizessem voto de celibato. Se alguém é obrigado a passar sua vida sem mulher e filhos, há grande risco de que a saudável integração da sexualidade vá falhar, o que pode levar a atos de pedofilia, por exemplo. Conseqüência: Em breve, quase dois terços das paróquias vão ficar sem sacerdotes e celebrações regulares da eucaristia.

MOVIMENTO ECUMÊNICO

O papa gostava de ser visto como um porta-voz do movimento ecumênico. Prejudicou, porém, as relações do Vaticano com igrejas ortodoxas e protestantes e se recusou a reconhecer seus escritórios eclesiásticos e serviços de comunhão.

O papa podia ter atendido ao conselho de várias comissões de estudos ecumênicos e seguir a prática de muitos sacerdotes locais reconhecendo a comunhão nas igrejas não católicas. Ele podia ter amenizado a atitude totalitária e medieval do Vaticano em relação às igrejas do Leste Europeu e às protestantes e podia ter suspendido a política de enviar bispos católicos romanos a regiões dominadas pela Igreja Russa Ortodoxa.

O papa podia ter feito essas coisas, mas não quis. Quis preservar e até expandir o sistema de poder romano. E recorreu a expedientes duvidosos: a política de poder e prestígio de Roma foi dissimulada por discursos ecumênicos grandiloqüentes e gestos vazios.

Consequência: o entendimento ecumênico foi obstruído depois do Vaticano II e as relações com as igrejas ortodoxa e protestante foram oneradas numa extensão estarrecedora. Esse papado, como seus predecessores nos séculos 11 e 16, mostrou ser o maior obstáculo à unidade entre as igrejas cristãs na liberdade e diversidade.

POLÍTICA PESSOAL

Como um bispo sufragâneo (subordinado a um arcebispo) e mais tarde arcebispo da Cracóvia, Wojtyla participou do Concílio Vaticano II. Mas, como papa, com suas ‘políticas internas’, traiu o concílio numerosas vezes. Em vez de usar as palavras do programa conciliatório ‘atualização, diálogo e colegialidade’, o que é válido agora na doutrina e na prática é ‘restauração, magistério, obediência, re-romanização’. Os critérios para nomear um bispo não são o espírito do Evangelho nem a abertura de mente pastoral, mas sim ser absolutamente leal a Roma.

Consequência: Um episcopado em grande parte medíocre, ultraconservador e servil é possivelmente o mais grave legado desse pontificado excessivamente longo. As multidões de católicos que o aplaudem nas manifestações mais bem encenadas não devem dar margem a enganos: milhões abandonaram a Igreja sob este pontificado ou se retiraram da vida religiosa contrariados.

CLERICALISMO

O papa polonês passava a imagem de um representante profundamente religioso da Europa cristã, mas suas aparições triunfantes e suas políticas reacionárias promoveram hostilidade à Igreja e até aversão ao cristianismo.

Na campanha de evangelização papal, centralizada numa moralidade sexual em descompasso com a época, as mulheres, em particular, que não compartilham da posição do Vaticano em questões controversas, como controle da natalidade, aborto, divórcio e inseminação artificial, são desmerecidas como promotoras de uma ‘cultura da morte’. Como resultado de suas intervenções, a Cúria Romana passou a impressão de que tem pouco respeito pela separação entre Igreja e Estado. De fato, o Vaticano também tentou exercer pressão sobre o Parlamento Europeu, exigindo a nomeação de especialistas em questões relacionadas à legislação sobre o aborto que sejam especialmente leais a Roma, por exemplo. Em vez de entrar na corrente central social e apoiar soluções razoáveis, a Cúria alimentou a polarização entre os movimentos pró-vida e pró-escolha, entre moralistas e livre-pensadores.

Conseqüência: A política clericalista de Roma fortaleceu a posição dos anticlericalistas dogmáticos e ateus fundamentalistas.

