BLOG CELLA

Archive for the 'Sem categoria' category

Bronco

23 de junho de 2010 3:58 am

O Brasil será o próximo?

3:56 am

Au revoir

3:54 am

Dunga, Robinho e Kaká

22 de junho de 2010 2:16 am

O guardião da biblioteca de Mindlin

21 de junho de 2010 1:14 am

Luís Fabiano

1:00 am

É ou não é?

17 de junho de 2010 5:26 pm

Maradona ataca Pelé, Platini e o nível dos árbitros do mundial

3:44 pm

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El País

Cayetano Ros
Nelspruit (África do Sul)
Reforçado e até engordado pela estreia vitoriosa contra a Nigéria, Diego Maradona foi na quarta-feira tão politicamente incorreto quanto costuma ser, atacando todo o “establishment” do futebol mundial. “Que devolvam Pelé ao museu”, começou como resposta a críticas anteriores do ex-jogador brasileiro, com quem Maradona manteve um longo litígio durante anos. Depois foi a vez de Platini, outra ex-estrela, agora em trabalhos de organização como presidente da Uefa. “De Platini não me surpreendo, porque sempre tive uma relação distante com ele. Sabemos como são os franceses, e Platini é francês: acha que é mais que todo mundo. Nunca lhe dei bola nem penso em dar”, esclareceu o Pelusa, nem curto nem preguiçoso. Depois juntou os dois em um ataque conjunto: “Eu diria aos dois que deixem de falar besteiras e cuidem da bola, que influi muito e complica a todos [aludindo às queixas que provocou a bola Jabulani entre os jogadores por sua leveza]”.
Não contente com esses golpes, arremeteu contra os juízes escolhidos pela Fifa, aos quais acusou de não saber tratar os melhores jogadores. “Os árbitros deixam muito a desejar. Se vamos ver um espetáculo de estrelas, os árbitros têm que ser mais duros. Messi, Kaká, Cristiano… Cada vez que a agarram, os derrubam”, indicou com convicção, como fazia em sua época de jogador.

As relações de Maradona com os poderes reais do futebol sempre foram tormentosas, desde sua época de jogador universal. Sempre se sentiu do outro lado da trincheira, perseguido pelo poder e levantando a bandeira do rebelde. E essa animosidade não rebaixou Diego nem sequer agora que, como treinador da Argentina, poderia temer algum tipo de represália dos árbitros. É o único que se atreve a enfrentar a Fifa. Não faz muito tempo, quando a Argentina se classificou para a Copa, soltou vários impropérios contra os jornalistas, resumidos no já famoso “Que a continuem chupando”. A Fifa o sancionou por dois meses, anulando suas funções no cargo.

Ele pode permitir isso enquanto continuar ganhando. E na quinta-feira terá uma nova oportunidade diante da Coreia do Sul, que por sua vez acaba de se impor sobre a Grécia (2 a 0). “Sabemos que [os coreanos] são rápidos e apostam na bola parada”, analisou Diego, que decidiu reservar Verón, com uma inflamação na panturrilha, dando seu lugar a Maxi Rodríguez. Escolha controvertida, levando em conta que têm perfis muito diferentes. Apesar de seus 35 anos, a Bruxinha foi quem mais se associou com Messi no choque contra a Nigéria. Verón deu 21 passes à Pulga, e este devolveu 11. Maxi é um interior com muito menos participação. O problema é que Maradona não trouxe para a África do Sul ninguém parecido com Verón, nem sequer Bolatti, autodescartado Riquelme por suas diferenças “insolúveis” com o 10, e excluído Banega sem ter sido sequer testado.

A outra censura ao treinador azul e branco vem pela presença de Jonás Gutiérrez na lateral direita. Sua pobre atuação diante da Nigéria abriu a brecha que Diego deixou aberta com a exclusão de Javier Zanetti. Mas Maradona se sente seguro e com vontade de guerrear com seus inimigos de sempre. A todos eles lançou ontem sua mensagem de despedida: “Quero ser campeão e tenho Messi apoiado por uma grande equipe”.Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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Infernos artificiais

11 de junho de 2010 2:10 am

Bola da seleção

3 de junho de 2010 9:51 am

Wilson Bueno – 1949-2010

1 de junho de 2010 10:00 am

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Autor de 13 livros, paranaense foi assassinado durante suposto assalto a sua casa, no bairro Santa Cândida. Grande Curitiba teve 114 mortes violentas em maio

