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Passaportes

23 de fevereiro de 2015 5:00 pm

Meu passaporte atual e o do meu filho, Pedro, estão prestes a vencer. Sinal de que teremos que enfrentar trâmites burocráticos para a obtenção de um novo documento, o que importa em preenchimento de formulários, obtenção de fotos novas, pagamento de taxas e, provavelmente, enfrentamento de alguma fila nos corredores da repartição pública responsável por sua emissão – creio que ainda seja a Polícia Federal –  essas coisas chatas que nos tomam tempo precioso de nossas vidas.

Diante dessa empreitada enfadonha que se avizinha, fui pegar nossos passaportes atuais em minha caixa de documentos e aí comecei a fuçar as coisas lá de dentro, e entre elas me deparei com meus outros três passaportes já vencidos, e ato contínuo comecei a folhear todos eles.

Cada carimbo estampado no papel me remetia à memória das viagens que fiz e dos bons momentos de cada uma delas, a companhia de minha mãe, de meu pai, de minha irmã, de amigos e amigas, de namoradas, (ex)noiva e (ex)esposa, enfim, das muitas experiências vividas e das histórias que não podem ser transportadas nem em bagagens e muito menos em carimbos lançados por autoridades aduaneiras em cada fronteira cruzada.

Interessante que nesse momento aborrecido de busca de documentos pude me desligar por alguns instantes da rotina diária e, diante de um objeto tão frio e burocrático por excelência, fui transportado para os recônditos da memória e lá me deixei ficar em devaneios líricos e também melancólicos, somente interrompidos quando o telefone tocou, sempre ele a nos trazer de volta à vida, ou será que dela nos extrair?

Abaixo os passaportes e suas fotos, validades, vistos, carimbos; vida!

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De volta ao lar, tentei retomar aquele momento mágico, mas sua intensidade não foi recuperada e nem a descrição acima pôde representar aquele momento; não tenho o dom da escrita de descrição pormenorizada, ainda mais quando se trata de narrativa sentimental, talento esse somente reservado aos grandes poetas.

E por falar neles, nesse instante me veio à memória e fiz questão de ouvir duas canções que tratam de nossos encontros e desencontros e das consequências do ritmo muitas vezes frenético a que nos submetemos em nossas preciosas existências.

Sinal Fechado (Paulinho da Viola)

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo…
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa – é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos…Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é…quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas…
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone – Eu preciso beber alguma coisa
rapidamente…
– Pra semana…
– O sinal…
– Eu procuro você…
– Vai abrir, vai abrir…
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço…
– Por favor, não esqueça, não esqueça…
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!

Amigo é pra essas coisas (Silvio Silva Júnior/Aldir Blanc)

– Salve!
– Como é que vai?
– Amigo, há quanto tempo!
– Um ano ou mais…
– Posso sentar um pouco?
– Faça o favor
– A vida é um dilema
– Nem sempre vale a pena…
– Pô…
– O que é que há?
– Rosa acabou comigo
– Meu Deus, por quê?
– Nem Deus sabe o motivo
– Deus é bom
– Mas não foi bom pra mim
– Todo amor um dia chega ao fim
– Triste
– É sempre assim
– Eu desejava um trago
– Garçom, mais dois
– Não sei quando eu lhe pago
– Se vê depois
– Estou desempregado
– Você está mais velho
– É
– Vida ruim
– Você está bem disposto
– Também sofri
– Mas não se vê no rosto
– Pode ser…
– Você foi mais feliz
– Dei mais sorte com a Beatriz
– Pois é
– Pra frente é que se anda
– Você se lembra dela?
– Não
– Lhe apresentei
– Minha memória é fogo!
– E o l´argent?
– Defendo algum no jogo
– E amanhã?
– Que bom se eu morresse!
– Prá quê, rapaz?
– Talvez Rosa sofresse
– Vá atrás!
– Na morte a gente esquece
– Mas no amor agente fica em paz
– Adeus
– Toma mais um
– Já amolei bastante
– De jeito algum!
– Muito obrigado, amigo
– Não tem de quê
– Por você ter me ouvido
– Amigo é prá essas coisas
– Tá…
– Tome um cabral
– Sua amizade basta
– Pode faltar
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará

O abecedário do misterioso Fernando Pessoa

14 de junho de 2010 9:04 pm

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MARTINS, Fernando Cabral. Dicionário de fernando pessoa e do modernismo. São Paulo: Leya Brasil, 2010.

Dicionário sobre o modernismo português que será lançado amanhã se baseia na vida do poeta lisboeta

Por Ubiratan Brasil
O Estado de São Paulo

Hoje são lembrados os 122 anos de nascimento do escritor português Fernando Pessoa – e, por que não?, também de Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, seus famosos heterônimos, seus poetas inventados. Assim desdobrado em vários, Pessoa conseguiu confundir a relação entre autoria e personalidade, vida e obra, sentimento e expressão. Atento a essa complexa rede armada pelo poeta que, à medida que experimentava na escrita também buscava a própria voz, o pesquisador e crítico Fernando Cabral Martins organizou o Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, portentoso volume que a editora Leya lança amanhã.

São mais de 600 artigos reunidos escritos por estudiosos renomados (como a brasileira Leyla Perrone-Moisés e o americano Richard Zenith) em quase mil páginas que, a partir da obra do poeta, contextualizam aquele movimento literário em Portugal, que não apenas modificou as artes mas a sociedade como um todo. O ponto de partida é a data da primeira aparição pública de Pessoa, 1912, e ruma até o ano de sua morte, 1935. Nesse período, ele se relacionou com ciência, alquimia, linguística e outras matérias.

O fruto dessa interação resultou em poesia, ficção, teatro, filosofia e teoria, que revelam a descoberta de obsessões que lhe marcaram toda a obra. E, por extensão, caracterizam com solidez o modernismo português. “Pessoa é que tornou o dicionário viável”, disse Cabral Martins, em entrevista à imprensa de Lisboa. “Não era possível fazer um dicionário coerente sobre um tema demasiado vasto. Seria como, por exemplo, fazer um dicionário sobre a verdade ou sobre o espírito humano.”