JOVENS NA IGREJA

Na qualidade de comunicador carismático e astro da mídia, este papa foi atraente para os jovens, mesmo em sua idade avançada. Mas ele obteve isso recorrendo em grande parte aos ‘novos movimentos’ conservadores de origem italiana, o movimento Opus Dei espanhol e um público fiel acrítico.

Tudo isso era sintomático da abordagem do papa ao lidar com o público leigo e de sua incapacidade de conversar com seus críticos.

Os grandes eventos juvenis patrocinados pelos novos movimentos leigos e supervisionados pela hierarquia da Igreja atraem centenas de milhares de jovens, muitos bem-intencionados, mas poucos críticos. Numa época em que carecem de figuras de liderança convincentes, o magnetismo pessoal de ‘João Paulo Superstar’ era mais importante que seus discursos.

Seguindo seu ideal de uma Igreja uniforme e obediente, o papa via o futuro da instituição quase exclusivamente nesses movimentos leigos facilmente controláveis e conservadores. Isso incluiu o distanciamento do Vaticano da ordem jesuíta, voltada para as doutrinas do Vaticano II. Preferidos por outros papas, os jesuítas, por causa de suas qualidades intelectuais, de sua teologia crítica e de suas opções teológicas liberais, passaram a ser vistos como um obstáculo à política da restauração papal.

No lugar deles, Karol Wojtyla depositou sua total confiança no movimento Opus Dei, grupo financeiramente poderoso e influente, mas antidemocrático e fechado. De fato, conferindo status legal especial ao Opus Dei, o papa até mesmo tornou a organização isenta da supervisão dos bispos.

Consequência: jovens de igrejas e congregações (à exceção dos coroinhas) normalmente ficam longe dos grande encontros juvenis. Organizações juvenis católicas que divergem do Vaticano são enfraquecidas quando bispos locais, sob ordens de Roma, suspendem seu financiamento.

PECADOS DO PASSADO

Apesar de ter se obrigado, em 2000, a fazer uma confissão pública das transgressões históricas da Igreja, João Paulo II não levou a iniciativa a quase nenhuma conseqüência prática. A confissão bombástica dos erros da Igreja, encenada com cardeais na Catedral de São Pedro, permaneceu vaga e ambígua. O papa apenas pediu perdão pelas erros dos ‘filhos e filhas’ da Igreja, mas não pelos erros dos ‘Santos Padres’ e da ‘própria Igreja’.

O papa nunca comentou as relações da Cúria com a Máfia e na verdade contribuiu mais para esconder do que para revelar escândalos e crimes. O Vaticano também tem sido extremamente lento para processar escândalos de pedofilia envolvendo o clero.

Consequência: a tímida confissão papal não teve conseqüências, pois não produziu ações, apenas palavras.

Para a Igreja Católica, este pontificado, apesar de seus aspectos positivos, no geral mostrou ser uma grande decepção e, no fim das contas, um desastre. Como resultado de suas contradições, este papa dividiu a Igreja, afastou-a de inúmeras pessoas e a mergulhou numa crise memorável - uma crise estrutural que, depois de um quarto de século, agora revela déficits fatais em termos de desenvolvimento e uma tremenda necessidade de reforma.

Contra todas as intenções do Concílio Vaticano II, o sistema romano medieval - caracterizado por traços totalitários - foi restaurado graças a uma política pessoal e doutrinal astuta e impiedosa: os bispos foram uniformizados; os padres espirituais, sobrecarregados; os teólogos, postos no cabresto; os leigos, privados dos seus direitos; as mulheres, discriminadas; as iniciativas populares dos sínodos nacionais e das igrejas, ignoradas. E a listagem continua: proibições de discussões, domínio litúrgico, proibição dos teólogos leigos de pregarem, exortação à denúncia, impedimento da eucaristia. De tudo isso será, porventura, culpado ‘o mundo’? Se o próximo papa continuar as políticas deste pontificado, apenas reforçará um enorme acúmulo de problemas e transformará a atual crise estrutural da Igreja numa situação insolúvel. O novo papa precisa apoiar uma mudança de curso e inspirar a Igreja a tomar novos rumos - no espírito de João XXIII e de acordo com o ímpeto de reforma trazido pelo Concílio Vaticano II.