Por Aline Peres - Colaborou Adriano Ribeiro

A polícia encontrou morto, no início da noite de ontem, o escritor paranaense Wilson Bueno, 61 anos, em sua casa no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Há indícios de que ele foi morto durante um assalto (leia mais ao lado e na página 5). Autor de 13 livros e criador do jornal cultural Nicolau, Bueno foi mais uma vítima da violência em Curitiba no mês de maio. Segundo levantamento feito com base nos dados do Instituto Médico Legal de Curitiba (IML), o mês terminou com 114 mortes provocadas por arma de fogo, arma branca ou agressão – uma queda de 29,6% em relação a abril e um crescimento de 48,6% em relação a maio de 2009, quando foram registradas 79 mortes violentas.

Em abril deste ano, os boletins divulgados diariamente pelo IML da capital indicaram que houve 162 mortes violentas. A queda poderia ter sido maior neste mês: até o último dia 20, as estatísticas baseadas nos números coletados no IML vinham mantendo um número relativamente baixo, com pouco mais de 70 casos. Com 44 ocorrências, os municípios da região metropolitana ajudaram a puxar o índice para cima, principalmente São José dos Pinhais, com 18 casos, e a inclusão de cidades como Adrianópolis e Tunas do Paraná no mapa do crime (veja abaixo). No segundo fim de semana do mês (contando os atendimentos feitos das 20 horas de sexta às 8 horas de segunda-feira), por exemplo, o IML recebeu oito corpos da região metropolitana e nenhum de Curitiba.

Nos cinco primeiros meses do ano, Curitiba e região metropolitana contabilizam 852 mortes, número 27% superior ao mesmo período do ano passado. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) não se pronunciou sobre os dados e deverá divulgar em junho o Mapa do Crime do segundo trimestre deste ano. Nos três primeiros meses do ano, o número de homicídios em Curi­tiba cresceu 53,8% em relação ao mesmo período de 2009.

Fim do mês

Das 114 vítimas registradas neste mês, 46, ou 40% do total, eram jovens entre 18 e 30 anos, na maioria homens. Na avaliação do sociólogo Lindomar Bonetti, o processo social acaba desencadeando uma reprodução da violência – como no caso de jovens que ouvem falar sobre agressões e passam a assumir esse tipo de comportamento. “O jovem se envolve em aventuras com muito mais facilidade”, afirma Bonetti.

O sociólogo diz ainda que o número de mortes violentas tende a aumentar no fim do mês. “A falta do dinheiro, por exemplo, acaba suscitando nervosismo e as pessoas ficam à mercê de conflitos familiares onde o álcool e a droga estão sempre presentes”, afirma. Bonetti lembra ainda que a população da região metropolitana está mais vulnerável por causa da existência de cinturões de pobreza.

Os últimos casos confirmam a teoria. Uma briga entre cunhados, no bairro Uberaba, no início da noite de sexta-feira, acabou em morte, sem que os motivos sejam conhecidos. Dirceu Veiga, 39 anos, foi surpreendido com a chegada de Vanderlei dos Santos, que atirou várias vezes sem acertá-lo. Não contente, Santos acabou atropelando e matando o cunhado com uma pedrada na cabeça.

Entre os exemplos de jovens vítimas da criminalidade estão os amigos Caio Enrique Amaral da Silva, 19 anos, e Roger Cleiton Pereira, 21anos, encontrados mortos dentro do carro, na madrugada de sábado, no bairro Boqueirão. Segundo o pai de um dos rapazes, o filho tinha envolvimento com drogas. Na mesma noite, Fer­nan­do Ferreira de Moraes, 22 anos, foi executado com três tiros de pistola por um homem encapuzado. O crime ocorreu no bairro Xaxim.

Amigo achou corpo no escritório

Por Fernanda Trisotto e Adriano Ribeiro (Gazeta do Povo)

O escritor Wilson Bueno estava morto há mais de 12 horas quando seu corpo foi encontrado, por volta das 19h30 de ontem. Segundo o perito do Instituto de Criminalística do Paraná Edmar Cunico, Bueno foi assassinado com um golpe de arma branca no pescoço. Ele teria tentado reagir depois de ser esfaqueado. Não havia sinais de arrombamento na casa. O escritório de Bueno estava revirado e os peritos encontraram sacos plásticos vazios espalhados pelo chão, o que indica que o assassino pretendia roubar algo.