Amigo íntimo. Pessoa era um homem reservado, misterioso até. E, mesmo quando confessava isso em sua escrita, pouco revelava: “Não tenho amigos verdadeiramente íntimos, e mesmo que houvesse um amigo íntimo, como o mundo o entende, ainda assim não seria íntimo no sentido em que eu entendo a intimidade”, escreveu. “Um amigo íntimo é um dos meus ideais, um dos meus sonhos, mas um amigo íntimo é algo que nunca terei. Nenhum temperamento se adapta ao meu; não há um caráter neste mundo que dê o mais leve indício de se aproximar do que eu sonho num amigo íntimo.”

Essa atmosfera de indefinição também marca boa parte da obra de Pessoa. No verbete “loucura” encontrado no dicionário, sua autora, Patrícia da Silva Cardoso, identifica esse conjunto de dúvidas como uma barreira cuja função “é sublinhar a distância que separa o gesto de olhar o mundo da intenção de compreendê-lo, de compreender a si próprio”.

Segundo ela, Pessoa via a loucura como um índice de singularidade e de superioridade. Ele distinguia, porém, a loucura positiva, criadora, da patológica, que serve apenas para a destruição. No livro Mensagem, por exemplo, as várias formas de loucura positiva orientam as ações dos homens que “ajudaram a inventar um país que foi e que voltará a ser senhor de si mesmo quando novamente houver aquela simbiose entre a coletividade e o grande louco”. É Dom Sebastião esse louco, o rei que, ao desaparecer aos 24 anos de idade, em 1578, carrega consigo na sua morte a tragédia da própria nação, que com ele termina caindo sob domínio da Espanha.

Mensagem foi escrito em sua fase mais transcendental. É seu único livro em língua portuguesa, composto durante um período de mais de 20 anos – entre 1913 e 1934. Nessa fase, Pessoa desenvolveu uma íntima relação com a astrologia, como mostra o verbete escrito por Paulo Cardoso. Segundo ele, o poeta via nos signos uma estrutura filosófica e um meio de autoconhecimento. Também era uma plataforma de apoio na planificação de sua própria obra: “Na segunda das três partes de Mensagem, ele agrupou 12 poemas que são, no seu conjunto, e exatamente com a mesma sequência, uma compilação das características simbólicas dos 12 signos do zodíaco.”

Dilemas. Figura complexa, criador de tantos “eus”, Fernando Pessoa construiu uma obra singular, baseada na própria individualidade, seus limites, enganos e dilemas. Também deixou poucas pistas sobre seus reais pensamentos. “Quando alguém afirma que Pessoa acreditava, convictamente, na astrologia, na Rosa-Cruz, na cabala, no cristianismo, no paganismo, no espiritismo ou em qualquer outro “ismo”, é porque não leu bem toda a sua obra”, disse Richard Zenith ao Estado em 2006, quando do lançamento de seu Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal (A Girafa).

“O poeta acreditava em cada uma destas doutrinas, e duvidava delas todas. E todas, por sua vez, eram formas de Pessoa duvidar da sua opção literária. Da mesma maneira que os heterônimos se contrapunham e contradiziam, assim acontecia com as crenças de Pessoa, e com as suas formas de entender e até de duvidar.”

Assim, apesar de volumoso e consistente, o dicionário coordenado por Fernando Cabral Martins oferece algumas das mais importantes perspectivas dessa trajetória excepcional. Nada, porém, de conclusões definitivas – afinal, como dizia o próprio poeta, “todas as frases do livro da vida, se lidas até ao fim, terminam numa interrogação”.

TRECHO
“Como Fernando Pessoa, é citadino e celibatário. Mantém à distância a sua noiva Felice pelas mesmas razões pelas quais Pessoa se afasta de…

…Ofélia: para realizar o seu destino de escritor. Dedica ao mundo exterior um interesse quase nulo, e sente a mesma dificuldade de viver. Atingidos por uma profunda insegurança ontológica, Kafka (foto) e Pessoa sabem ambos o que é a perda da identidade e de referências, naquela sociedade do princípio do século posta em desassossego pela Modernidade e pelo declínio dos valores metafísicos. À crise da Modernidade sobrepõe-se a crise existencial de um escritor dividido por várias línguas – Kafka está, pelo nascimento, no ponto de encontro de duas línguas, o alemão e o checo, e, depois, familiariza-se com o iídiche e o hebraico – sempre obcecado pelo olhar do outro.”

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Pequei, Senhor…

6 de junho de 2010 2:40 am
O "Boca do Inferno"

O "Boca do Inferno"

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-nos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos e Guerra

Ungaretti em São Paulo

5 de junho de 2010 12:14 pm

Giuseppe Ungaretti

Giuseppe Ungaretti

Artigo publicado no “Suplemento Literário” de 20 de agosto de 1966

Por Antonio Candido

SÃO PAULO – Giuseppe Ungaretti regeu a cátedra de Língua e Literatura Italiana na Universidade de São Paulo de 1937 a 1942, mas a sua influência foi igualmente grande fora das aulas – nas conversas, nas reuniões, nas conferências. Quando partiu foi como se tivessem arrancado alguma coisa da cidade; alguma coisa que deixara um marco profundo embora quase silencioso.

Salvo um ou dois casos, os seus amigos, aqueles que mais sentiram a sua influência, não foram os seus alunos, no sentido escolar; mas todos foram seus discípulos, e todos são fidelíssimos à sua lembrança. Há mesmo uma espécie de maçonaria entre os que dele se aproximaram, feita de alusões, experiências comuns, evocação de fatos pitorescos e comoventes, cuja narração nos chega às vezes modificada pelo logo percurso que cumpriram; é como um ciclo de Ungaretti, na mitologia artística e intelectual da cidade. É o caso do conselho drástico dado a um jovem pintor a quem sugeria maior experiência de vida antes de dar-se à arte, ou das exclamações sufocadas diante de um quadro de Picasso, em casa de Oswald de Andrade, ou do divertido “qui pro quo”, sempre no mesmo lugar, a respeito de uma “gaffe” do anfitrião, ou ainda, de um juízo negativo sôbre um célebre escritor europeu que se encontrava então entre nós. E mais: as reflexões paradoxais a propósito de um famoso teólogo belga; a visão boccaccesca de um leprosário; as considerações sôbre os requisitos hormonais respectivos do escritor e do sociologo…

Tudo isso mantém uma presença afetuosa e viva, um culto familiar e reverente e indica a ação do grande poeta que nos ensinou tantas coisas: um dos poucos estrangeiros de alto nível, que tenha amado e sentido o Brasil em profundidade.