O teólogo brasileiro LEONARDO BOFF, um dos teóricos da Teologia da Libertação, foi outra vítima da implacável perseguição imposta por João Paulo II em seu pontificado, quando, cinco anos depois da cassação de HANS KÜNG, no dia 3 de setembro de 1984 receberia punição semelhante, por criticar a estrutura da igreja no livro “Igreja, Carisma e Poder”.

Abaixo vai um artigo do teólogo publicado em 07 de abril de 2005 pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, em que também se verifica uma crítica severa ao pontificado de João Paulo II:

UM ATRASO NO AJUSTE DE CONTAS DA IGREJA

LEONARDO BOFF*

O pontificado de João Paulo II foi longo e complexo. Só lhe faremos justiça se o considerarmos dentro de um amplo marco de temas que desde há muito preocupam a Igreja.

Qual é a característica fundamental desse papado? A restauração e o retorno à grande disciplina. João Paulo II não se caracterizou pela reforma e sim pela contra-reforma. Representou a tentativa de deter um processo de modernização que irrompeu na Igreja desde os anos 1960 e que estava interessando a todo o cristianismo. Deste modo, atrasou o ajuste de contas que a Igreja está fazendo em relação a dois graves problemas que a martirizam há quatro séculos.

O primeiro está ligado ao surgimento de outras igrejas como conseqüência da Reforma Protestante do século 16, que fraturou a unidade da Igreja Católica Romana e a obrigou a tolerar outras igrejas que interpretava como cismáticas e heréticas.

A segunda grande questão deriva da modernidade das luzes, com o surgimento da razão, da ciência e da tecnologia, das liberdades civis e da democracia. Essa nova cultura colocava em xeque a revelação da qual a Igreja se sente portadora exclusiva e denunciava a forma em que a Igreja se organiza institucionalmente: como uma monarquia absolutista espiritual em contradição com a democracia e a vigência dos direitos humanos.

Com relação às igrejas evangélicas, a estratégia do Vaticano apontava para a reconversão a fim de restaurar a antiga unidade eclesiástica sob a autoridade do papa. Para com a sociedade moderna, a relação era de crítica e condenação de seu projeto de emancipação e secularização com vistas a recriar a unidade cultural sob a égide dos valores morais cristãos.

As duas estratégias fracassaram. As outras igrejas cresceram e se afirmaram em todos os continentes. A sociedade moderna com suas liberdades, sua ciência e sua técnica converteu-se no paradigma para o mundo inteiro. A Igreja Católica viu-se transformada num bastião de conservadorismo religioso e autoritarismo político.

Foi obra do bom senso e da ousadia de um papa, João XXIII, a convocação de um Concílio Ecumênico para enfrentar valentemente aquelas duas questões não resolvidas. Efetivamente, o Concílio Vaticano II (1962-65) assumiu como lema não mais o anátema, mas a compreensão, não mais a condenação, mas o diálogo. Com respeito às outras igrejas, inaugurou o diálogo ecumênico que pressupõe a aceitação da existência de outras igrejas. Com respeito ao mundo moderno, colocou-se uma reconciliação com as esferas do trabalho, da ciência, da técnica, das liberdades e da tolerância religiosa.

Mas ainda faltava o terceiro ajuste de contas: com os pobres, que são a grande maioria da humanidade. Foi mérito da Igreja latino-americana recordar que não existe somente um mundo moderno desenvolvido, mas também um mundo subdesenvolvido que suscita uma pergunta incômoda: como anunciar Deus como Pai num mundo de miseráveis? Só tem sentido anunciar Deus como Pai se formos capazes de tirar os pobres da miséria, se convertermos essa realidade má em boa. É precisamente o que fizeram os setores mais dinâmicos na América Latina, animados por alguns profetas, como Hélder Câmara. A ordem era a opção pelos pobres e contra a pobreza. A virada incentivou muitos cristãos a ingressar nos movimentos sociais de libertação e até em frentes armadas, enquanto numerosos bispos e cardeais assumiram um papel destacado no combate às ditaduras militares e na defesa dos direitos humanos, entendidos principalmente como direitos dos pobres.