A diarista Jacinta Breck, que trabalhava havia sete anos na casa do escritor, chegou ao sobrado onde Bueno morava por volta das 9h30. Ela notou que o portão estava sem o cadeado e que a porta estava aberta. Segundo Ja­­cinta, um computador que sempre ficava no escritório, no segundo andar, estava na sala.

Por recomendação de Bueno, Jacinta só teria acesso ao segundo piso da casa depois que ele acordasse e lhe desse bom dia. Por conta dessa exigência, a diarista trabalhou normalmente no primeiro piso da casa. O escritor costumava levantar entre 15 e 16 horas, porque gostava de trabalhar de madrugada. Por volta das 17 horas, a diarista estranhou a ausência do patrão e decidiu ligar para um amigo dele, que foi até a casa e encontrou o corpo de Bueno no escritório.

De acordo com o primo do escritor Emídio Bueno Marques, Wilson Bueno estava caído na escrivaninha do escritório e havia muito sangue no local. Marques afirma que o local estava bastante bagunçado e que a primeira impressão foi de uma tentativa de roubo. “A paixão da vida dele era escrever, ser jornalista e ser escritor. Ele era um ícone da literatura do Paraná”, diz. Segundo o primo, Bueno estava editando seu 13º livro.

Abigail Schambeck, vizinha de Bueno, o conhecia há pelo menos 30 anos. Ele era morador do bairro e estava naquele sobrado havia dez. A vizinha afirma que não percebeu nenhuma movimentação estranha na casa do escritor durante o fim de semana. Ela conta que Bueno tinha muitos conhecidos e recebia muitas pessoas em casa.

O corpo foi retirado do local por volta das 23 horas e encaminhado ao Instituto Médico-Legal.

Bueno foi uma das vozes mais influentes do Paraná

Por Bruna Maestri Walter

Escritor e editor do extinto jornal Nicolau, Wilson Bueno era uma pessoa “turbulenta” e reclusa, mas divertida

O escritor José Castello via Wilson Bueno como uma pessoa inquieta, de temperamento forte, “turbulento”. Para o chargista do jornal O Estado do Paraná, Luiz Antônio Solda, amigo desde a década de 70, Bueno era solitário e andava recluso. Rogério Pe­­reira, editor do jornal Rascunho, acredita que, pelas primeiras impressões, tratava-se de uma pessoa divertida e bem humorada. Várias são as visões da personalidade de Wilson Bueno. Sua literatura, no entanto, é unânime: uma das mais importantes do Paraná.

Bueno nasceu em Jaguapitã, no Norte Central do Paraná, em 1949. É autor de Bolero’s bar (1986), Manual de zoofilia (1991), Amar-te a ti nem sei se com carícias (2004) e Cachorros do céu (2005). “A literatura se confunde com a minha própria percepção da vida e do mundo. Acho que minhas primeiras palavras, minhas primeiras expressões frente à decifração do mundo foram literárias. É curioso”, disse Bueno, em dezembro de 2006, durante o sétimo encontro do projeto Paiol Literário, realizado em parceria entre o Rascunho, o Sesi Paraná e a Fundação Cultural de Curitiba.

Para o jornalista Rogério Pereira, a obra de maior projeção de Bueno é Mar Paraguayo, livro escrito em 1992 em “portunhol”. Bueno tentou uma reprodução da linguagem dos hispânicos que vivem no Brasil, disse ao jornal Rascunho.

Outro trabalho de destaque de Bueno foi o jornal Nicolau, considerado o Melhor Jornal Cultural do Brasil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1987. Ele também era cronista do jornal O Estado do Paraná, da revista Ideias e colaborador do caderno cultural do jornal O Estado de São Paulo. Escreveu para a Gazeta do Povo quando tinha 14 anos. “É que a Gazeta tinha uma página literária e, nela, já pontificava Dalton Trevisan, com seus 45 anos. Na época, ele já começava a se tornar um grande nome literário”, disse Bueno durante o Paiol Literário.

O escritor José Castello afirma que Bueno era um autor muito envolvido com a vanguarda, a experimentação. “Era um cara inquieto como escritor. Os livros dele são muito diferentes um dos outros, sempre buscando coisas novas” diz Castello. “Ele também era cronista, poeta, fazia poemas curtos à moda japonesa. E teve essa passagem muito importante na história da imprensa literária, que foi o período longo (oito anos) que editou o Nicolau.”