Quem não recorda a sua tristeza por deixar-nos sem ter podido ver as obras do Aleijadinho – êle que nos revelara a importancia e o significado do Barrôco literário, desde o papagaio verde-ouro do rei Dom Diniz, como constante portuguesa. As traduções de Mário de Andrade, que publicou na revista “L’Approdo” e leu em São Paulo por ocasião de uma breve visita, em 1951, revelam uma penetração, raramente alcançada, nos arcanos da nossa poesia. Em “Semantica” (“Un grido e paesaggi”) serpenteia uma veia amazonica e, como diria Oswald de Andrade, tendencialmente antropófaga, que revela a mais compreensiva identificação. Somos todos gratos a Ungaretti por essa atenção seletiva e concentrada ao nosso País, que permite o diálogo sobre os mares. Por outro lado, os versos de “Dolore” mostram como êle se vinculou à nossa terra por uma agudíssima experiência vivida aqui.

De europeu trouxe-nos muito – na sua experiencia densa, na dramatica vibração com que êle cria e interpreta. Mais de um, entre nós, ao conhecê-lo transcreveu “L’allegria” e o “Sentimento del tempo”, para sentir, naquela espécie de rito simpático, os pontos sutis de ossificação da sua poesia misteriosa e humana. E quando a máquina de escrever deixava no espaço branco os versos parsimoniosos, era como se o trabalho do nosso grande amigo se tornasse mais inteligível, com as palavras renascendo sob os dedos atentos, que na sua inexperiência procuravam explicá-las.

As suas aulas e as suas conversas serviram muitas vezes de guia a essa interrogação. Nelas sentíamos que o produto poético, depurado até tornar difícil o fôlego da compreensão, tinha por substrato uma erudição abundante, um atacar os problemas de todos os lados, uma dimensão vertical que sondava em profundidade. Sentíamos que o poema despojado tinha como base uma vitalidade mais forte e era realmente o aflorar mais puro da poesia, “pérola de espírito”, como no verso de Alfred de Vigay.

Nas suas aulas, revelou o que significa o diálogo entre o pensamento e a sensibilidade do texto. Mostrou como, nas mãos do leitor capaz, surgem mundos ignorados, que parecem brotar materialmente das próprias linhas, dos espaços das letras, deslizar das maiusculas às minusculas, como se uma fermentação incessante e contida esperasse o eleito para florecer em beleza. Quantas vezes, em lições sucessivas, recomeçou a leitura de certo poema, corrigindo-se, superando a anterior, embora tivesse sido tão límpida e insuperável, com outra, nova, mais genuína e completa.

As suas aulas! Havia nelas uma fase tranquila de aproximação metódica; havia uma fase de arrebatamento, cuja inspiração o atraía para o quadro negro, giz em riste e as costas voltadas para os ouvintes, seguindo com sons guturais da voz o curso da inspiração; havia fases de retórno ao momento em que, a voz de nôvo calma, recolhia as conclusões emersas de tumulto e as ordenava com a mais nítida coerência; havia, ainda, momentos de luta contra a pasta de livros, de couro negro, com duas longas correias e uma curiosa vareta de metal que servia para prendê-las, a que o poeta revirava de todos os modos, reordenando sem cessar a pilha de livros para depois abandoná-la e voltar em nôvo extase à quixotesca contenda com o negrume impassível da lousa. Teria êle consciência de tôdas essas manobras, pensávamos, ou vagaria com a mente fora de tudo, de nós, da sala, da bôlsa, deslizando para o mundo da poesia através da inquieta espiral traçada no ar pelo giz? Leopardi e o sentido do pecado, a atuação do Cristianismo na literatura, a glória do Renascimento, o sonho austero e humano de Manzoni, cristalizavam-se naquelas sessões de invocação crítica, mostrando, mais de uma vez, as sólidas bases de um mundo de emoções e de idéias. E do professor, do poeta, do amigo, compunha-se a cada instante o quadro completo e perfeito do homem exemplar.

Quando trovo

in questo mio silenzio

una perola

scavata è nella mia vita

come un abisso.

Em Curitiba, uma rave pelo sexo sem neuras

12 de maio de 2010 3:04 pm
Primeira festa liberal do Brasil conta com a presença de um público que quer não apenas sexo, mas liberdade

Reportagem Marcela Varasquim, do Jornal Comunicação (UFPR)

Por fora impressiona. A casa de swing Liberty não tem nada capaz de identificá-la. Nem faixa, nem foto, nem nome. Apenas um letreiro grande com a inscrição do número: 128. Uma parede alta e uma porta também alta, com entrada apenas para carros, me amedrontaram à primeira vista. Talvez as adjacências não saibam que ali, ao lado de suas moradias, o sexo não é um ato pecaminoso; é libertação.

É a primeira vez que acontece, no Brasil, uma Rave do Sexo. E era atrás daquele muro aparentemente intransponível que se concretizaria este momento histórico, no dia 7 de maio, sexta-feira. Na frente não havia ninguém. Esperava ao menos uma fila, como em qualquer balada. Mas, no auge de minha ingenuidade, havia esquecido que o evento não seria uma balada. Seria uma festa cujo sigilo e discrição me fizeram dar um passo para trás na minha ousadia jornalística de entrar e entrevistar quem estivesse à frente.

Hesitei várias vezes na tentativa de não permitir que esta reportagem terminasse ali, na obscuridade daquela cena pouco iluminada e enigmática. Até que chegou um carro, talvez o primeiro a adentrar aquela escuridão. O portão se abriu e meus olhos também. Não pude enxergar muito, apenas uma luz verde a iluminar um pequeno canto do local. O carro entrou e, rapidamente, o grande portão se fechou, formando novamente a fotografia que tanto me instigava.