João Paulo II foi eleito papa quando estava em curso esse processo. Seu pontificado se situou desde o começo na contracorrente dessas tendências que eram dominantes. Seguramente foram determinantes em sua postura sua origem polonesa e os círculos da Cúria Romana, marginalizados, mas não derrotados pelo Concilio Vaticano II. Em Roma, o novo papa se encontrou com a burocracia vaticana, conservadora por natureza, que pensava o mesmo que ele. Estabeleceu-se assim um bloqueio histórico poderoso papacúria com a meta de impor a restauração da identidade e a antiga disciplina.

As condições pessoais de João Paulo II conseguiram realizar da melhor maneira esse projeto, graças à sua figura carismática, à sua inegável irradiação, à sua habilidade de dramatização midiática.

Para realizar seu desígnio de restauração, dotou-se de instrumentos adequados. Reescreveu o direito canônico para que enquadrasse toda a vida da Igreja, fez publicar o Catecismo Universal da Igreja Católica e com isso oficializou o pensamento único dentro da Igreja. Tirou poder de decisão do Sínodo de Bispos, submetendo-o totalmente ao poder papal, assim como limitou o poder das conferências continentais de bispos, das conferências nacionais episcopais, das conferências de religiosos nos níveis nacional e internacional, marginalizou o poder de participação decisória dos leigos e negou plena cidadania eclesial às mulheres, relegadas a funções secundárias, sempre longe do altar e do púlpito.

Junto com seu principal assessor, o cardeal Joseph Ratzinger, o papa professava uma visão agostiniana da historia, para a qual o que realmente conta é somente o que passa pela mediação da Igreja, portadora da salvação sobrenatural. Segundo essa visão, o que passa pela mediação dos homens e da história não alcança a altura divina e é insuficiente perante Deus.

Essa postura o induziu a uma fundamental incompreensão da teologia latino-americana da libertação. Esta afirma que a libertação deve ser obra dos próprios pobres. A Igreja é somente uma aliada que reforça e legitima a luta dos pobres. Para o cardeal Ratzinger, essa libertação é meramente humana e carente de relevância sobrenatural. É preciso destacar que o papa teve uma visão curta e simplista desse tipo de teologia, que interpretou com a lógica de seus detratores e, hoje o sabemos, a partir das informações que a CIA lhe entregava, particularmente sobre a influência dos teólogos da libertação na América Central. A interpretou como um cavalo de Tróia do marxismo que ele era obrigado a denunciar, em razão da experiência adquirida sobre o comunismo em sua Polônia natal. Convenceu-se de que o perigo na América Latina era o marxismo, quando o verdadeiro perigo sempre foi o capitalismo selvagem e colonialista com suas elites antipopulares e retrógradas.

Em João Paulo II prevalecia a missão religiosa da Igreja e não sua missão social. Se tivesse dito ‘vamos apoiar os pobres e comprometer a Igreja com as reformas em nome do Evangelho e da tradição profética’, outro teria sido o destino político da América Latina. Pelo contrário, organizou a restauração conservadora em todo o continente: afastou bispos proféticos e designou bispos distanciados da vida do povo, fechou instituições teológicas e sancionou seus docentes.

Houve uma grande contradição entre as atitudes do papa e seus ensinamentos. Para fora, se apresentava como um paladino do diálogo, das liberdades, da tolerância, da paz e do ecumenismo; pediu perdão em várias ocasiões pelos erros e condenações eclesiásticas no passado; reuniu-se com líderes de outras religiões para rezar, unidos, pela paz mundial. Mas, dentro da Igreja, calou o direito de expressão, proibiu o diálogo e produziu uma teologia com fortes tons fundamentalistas.

O projeto político-eclesiástico assumido pelo papa não resolveu os problemas que se havia colocado com relação à Reforma, à modernidade e à pobreza. Antes os agravou, atrasando um verdadeiro ajuste de contas.