Castello classificou a morte do amigo como algo odioso e abominável. Solda, chargista de O Estado do Paraná, morava perto de Bueno, mas não teve coragem de ir até a casa do amigo, local da morte. “É uma coisa muito dolorida.”

Bibliografia

Confira lista com os livros publicados de Wilson Bueno

Bolero’s Bar (Curitiba: Criar Edições, 1986)

Manual de zoofilia (Florianópolis: Noa Noa, 1991)

Ojos de água (Argentina: El Territorio 1992)

Mar paraguayo (São Paulo: Iluminuras, 1992)

Cristal (São Paulo: Siciliano, 1995)

Pequeno tratado de brinquedos (São Paulo: Iluminuras, 1996)

Medusario – mostra de poesia latinoamericana (México: Fondo de Cultura Econômica, 1996)

Jardim zoológico (1999)

Meu Tio Roseno, a cavalo (São Paulo: Editora 34, 2000)

Once poetas brasileños, de 2004

Amar-te a ti nem sei se com carícias (São Paulo: Editora Planeta, 2004)

Cachorros do céu (São Paulo: Editora Planeta, 2005)

Diário vagau (Curitiba: Travessa dos Editores (2007)

Pincel de Kyoto (2007)

Canoa Canoa(2007)

A copista de Kafka (São Paulo: Editora Planeta, 2007)

Ex-editor do Nicolau, escritor se impôs usando estilo e texto

Por Irinêo Baptista Netto

A literatura de Wilson Bueno era extremamente engenhosa e erudita. Muitos a achavam cerebral. Gostava de criar suas narrativas a partir de referências como Machado de Assis e o checo Franz Kafka. Era um escritor que se impunha pelo estilo, conhecido pelo tempo e pelo esforço que empregava ao burilar seus textos.

Antes de construir uma bibliografia respeitada, com 13 títulos publicados no Brasil, México e Argentina, Bueno chamou atenção no final dos anos 1980 como editor do Nicolau (1987-1995). A publicação abriu espaço para artistas do Paraná e de outros estados, apostando em autores que não tinham espaço em lugar algum. Eram escritores, poetas, cineastas e artistas plásticos que deram passos importantes no jornal.

Bueno estreou na ficção com Bolero’s Bar (1986). Mar Paraguayo (1992), que alia português, espanhol, guarani e portunhol, levou a obra Bueno ao exterior.

Uma mudança importante na carreira veio em 2004. Foi quando passou a publicar pela gigante Planeta. A estreia na nova editora foi com Amar-Te a Ti Nem Sei Se Com Carícias, todo escrito em português do século 19, uma homenagem a um dos escritores que mais admirava, Machado de Assis (outro era Guimarães Rosa). As fábulas de Cachorros do Céu, seu título seguinte, o colocaram entre os dez finalistas do Prêmio Portugal Telecom, um dos mais importantes do país.

Em A Copista de Kafka, o escritor escreveu uma série de contos independentes à primeira vista, mas que, juntos, criam um painel amplo e o aproximam do romance. Bueno havia entregado os originais de seu trabalho mais recente para a Planeta, uma narrativa que mistura memórias e ficção. “É o meu livro da maturidade, minha obra mais importante”, disse.

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Quem é que não sabia que revista Playboy e etc. são catálogos de prostituição?

30 de maio de 2010 11:12 am

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PF investiga prostituição de garotas de TV

Esquema descoberto pela Polícia Federal pagava até R$ 20 mil para dançarinas e modelos se prostituírem

Escutas revelam que mulheres eram levadas inclusive para outros países onde realizavam programas sexuais

Por FLÁVIO FERREIRA

FOLHA DE SÃO PAULO

São Paulo – O cliente do Paraná liga e diz que quer sair com “alguém consagrado”. A agenciadora cita os nomes de uma modelo, de uma dançarina de um programa de TV, de uma ex-capa de revista masculina. E lista os preços: R$ 6.000, R$ 4.000…

Em outra ligação, uma famosa assistente de palco de TV relata a uma agenciadora detalhes do programa que lhe rendeu R$ 10 mil.