Do lado de dentro do portão

Enquanto carros entravam e o portão abria e fechava repetidas vezes, eu ficava ali, do outro lado da rua, imóvel e receosa. Observava com detalhes aquela rua esburacada e sem qualquer iluminação do bairro Parolin, em Curitiba. Depois de muitas voltas na quadra para decidir o que faria, fechei os olhos e entrei, num ímpeto de coragem e de amor à profissão.

Na recepção, senti pudor e adrenalina. O organizador do evento Nando, como gosta de ser chamado, vestia uma camiseta com a inscrição “Faça sexo com segurança”. Aquilo me fez rejeitar as possibilidades de que na festa o sexo seria tão livre a ponto de as DSTs terem presença permitida, quase que obrigatória. Fiquei calma, em consideração a quem se entregasse à orgia naquela noite. Mas quando Nando virou, vi que atrás de sua camiseta estava escrito “Segurança”. O que antes me parecia um apelo para que se usasse camisinha, a partir daquele momento me dei conta de que nada mais era que uma gozação, ou um chamariz para que fizessem sexo com ele. E minha calma já não era mais tão evidente assim.

A Rave do Sexo

Sem necessidade alguma de comprovar minha maioridade, entrei. Após atravessar um pequeno corredor escuro, a primeira imagem com a qual me deparei na Rave do Sexo foi a de uma televisão exibindo um vídeo pornográfico e uma cama à frente. Aquele andar era todo assim: várias camas, sofás e quartos que permitiam total visão para quem estivesse no corredor, pois, ao invés de parede, havia vidro. Ali tudo propiciava o sexo. A escuridão extrema quase que passava a mensagem de que, não importa com quem seja, transe. Em frente à naturalidade com a qual a Rave expunha o sexo, foi ali que me despi, não de roupa, mas de qualquer moralismo que pudesse haver dentro de mim.

Vários degraus separavam o primeiro do segundo andar. Mas a distância física não necessariamente representou uma divisão de temas. Embaixo, tudo era sexo. Em cima também. Ao invés de uma banda tocando, de um DJ ou de um DVD de algum artista do momento, um vídeo pornográfico exibido num telão de grandes proporções. Ao invés de jovens dançando ao ritmo do eletrônico, muitas pessoas, das mais variadas idades, bebiam, se tocavam e se despiam em volta do pole dance. Em duplas, trios ou quartetos, todos se divertiam à sua maneira. Algumas mulheres usavam saias ou vestidos curtíssimos, que ressaltavam o bumbum e delineavam todo o corpo. Nada muito diferente do que existe em bares e baladas comuns.

Embora a sexualidade fosse o motivo de se estar ali, ela não era abordada com risadas – como fazem as crianças quando frequentam as primeiras aulas de educação sexual -, nem com olhares preconceituosos, depreciativos ou curiosos. O sexo ali era tratado como algo que ele realmente é: natural do ser humano. A sociedade, através de suas instituições, de seus moralismos e de suas crenças arraigadas em um conceito negativo de sexualidade, condena qualquer evento que propicie o sexo, mesmo tendo este ato tão presente em suas vidas. Porém foi ali, na Rave do Sexo, que minhas especulações se concretizaram, e tive a indubitável certeza do quanto a sociedade é um verdadeiro antro de hipocrisia.

Os frequentadores

No andar de cima, a presença de casais era bastante superior à presença de solteiros. A quase ausência de conversas e de beijos entre os pares me levou à suposição de quem fossem homens com acompanhantes. Mas certamente também havia muitos daqueles casais que estavam ali à procura de outros para trocar de pares entre si, apenas por uma noite. Alguns casais ficavam sentados nas poltronas em frente às mesas, outros dançavam de maneira apelativa, simulando movimentos sexuais. O restante do público se dividia entre a pista e o bar, cujas bebidas, aliás, eram caríssimas (uma lata de cerveja custava R$ 7).

Em um momento, um quarteto iniciou o bacanal em meio à pista. Depois, desceram as escadas para continuar o ato no andar de baixo, dedicado a isso. Todos usavam a pista para se conhecer, no caso dos solteiros, ou para dar início ao que logo depois continuariam em uma das camas, cadeiras eróticas, sofás ou cabines de sexo oral que existiam no primeiro andar.

Para fomentar a entrada feminina, mulheres não pagavam, tinham o benefício do Open Bar por duas horas, brindes de sex shop e, se fossem em grupo de cinco, ganhavam uma garrafa de champanhe. Mesmo com todo o incentivo, a presença masculina ainda parecia predominar, apesar de o preço do ingresso ser R$ 120 no local. Os casais, bastante presentes na Rave, pagavam R$ 50 no local.

Sexo sem neuras

Condeno absolutamente a falta da exigência da carteira de identidade na entrada, a ausência de política de prevenção (embora houvesse camisinhas espalhadas pelo chão do primeiro andar, o que testemunha a prevenção de alguns) e o uso de drogas em festas rave. Sou favorável ao sexo sem neuras, que diminui a incidência de problemas sexuais e psicológicos da parcela conservadora da sociedade.

Na primeira Rave liberal do Brasil, não era apenas a prática de sexo que era livre. Havia também a liberdade de escolha. Lá não se era julgado pelos atos, pelos pensamentos e ideias. Por mais divergentes que fossem as idades, as personalidades e credos dos frequentadores, todos eram iguais na prática do sexo. Ao contrário do restante da sociedade, o público da Rave admite que o sexo é um ato comum, que, independente da posição social, profissional ou familiar, todos fazem de maneira igual. Não havia olhares repressores, não havia a cultura de que sexo é um hábito ruim e de baixo calão. A Rave do Sexo foi o local mais sincero que já fui. Apenas não achei bem feita a escolha do slogan “Uma rave que você nunca viu igual”. Lá eles transam, se divertem, dançam, cantam, conversam e saem à procura de um par ideal. E você, o que faz aos finais de semana?