As limitações de seu estilo de governo da Igreja não impediram que João Paulo II alcançasse a santidade pessoal em um grau eminente. Assim foi, no marco de uma religião ‘à antiga’ com grande devoção aos santos e, em especial, à Nossa Senhora, às relíquias e aos lugares de peregrinação. Foi homem de profunda oração. Às vezes, ao orar, se transfigurava e empalidecia, outras vezes gemia e vertia lágrimas. Uma vez o surpreenderam em sua capela particular estendido no solo em forma de cruz, como em êxtase, à semelhança dos iluminados espanhóis do século 16.

A quem cabe a última palavra? À história e a Deus. Nós só poderemos aceder à história, que nos dirá qual foi seu real significado para o cristianismo e para o mundo nesta fase de mudança de paradigmas e de mudança de milênio.

*Leonardo Boff, teólogo da libertação, em 1985 foi punido com um ano de ’silêncio obsequioso’ e deposto de suas funções editoriais e acadêmicas no campo religioso pelas autoridades doutrinais do Vaticano. Texto retirado do site da Agencia de Información Fray Tito para América Latina (Adital), de 4 de abril de 2005.

Por fim, segue abaixo um artigo publicado pelo “The New York Times” em que seu autor, Thomas Cahill, em tom desolador, chega a afirmar que João Paulo II destruiu a Igreja:

ELE FOI QUASE O PÓLO OPOSTO DE JOÃO XXIII

Thomas Cahill*

Com a mídia mergulhada em homenagens à grandeza do papa João Paulo II, não é hora de perguntar a que tradição ele pertencia? Partidários não familiarizados com a história cristã podem achar a pergunta estranha, já que ele pertencia à tradição católica. Mas não há uma única tradição católica; há, ao contrário, tradições católicas, que vão da pobreza voluntária de São Francisco de Assis à ambição dos papas de Avignon, da tolerância pela diversidade do papa Gregório, o Grande, no século 6.º, à arrogância do papa Pio IX, no século 19, da clandestinidade e dos complôs da Opus Dei à abertura da comunidade de Santo Egídio. Em seus 2 mil anos de história, o catolicismo foi terreno fértil para uma variedade de tradições papais.

Apesar de sua escolha de nome, João Paulo II pouco tinha em comum com seus predecessores. João Paulo I durou pouco mais de um mês, mas nesse período fomos apresentados a um italiano de tendências moderadas, alguém que, antes de sua eleição, parabenizou os pais do primeiro bebê de proveta do mundo - um gesto que não repercutiu bem entre os fundamentalistas da Igreja, que ainda insistem em combater tudo o que vá de encontro à natureza.

Paulo VI, embora cauteloso, permitiu a indicação de bispos que fossem o contrário de aduladores, defensores dos pobres e representantes das partes do mundo de onde vieram, como o cardeal Joseph Bernardin, de Chicago, que no fim de sua vida lutou por espaço em uma Igreja marcada pela divisão. Em compensação, o cardeal Bernard Law, de Boston, reprimiu Bernardin por esse esforço, uma vez que a Igreja sabe a verdade e, portanto, está isenta de algo indigno como o diálogo. Law, que se demitiu depois da revelação de que havia permitido que padres acusados de abuso sexual ficassem na Igreja, não informando o fato nem à polícia nem à comunidade, deve ser considerado o típico representante de João Paulo II - cioso da Igreja, mas muitas vezes negligente em relação às exigências morais para proteger e cuidar de seres humanos.

João Paulo II foi quase o oposto de João XXIII, que levou o catolicismo a confrontar as realidades do século 20 depois das políticas retrógradas de Pio IX, que impôs a infalibilidade papal no Concílio Vaticano I, em 1870, e depois do reinado de terror imposto por Pio X aos teólogos no início do século 20. Infelizmente, este papa estava muito mais próximo das tradições de Pio IX e Pio X do que de seus homônimos.

Em vez de minimizar os absurdos da infalibilidade do Vaticano I, uma declaração que tinha origem na paranóia de Pio IX, João Paulo II tentou ir além com ela. Ao procurar impor conformidade de pensamento, ele intimou teólogos importantes como Hans Küng, Edward Schillebeeckx e Leonardo Boff ao protagonizar inquéritos espetaculares e fez seu grande inquisidor, o cardeal Joseph Ratzinger, divulgar condenações de seus trabalhos.

Mas o legado mais duradouro de João Paulo II ao catolicismo virá das suas indicações episcopais. Para ser indicado a bispo, um padre deve ser contrário a masturbação, sexo antes do casamento, controle de natalidade (incluindo as camisinhas usadas para prevenir a disseminação da aids), aborto, divórcio, relações homossexuais, padres casados, sacerdotes mulheres e qualquer sinal de marxismo. É quase impossível encontrar homens que concordem inteiramente com esse catálogo pleno de certezas; como resultado, os quadros do episcopado estão repletos de lacaios ignorantes e incompetentes intelectuais. Os bons padres foram relegados; e não foram poucos, em sua frustração com o pontificado de João Paulo II, a buscar preenchimento em outro lugar.

A situação é sombria. Qualquer um pode entrar em uma igreja no domingo e ver os bancos, antes repletos, hoje esparsamente ocupados por cabeças brancas. E não há outra solução a não ser começar de novo, como se fosse a Igreja das catacumbas, a seita minoritária em um mundo de crueldade que reuniu seguidores porque era muito diferente da sociedade em torno.

Naquela época, a Igreja chamava a si mesma pela palavra grega ekklesia, usada pelos gregos para sua assembléia aberta, a primeira democracia participativa do mundo. (O apóstolo Pedro, a quem o Vaticano concede o título de primeiro papa, era um dos muitos líderes da Igreja primitiva, tão distante de um monarca absolutista quanto podia ser, um homem cuja característica mais visível era a humilde confissão de que ele estava errado.) Ao usar a palavra, os primeiros cristãos queriam enfatizar que sua sociedade agia não movida pelo poder político, mas pelo poder do amor.

Mas eles foram muito além dos atenienses, por permitir que todos participassem sem restrições: cidadãos e não-cidadãos, gregos e não-gregos, patriarcas e mulheres submissas. Porque, como repetia São Paulo: ‘Fomos todos batizados em Cristo para formar um só corpo: judeus e gregos, escravos e homens livres, homens e mulheres.’ Tristemente, João Paulo II representou uma tradição diferente, de papado agressivo. Onde João XXIII queria mostrar a validade dos ensinamentos em vez de lançar condenações, João Paulo II foi um condenador entusiasmado. Sim, ele certamente será lembrado como uma das personalidades políticas de sua era, um homem de coragem física e moral mais responsável do que qualquer outro por trazer abaixo o opressivo comunismo do Leste Europeu. Mas ele não era uma grande personalidade religiosa.

Como poderia ser? Ele pode, no futuro, ser creditado como o homem que destruiu a Igreja.

* Thomas Cahill é autor de Como os Irlandeses Salvaram a Civilização, Papa João XXIII e O Desejo das Colinas Eternas, publicados no Brasil pela Objetiva.

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Bento XVI e o obscurantismo

Malu de Bicicleta

6 de agosto de 2009 2:53 pm

No blog do Marcelo Rubens Paiva consta o seguinte post de 27 de julho de 2009, em que ele dá notícia da maneira pela qual David Peixoto foi contratado como fotógrafo das filmagens de Malu de Bicicleta:

MARCELO RUBENS PAIVA: “Estou no RIO, acompanhando as filmagens de MALU DE BICICLETA, meu livro que vira filme [roteiro meu]. E também em reuniões de leitura de outro roteiro meu, E AÍ, COMEU?, baseado na minha peça do mesmo nome.

Aliás, as fotos abaixo, de MARCELO SERRADO e FERNANDA FREITAS, que faz a MALU, surgiram neste blog. Explico.