A Rave do Sexo foi uma festa liberal muito semelhante a outros eventos de mesma proporção que preconizam o sexo livre, o que traz a suposição de que o termo “Rave” tenha sido uma jogada de marketing para atrair público. Portanto, a Rave do Sexo não é a primeira nem a única festa a estimular o sexo como forma de libertinagem. No Japão, todos os anos também ocorre uma festa de cunho sexual. Chamada Kanamara Matsuri, ela acontece toda primavera e homenageia a fertilidade do pênis, que, segundo os participantes, confere proteção à família.

Retrato de Mãe

9 de maio de 2010 1:37 am

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Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;

E pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha , age com as forças todas da juventude;

Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças;

Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos;

Forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões;

Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome desta mulher se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página: eles lhes cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viajante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria Mãe.

(Tradução de Guilherme de Almeida)

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19 de abril: é preciso ver

19 de abril de 2010 10:14 am
Marina Silva

Marina Silva

Por Marina Silva

Hoje, em Roraima, os netos de Makonaimî vivem um Dia do Índio especial. Uma grande festa comemora um ano da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal, apoiando parecer brilhante do ministro Carlos Ayres Britto, que garantiu a conquista definitiva da terra indígena Raposa/ Serra do Sol.

A existência dessa terra indígena é um símbolo de vitória que se estende para além de seus limites e diz muito sobre a sociedade brasileira e a consolidação da democracia. Todos nós ganhamos com o reconhecimento dos direitos indígenas. Ficamos um país mais justo, mais tolerante e orgulhoso de sua diversidade, avesso à truculência e à violência contra os segmentos mais vulneráveis.
As autoridades que serão homenageadas hoje em Roraima, entre as quais o presidente Lula, tiveram importante papel de apoio, mas não são os protagonistas da vitória.
Estarei lá também e sinto que, dentro de nossas atribuições, ao lado de várias organizações de apoio à causa indígena, fomos auxiliares.
Os principais artífices foram os próprios índios, em décadas de luta para ver aplicada a justiça. A tenacidade com que buscaram alianças, a capacidade de convencimento da justeza de sua causa e confiança na lei e na ação do Estado foram qualidades desenvolvidas no sofrimento e na resistência.
Netos de Makonaimî é como se tratam os cerca de 20 mil índios de diversas etnias que vivem em 198 comunidades dentro de Raposa/ Serra do Sol. Embora memorável, esse foi só mais um passo na conciliação do país com os cidadãos indígenas. Há muito o que fazer, como demonstra a situação dos guarani-kaiowá, de Mato Grosso do Sul, cujo pedido de socorro transmiti em carta ao presidente Lula.
Vítimas de massacres sucessivos na história do Brasil, na Guerra das Missões, na Guerra do Paraguai, enfrentaram depois a ocupação desordenada das terras e o desmatamento. Em 70 anos foram consumidos 98% da mata original que garantia a sobrevivência física e cultural dos guarani-kaiowá.
Hoje, cercadas pela monocultura da soja, pasto ou cana-de-açúcar, suas poucas terras reconhecidas e regularizadas estão degradadas e têm extensão menor que um módulo rural para reforma agrária. E a maior parte está, de fato, ocupada por fazendas cujos “donos” recusam acatar demarcações oficiais.
Como se vê, ainda temos um longo caminho para fazer justiça aos índios brasileiros. Raposa/Serra do Sol trouxe novo paradigma. Neste Dia do Índio, o grande desejo é que a vitória sirva de exemplo. E que isso aconteça com muita urgência, pois, para muitas comunidades, como as do povo guarani-kaiowá, o tempo se esgotou e o Brasil não viu.

contatomarinasilva@uol.com.br

Um Índio (Caetano Veloso)

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Índios (Renato Russo)

Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha

Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do iní­cio ao fim.

E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes…

Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!

Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Terra (Caetano Veloso)

Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…

Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…

Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…

Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…

De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…

Na sacada dos sobrados
Da velha são Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito…

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!

Roberto Carlos – 100 milhões de discos

16 de abril de 2010 10:16 am

robertocarlos500

Detalhes (Erasmo Carlos/Roberto Carlos)

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver…

Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver…

Se um outro cabeludo
Aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer
Saudades minhas
A culpa é sua…

O ronco barulhento
Do seu carro
A velha calça desbotada
Ou coisa assim
Imediatamente você vai
Lembrar de mim…

Eu sei que um outro
Deve estar falando
Ao seu ouvido
Palavras de amor
Como eu falei
Mas eu duvido!
Duvido que ele tenha
Tanto amor
E até os erros
Do meu português ruim
E nessa hora você vai
Lembrar de mim…

A noite envolvida
No silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato
Mas da moldura não sou eu
Quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso
Mesmo assim
E tudo isso vai fazer você
Lembrar de mim…

Se alguém tocar
Seu corpo como eu
Não diga nada
Não vá dizer
Meu nome sem querer
À pessoa errada…

Pensando ter amor
Nesse momento
Desesperada você
Tenta até o fim
E até nesse momento você vai
Lembrar de mim…

Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas “quase”
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim
Por isso
De vez em quando você vai
Vai lembrar de mim…

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito
Muito tempo em sua vida
Eu vou viver
Não, não adianta nem tentar
Me esquecer…

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roberto_carlos

Lupicínio Rodrigues é destaque do sexto volume da coleção “Folha Raízes da Música Popular Brasileira”

12 de abril de 2010 2:20 am

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Livro-CD, nas bancas no próximo domingo, traz vida e obra do gaúcho

Compositor desde garoto, Lupicínio viveu com intensidade a boemia e emplacou diversos sucessos, como “Nervos de Aço”

Folha de São Paulo

Gaúcho do bairro de Ilhotas (Porto Alegre), Lupicínio Rodrigues é um dos compositores mais particulares da música brasileira. Traição, dor de cotovelo e vingança eram seus temas favoritos, mas tratados com sofisticação e humor.