Quando contei aqui da pré-produção de MALU DE BICICLETA, o David Peixoto, de Curitiba, colocou um comentário dizendo que queria fazer o still do filme- fotos para divulgação e continuidade. Pediu os contatos da produção.

Achei que eles já tivessem contratado um cara, mas não. Chamaram o David, e ele acompanha as filmagens, foi contratado. É isso aí, sorte e cara-de-pau, são as variáveis das oportunidades. Olha o trabalho do cara, elogiado pelo diretor [Flávio Tambellini]. Maneiríssimo, como se diz por aqui.

Este blog serviu para algo, enfim, além de estimular a pegação entre os leitores que postam comentários.”

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Antes de ver o filme, leia o livro:

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Bang Bang

11:37 am

Dorival Caymmi

5 de agosto de 2009 1:11 pm

Post e dica surrupiados do Blog “Qué um pente?“:

“O MAR QUANDO QUEBRA NA PRAIA É BONITO, É BONITO…”

A vida e a obra dos 70 anos de carreira do saudoso Dorival Caymmi agora disponíveis em site oficial.

Aquele que melhor descreveu a paz da beira da praia num completo acervo digital: http://www.dorivalcaymmi.com.br/

Vale a pena acessar!

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Ontem em Florianópolis

4 de agosto de 2009 8:54 pm

No Emporium Bocaiúva:

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Juliana

Juliana

Com Orides Mezzaroba

Com Orides Mezzaroba

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Aires Rover

Aires Rover

Aires e Juliana

Aires e Juliana

Orides, Aires e Juliana

Orides, Aires e Juliana

Vista do Hotel Majestic:

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Revista IdeaFixa - Cinema

8:20 pm
No ar a nova edição da Revista IdeaFixa:

Amanhã em São Paulo - Sarau Satyros

7:29 pm

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Bar Esperança - o Último que Fecha

2 de agosto de 2009 11:27 pm

Cena antológica com Antônio Pedro e Hugo Carvana:

PASSARINHO - Já sei, tás aí fazendo caras de intelectual fingindo que tem vida interior intensa, né? Vocês não passam de uma caganita humana que se vende pra televisão.
ZECA - Poupa meu saco, Passarinho … Eu já me despedi da tevê.

PASSARINHO - Já sei, tás aí fazendo caras de intelectual independente fingindo que tem peito pra saltar fora do sistema, né? Não passas de um chefe de família burguesa e oportunista.
ZECA - Eu me separei da minha mulher, Passarinho. Vê se me esquece, tá?
PASSARINHO - Já sei, tás agora fazendo caras de intelectual liberado e homem vivido, aberto a novas experiências sexuais reichanas, né? Não passas de um machão latino, devasso, castrado e castrador.
ZECA - Ô, Passarinho, te conheço há vinte e cinco anos. Se você é meu amigo me deixa em paz aqui com a minha birita.
PASSARINHO - Já sei, fazendo caras de intelectual com grandes problemas existenciais que aparecerão na sua própria peça de teatro, né? Sou teu amigo, mas você continua sendo um bundão.
ZECA - (Explodindo) Ô Passarinho, poupa-me da tua amizade, tá? Poupa-me da sua amizade!!!
PASSARINHO - Já sei, fazendo caras de intelectual de geração perdida, fingindo que é agressivo e vingador, né? Seu Hemingway de merda!
ZECA - Que praga, você, Passarinho … Eu tenho que sair daqui, sumir, desaparecer, não aguento mais! Vocês todos!
PASSARINHO - Já sei, fazendo agora caras de intelectual marginal e metido a ecologista, anarquista, fingindo de feminista, livre e selvagem, né?
ZECA - Porra, não há guarda chuva contra você, hein, Passarinho?!
PASSARINHO - Já sei, citando poema de João Cabral de Melo Neto pra posar de sensível e bem informado, né, ô babaca?!
ZECA - Já entendi. Só tem uma saída. Há anos você provoca isso. Vamos sair na porrada! (Pessoas em volta vendo a discussão e o desafio)
PASSARINHO - Já sei, posando de intelectual que toma resoluções dostoievskyanas e vitais, ô babaca?!
ZECA - Mas não vamos brigar aqui no bar, não. Aqui tem a turma do deixa-disso e separa a briga. Vamos num lugar deserto, sair na porrada firme, até um dos dois não aguentar mais levantar do chão. Vamos lá! Agora vamos lá! (Pessoas olham, não sabem se intervêm ou não, deixam-nos sair) (Zeca já empurrando Passarinho para fora do bar).
PASSARINHO - Já sei, fazendo caras de cowboy contido e valente que explode, né, ô “John Wayne” babaca?! Zeca andando firme e decidido, Passarinho atrás dele. Andam por várias ruas. Param. Olham-se desafiadores.
ZECA - Não, aqui não. Ainda tem gente que pode separar a briga. Quero te arrebentar num lugar sossegado! Zeca anda mais apressado e decidido. Passarinho o segue (Andam por outras ruas. Às vezes param, olham-se com ódio, seguem) (Chegam à praia. Os dois param. Planos gerais dos dois na praia deserta. Eles pulam para a areia. Andam em direção ao mar. Param).