“Nervos de Aço”, “Quem Há de Dizer” e “Volta” são clássicos do sofrimento elegante gravados por grandes cantores na sua época e por novos intérpretes a partir dos anos 1970.
O sexto volume da Coleção Folha Raízes da Música Popular Brasileira, nas bancas no próximo domingo, é dedicado à música e história de Lupicínio.
Nascido em 1914, ainda garoto ele já escrevia músicas para blocos de Carnaval de Porto Alegre e concursos de rádio. Mas virou coisa séria quando teve o primeiro sucesso, “Se Acaso Você Chegasse”, em 1938, na voz de Ciro Monteiro.
Pela época, passou temporada no Rio de Janeiro e conheceu bambas como Francisco Alves e Geraldo Pereira. Na década de 40, seguiu sendo gravado por Orlando Silva, Caco Velho, Moreira da Silva etc.
Por toda sua vida, Lupicínio viveu intensamente a boemia e o amor, retratando-os em suas canções. Dizia que eram feitos de histórias reais seus sucessos como “Vingança”, gravado por Linda Batista em 1951.
Na voz de Francisco Alves emplacou seus maiores clássicos, muitos regravados anos depois: “Nervos de Aço” (depois cantado por Paulinho da Viola); “Esses Moços” (depois por Gilberto Gil) e “Cadeira Vazia” (gravada por Elza Soares).
Lupicínio morreu em Porto Alegre em 1974, ao mesmo tempo em que voltava às rádios seu antigo sucesso “Felicidade”, agora com Caetano Veloso.
O autor do livro sobre Lupicínio Rodrigues é o músico Arthur de Faria e a edição traz biografia, discografia, letras e fotos. No CD, gravações de “Se Acaso Você Chegasse”, com Elza Soares, “Judiaria”, com Arnaldo Antunes, e “Nervos de Aço”, na voz de Paulinho da Viola, entre outras.
A Coleção Folha Raízes da Música Popular Brasileira é composta por 25 livros-CDs, nas bancas aos domingos até 29 de agosto. Cada volume é dedicado a um compositor da era de ouro da música brasileira.

“Sou real, eu sei. Agora só falta convencer o rei.”

10 de abril de 2010 3:30 pm

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Solda: dois momentos de Ivo Rodrigues: setembro de 1985. Eu estava no útimo ano do curso de Desenho Industrial, já toda assanhada com cenários e figurinos de teatro com o Zé Maria Santos (coordenava o teatro de lá), estávamos organizando um “pequeno” show de talentos, tipo “prata da casa” e o sonho dos aspirantes a músicos era que a Blindagem desse as caras por lá para nos ver. Inútil ilusão, inútil esperança, fomos falar com o Thadeu que, na época, era professor de português no CEFET e reunia, em sua volta, um séquito enorme (principalmente seguidoras) e era tido como “o maldito” no bom e mau sentido, para nossa alegria. Pedimos a ele na maior cara de pau (e espinhas) que contatasse os caras. Expectativa e ansia, no dia do show, trabalhamos muito e, se foram, não vimos, mas acreditamos piamente que eles apareceram para nos ver (a propósito,Thadeu declamou seus poemas no show e, de longe, foi a melhor coisa da noite).

Segundo Momento: pulamos para maio de de 1990, eu já tinha passado por poucas e nada boas experiências profissionais em Teatro, TV e estava perigosamente aventurando-me em desenho animado. Eu e alguns desenhistas estávamos realizando um desenho, de cunho paradidático, para a Volvo do Brasil e, na trilha sonora, chamamos para criar música e letra o(sumido) Celso Piratta Loch. Só ele poderia chamar as vozes adequadas para interpretar as músicas de um desenho como aquele. Como eu havia cantado em corais líricos e populares, meti a minha colher enferrujada e chamei vários cantores que, mesmo até bons, não davam conta do recado. Tudo soava falso, artificial, não havia a emoção que nos procurávamos naquelas vozes. Até que Celso olhou pra mim, piscou seu único olho bom, e soltou: “vou chamar um amigo”.

Poucos dias após, entra no microestúdio do Celso aquela figura toda superlativa, e, confesso Solda, na hora pensei: “é muita areia pra esse caminhão”. Não e necessário dizer, Solda, que Ivo foi de uma generosidade que só ele sabia dar, repassou as nossas “cançonetas” quantas vezes nosso maestro pediu, contou as mesmas velhas piadas e gracinhas, enfim, nos deixou felizes e aliviados. Depois disto ,toda vez que me encontrava, chamava-me de “dama rubra” (eu vivia de vermelho,não sei por que).

Hoje, fui no velório, mas é estranho porque minhas pernas e o resto do meu corpo gordo estavam lá, escreveram meu nome, mas eu não fui . Achei o CD que eu pirateei de um programa de rádio e fiquei cantando músicas e fazendo sinais de fumaça
….”vejo nos teus olhos tao profundos a dureza que este mundo te deu pra carregar…”

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Sou legal, eu sei
Agora só falta
Convencer a lei
Que eu sou real eu sei
Agora só falta
Convencer o Rei
Eu sei que eu sou legal
O duro é provar
Que eu sou legal eu sei
Mas isso não sei
Se vão deixar dizer
Eu sei que tudo mais
Vai pro beleléu
A terra
O mar
O céu
Mas nessa hora eu quero mais estar
Com a turma do pinel
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Paulo Leminski

Paulo Leminski

Ivo Rodrigues, nós sentiremos a sua falta. O Paraná está sem voz!

9 de abril de 2010 8:57 am

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Em algum lugar nos anos 1980

Em algum lugar nos anos 1980

Banda Blindagem

Banda Blindagem

Ivo com os Novos Baianos

Ivo com os Novos Baianos

Blindagem, a busca do espaço rock

Se há um grupo instrumental-vocal que vem suando a camisa para encontrar espaço no competitivo mercado musical é, sem dúvida, o Blindagem. Assim como fez A Chave durante anos (até que seus integrantes resolveram pendurar as chuteiras), o Blindagem procura todas as chances para penetrar no ranking da música jovem quem embora aberto a tantas mediocridades “made in Rio/São Paulo” até hoje não deu a abertura que o grupo liderado por Paulo Juk merece.

Agora uma nova tentativa é feita: um campacto simples, gravado na Odeon, produzido por um experiente compositor e record-man do setor, Pisca(autor de “Sonho de Ícaro”, sucesso de Biafra; ex-guitarrista do Casa das Máquinas, ex-guitarrista e diretor musical e Ney Matogrosso e atualmente desempenhando estas funções para Gal Costa). Encarregado pelo Odeon para lançar novos conjuntos de rock – na disputa de um mercado próspero em termos de vendas (mas nem sempre em termos de qualidade), Pisca se interessou pelo som do Blindagem – que anteriormente fez discos na Continental e na Pointer. E, do que ouviu, Pisca, só achou que um – no caso o Blindagem – poderia gravar (embora tivesse uma quota para seis produtos novos, designação mercadológica para os conjuntos deste projeto). Opinião de Pisca: – “O Blindagem tem um bom nome, formação estável e garra”.

E os rapazes curitibanos foram para o Rio onde, durante cinco dias, gravaram duas músicas. Diz Juk: – “pelas informações acreditamos que seja lançado após o Rock in Rio. Pelo que sentimos dos técnicos e pessoas de dentro da gravadora, o Blindagem realmente agradou”.

Foi considerado um rock diferente da mesmice que vem sendo feita pelos inúmeros conjuntos aparecidos nestes últimos meses. O Blindagem tem consistência, peso e vocal agressivo – “bem diferente do que é gravado pelos conjuntos brasileiros”. Modestamente, Ivo diz: – “não vou prever nada, porque acredito que não adianta. O negócio é esperar e ver os resultados, mas existe fé e esperança de que vai acontecer alguma coisa. Pela primeira vez, nós entramos num estúdio com uma real direção artística e uma pessoa que soube tirar de cada um dos músicos do Blindagem o melhor”.

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Uma das músicas, acompanhando a tendência dos conjuntos musicais dos Estados Unidos e Europa, é na linha do Heavy Metal – ou seja, um som da pesada. O nome da música, inclusive, ficou “Blindagem” – que lembra metal, resistência – mas cuja letra fala dos problemas de um músico de rock para fazer sucesso.

Já a outra é numa linha de humor – outra tendência observada nos grupos jovens. O título ainda não foi definido: tanto poderá se chamar “Operário Padrão” como “Dólar” ou “Pega o Dólar”. A letra (do Pisca) faz uma comparação entre o dólar e o cruzeiro. Uma letra que pela sua ironia, merece ser divulgada antecipadamente e que vai aqui em primeira mão:

Será que virou festa esta infla-confusão

Toda vez que o dólar sobe

cai de esta o meu barão

Tem gente nas esquinas reclamando o seu quinhão

Desta parte do tesouro que não vem pra sua mão

Isso é coisa de pirata, 30 dias sem perdão

Suando feito louco pra ser

Operário padrão

Dormindo acordado tento achar a solução

Sabendo que minha grana já não vale um tostão

Já virou bagunça essa maxi-cotação

Logo vai pro CTI pra recuperação

E todo fim de mês sem ter mais pra quem apelar

Em grande desespero fica o povo a gritar

Pega essa notinha, segura essa verdinha

Não deixe essa danada subir

Pega essa notinha/segura essa verdinha

Senão o meu barão vai cair.

O vocalista da banda Blindagem, Ivo Rodrigues Jr, morreu no início da madrugada desta sexta-feira (9) aos 61 anos, no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba. A informação foi dada pelo baixista do grupo Paulo Juk. Logo em seguida se espalhou pelas redes sociais, onde os fãs expressaram toda a sua devoção ao músico e à banda de rock.

O corpo será velado a partir da manhã desta sexta-feira no saguão do Teatro Guaíra.
Ivo Rodrigues já vinha com a saúde debilitada há tempos. Em 2009, depois de três anos de espera, fez um transplante no fígado. Com idas e vindas ao hospital a banda fazia alguns shows mesmo sem a presença de Ivo. Um dos últimos foi na reabertura do Teatro HSBC,  em março.
Carreira
Ivo Rodrigues Jr nasceu em Porto Alegre e veio para Curitiba aos três anos de idade. Participou de programas de calouros na televisão e estudou no Instituto Adventista Paranaense. Em 1966 participou na TV Paranaense de um programa apresentado por Júlio Rosemberg que classificaria o melhor cantor e o melhor conjunto do Sul do Brasil, o “Troféu Barra Limpa”.
Neste programa da TV, Ivo conheceu o guitarrista Paulo Teixeira, que também também participou do programa com a banda “Os Jetsons”, de Palmeira, que mais tarde se tornaria “A Chave”. Ivo foi o vencedor na categoria Cantor e “Os Jetsons” na categoria Conjunto. Como prêmio ganhou um programa de duas horas, transmitido nas tardes de sábado, na TV Paranaense, chamado “Juventude Alegria”.
Blindagem
Em 1969, durante um show na Reitoria da UFPR, Ivo e “A Chave” se encontraram. Excursionaram pelo Brasil junto com Rita Lee, Made in Brazil e Joelho de Porco. E, em 1977, gravaram um compacto no estúdio de Eduardo Araújo, em São Paulo.
Com o fim de “A Chave”, Ivo foi convidado para ser vocalista da Blindagem, em 1979.
Como diz a própria biografia oficial da banda, o Blindagem pode ser considerado como a cara paranaense do rock. Fundada no final dos anos 70, tornou-se a banda mais conhecida do Paraná ao longo dos anos.Além de cantar Ivo tocava guitarra, violão e harmônica e nasceu no dia 28 de fevereiro.
Ivo era casado com Suka Rodrigues há pouco mais de um ano, porém os dois viviam juntos a quase 30 anos. Eles tiveram dois filhos. Angela Rodrigues, que é DJ e Ivan Rodrigues, que é baterista das bandas Mordida e Magaivers.