ZECA - Então é isso mesmo, né, Passarinho? Passarinho olha Zeca na defensiva.
ZECA - Como é que é? É porrada mesmo que você procura? Passarinho olha Zeca na defensiva.
ZECA - Como é que é, ô porra? Passarinho calado, na defensiva.
ZECA - Você é um fascistinha de merda. Cadê tua agressividade agora? (Vai se exasperando) Como é que é? Olha não dá pra te arrebentar assim a frio. Me dá uma porrada na cara! Pra me subir o sangue! Vai! (Expõe a cara) Dá! Dá uma porrada na minha cara! (Passarinho olha-o sério). Porra, você não é ninguém (Zeca explode) É uma cabeça fascistinha rondando pelos bares! (Zeca chuta areia, há uma cesta de lixo preto, Zeca corre e chuta o lixo, chuta muitas vezes, tenta destruir a cesta de metal. Não consegue. Machuca-se. (Zeca está transtornado). Você é um merda. Eu sou um merda, isso aqui tudo é um imenso cagalhão! Tudo isso é fraude, é mentira, é hipocrisia - vocês, nós todos, vocês pensam uma coisa, falam outra e fazem uma terceira! Tudo bundão! Todos nós somos uns bundões! Chega de mentir! Tudo bundão mentiroso! Nós somos a caricatura de nós mesmos! O mar. A voz de Zeca aos gritos. Volta Passarinho, perplexo, olha Zeca que chora desesperado, na areia, no meio do lixo da lata. Fica um tempo assim. Passarinho tenta fazer um gesto de se aproximar de Zeca, mas é incapaz. Plano geral. Os dois parados na praia entre o mar e os edifícios. Ao longe os soluços de Zeca. Volta plano próximo. Zeca se recompõe.
ZECA - Troço mais ridículo … Quanta babaquice … Tudo babaquice, caricatura … Zeca se aproxima de Passarinho, de repente. Passarinho assusta-se e faz um gesto de defesa. Zeca ri.
ZECA - Não é nada não, ô meu irmão em babaquice. É só pra evitar o vexame. Todo mundo viu a gente sair pra brigar. Então vamos voltar com cara de quem brigou. Zeca - despenteia Passarinho aos tapas, rasga-lhe a camisa, abre e decompõe sua própria camisa e seu próprio cabelo.
ZECA - Vamos embora, que você não é nada. Andam de volta à calçada. Calados. Sobem a calçada.
PASSARINHO - Já sei, agora estás fazendo caras de intelectual desesperado que não tem nada a perder na vida … Zeca olha-o com ódio. Depois começa a rir, gargalhadas, morre de rir. Passarinho olha-o sério. Zeca, chorando de tanto rir, abraça Passarinho e vão os dois, bêbados, atravessando a Vieira Souto, de volta.
ZECA (Às gargalhadas) É … Vamos voltar pro bar, mesmo. É o nosso refúgio …