The Muppets

2 de abril de 2010 11:51 am

Sigmund Freud em letra e música

1 de abril de 2010 10:50 am

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José Miguel Wisnik

José Miguel Wisnik

Em lançamento, Caetano e Wisnik veem vestígios do austríaco na cultura

Por Raquel Cozer
O Estado de São Paulo

“Bem, Freud não gostava de música”, lembrou Caetano Veloso ao se acomodar sobre o banco que lhe fora reservado no palco do Sesc Pinheiros, na terça-feira. Referia-se à notória resistência do fundador da psicanálise ao gênero que ele estava incumbido de representar no evento Freud, Literatura e Canção. A aula-show, comandada por José Miguel Wisnik, anunciou o lançamento dos três primeiros volumes das Obras Completas de Freud, vertidas pelo historiador baiano Paulo César de Souza e publicadas agora pela Companhia das Letras.

Despojado, num visual que incluía casaco de vovô sobre os ombros e a camisa polo verde que, aliás, ele também usou em setembro sobre o mesmo palco, no show Gainsbourg Imperial, Caetano fez uma concessão ao pesquisador, de quem é amigo de longa data, e incluiu em seu breve repertório uma música da qual não gosta. Ou, para usar as palavras dele, uma canção da qual “até tinha grilo”. Era Mãe, cuja letra diz “Eu sou um homem tão sozinho/ mas brilhas no que sou…” e que Gal Costa gravou no álbum Água Viva (1978). Encerrou a noite com ela, sem entrar em detalhes freudianos do “grilo” ou da letra.

As outras canções foram intercaladas por explicações sobre de que maneira se relacionavam aos conceitos freudianos. Como Pecado Original, cujo verso final (“Mas a gente nunca sabe mesmo/ que que quer uma mulher”) levou Nelson Rodrigues a ligar para Caetano nos anos 70 e dizer: “Você há de brilhar como o Sol até o fim dos tempos.” O músico disse que, na época, contou sobre o telefonema para seu psicanalista, que ponderou: “É, você botou a frase do Freud…”. Sob risos do público, o baiano arrematou: “Eu não sabia que era de Freud. Ou talvez soubesse de alguma maneira, mas não oficialmente. Não sabia que Freud era quem tinha dito essa obviedade sobre as mulheres.”

Em sua breve participação, Caetano interpretou ainda, com Wisnik ao piano, Coração Materno, de Vicente Celestino, e uma música de Wisnik sobre poema do satírico Gregório de Matos (1636-1696), composta para o Grupo Corpo.

Chistes. O baiano Gregório de Mattos foi, na primeira e mais extensa parte da noite, um dos nomes citados por Wisnik para exemplificar como a literatura sempre guardou mensagens que remetem à psicanálise. O paranaense Emílio de Meneses (1866-1918) foi outro lembrado, graças a seus chistes cheios de sentidos como “Nunca tinha visto um banco quebrar por excesso de fundos” que teria sido dito após o poeta ver um banco ir abaixo com o peso de uma mulher gorda sobre ele.

Wisnik discorreu longamente sobre Machado de Assis, destacando o pouco conhecido conto O Cônego ou a Metafísica do Estilo (1885). Nele, em meio à criação de um sermão, um padre “embatuca” ao não conseguir se lembrar de um adjetivo, o que serve de mote para o narrador convidar o leitor a mergulhar no cérebro do personagem e partir para a inconsciência em busca da palavra.

Coração Materno (Vicente Celestino)

Disse um campônio à sua amada: “Minha idolatrada, diga o que quer
Por ti vou matar, vou roubar, embora tristezas me causes mulher
Provar quero eu que te quero, venero teus olhos, teu corpo, e teu ser
Mas diga, tua ordem espero, por ti não importa matar ou morrer”
E ela disse ao campônio, a brincar: “Se é verdade tua louca paixão
Parte já e pra mim vá buscar de tua mãe inteiro o coração”
E a correr o campônio partiu, como um raio na estrada sumiu
E sua amada qual louca ficou, a chorar na estrada tombou
Chega à choupana o campônio
Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
Rasga-lhe o peito o demônio
Tombando a velhinha aos pés do altar
Tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração
E volta à correr proclamando: “Vitória, vitória, tens minha paixão”
Mas em meio da estrada caiu, e na queda uma perna partiu
E à distância saltou-lhe da mão sobre a terra o pobre coração
Nesse instante uma voz ecoou: “Magoou-se, pobre filho meu?
Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!”

Curitiba 317 anos

30 de março de 2010 9:45 am

cidade-apertadinha

Renato Russo 50 anos

27 de março de 2010 12:44 pm

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Acrilic on Canvas (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá)

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
“Sinto muito, ela não mora mais aqui”
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De “amor-perfeito”
E “não-te-esqueças-de-mim”

legiao

renato2

Serra reprime professores em greve. Professores dão lição ao Poder

12:25 pm

solidariedade-04

Ao mestre, com carinho

To Sir, with Love (Dom Black/Marc London)

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn’t easy, but I’ll try

If you wanted the sky I’d write across the sky in letters
that would soar a thousand feet high
To Sir, with love

The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that’s a lot to learn
What, what can I give you in return?

If you wanted the moon I’d try to make a start
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love

Tão cedo?

17 de março de 2010 9:50 pm

dor-a-dois

Paraísos artificiais I

16 de março de 2010 2:44 pm

Abaixo o inventor das bucetas e dos boquetes artificiais:

THE INVENTION OF DR. NAKAMATS – Preview from KASPARWORKS on Vimeo.

Grandes mestres da Filosofia do Direito

15 de março de 2010 1:38 am

Aulas de Eugenio Bulygin e Roberto Vernengo, da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires

Bulygin; Eugenio - Teoría General y Filosofía del Derecho Profesor: Bulygin, Eugenio
As Lacunas do Direito

Curriculum Vitae

Filmado em maio de 2008 – Ver o filme aqui.

Aula de Eugenio Bulygin

Vernengo, Roberto - Los objetos de la ciencia jurídica Profesor: Vernengo, Roberto

Os Objetos da Ciência Jurídica

Filmado em outubro de 2008 – Ver o filme aqui.

Aula de Roberto Vernengo

Ver outros trabalhos de ambos os autores aqui.