Diálogos interceptados pela Polícia Federal mostram que uma rede de prostituição de luxo, descoberta em uma operação de 2009, intitulada Harém, cooptou modelos, atrizes e dançarinas de programas de TV, oferecendo cachês de até R$ 20 mil.

A Operação Harém chegou a ser divulgada pela PF no ano passado, mas agora a Folha teve acesso às escutas que mostram detalhes do filão mais lucrativo da quadrilha: o das “famosas” da TV e de revistas. E também de seus principais clientes: políticos, empresários e jogadores de futebol.

Em uma das gravações, um agenciador diz que um governador está interessado em uma dançarina de um programa de TV. Outra aliciadora diz que não seria possível, pois ela estava “namorando um playboyzinho”.

Em outra escuta, uma paulista que já posou várias vezes para revistas masculinas e é destaque de escolas de samba foi enviada à França pelo grupo para atender a um jogador de futebol francês. Ganhou R$ 6.000.

O preço mais alto discutido pelos agenciadores grampeados pelos agentes da Polícia Federal foi de cerca de R$ 20 mil.

Eles negociaram uma a noite com uma mulher casada e com filhos.

Nas escutas, os aliciadores citam também muitas mulheres que consideram impossíveis ou difíceis de serem cooptadas pela rede de prostituição de luxo.
INVESTIGAÇÃO

Das 12 mulheres indicadas como testemunhas de acusação pelo Ministério Público, três frequentam as telas da TV e duas já foram capa de revistas masculinas.

O caso da modelo que foi para França foi usado nos relatórios da PF para comprovar que os aliciadores cometeram crimes de tráfico internacional de pessoas para exploração sexual.

De acordo com a PF, o esquema era liderado por Yzamak Amaro da Silva, conhecido como “Mazinho”, e Luiz Carlos Oliveira Machado, o “Luiz da Paulista”.

Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas à Justiça por quatro crimes ligados à exploração da prostituição, além de formação de quadrilha. As penas podem chegar a 26 anos de prisão.

O processo criminal do caso está na fase de depoimento de testemunhas.

Como a prostituição não é crime, nem as garotas nem os clientes foram denunciados, e a Folha decidiu não publicar seus nomes.

Esquema tinha até um manual de conduta

As escutas da Operação Harém mostram que a prostituição de luxo envolve regras, condutas e fetiches particulares.

As investigações da PF mostram que as mulheres mais conhecidas na mídia fazem exigências para se prostituírem, como: o encontro deve ser em um hotel de luxo, e a entrada deve ser pela garagem, ou a relação sexual deve ser “padrão”- aquelas que aceitam extravagâncias cobram preços extras.

Em um dos grampos da PF, uma aliciada “famosa” enviada à França fez uma declaração sobre os fetiches dos clientes. “Hoje é muito diferente de antigamente, pois antes as meninas deveriam ser lindas, mas agora elas têm que fazer algo bizarro, filme pornô, etc.”, disse ela.
RESORT

Um resort na República Dominicana envolvido no esquema criou um manual de conduta para as brasileiras enviadas ao hotel.

Elas recebiam o manual em português e inglês e tinham que assiná-lo para mostrar concordância com as regras. Uma delas dizia: “Não é permitido banho de sol de topless em público. Topless é obrigatório na piscina privativa do resort”.

Ocidente é menos liberal com relação a prostitutas

Por HÉLIO SCHWARTSMAN

ARTICULISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO

Para os dicionários, “homem público” é o indivíduo que desempenha altas funções no Estado. Já “mulher pública” significa “puta” mesmo. Mais do que preconceito de gênero, a diferença de tratamento revela também o fascínio exercido pela prostituição sobre a sociedade e, por extensão, o idioma.

Das 32 locuções com a palavra “mulher” registradas pelo “Houaiss”, 19 (60%) são um eufemismo para “marafona”. O mesmo dicionário, no verbete “meretriz”, traz nada menos que 121 sinônimos para o termo, sem pretender esgotá-los.

Se a profissão mais antiga do mundo é assim tão popular, como pode ser considerada crime? Ou, como colocou o comediante norte-americano George Dennis Carlin, “por que é ilegal vender algo que pode ser dado de graça totalmente dentro da lei?”

O tratamento jurídico dado às mulheres da vida varia bastante no espaço e no tempo. Há desde países islâmicos em que elas são condenadas à morte por dilapidação até algumas nações ocidentais, como Holanda, Alemanha, Suíça e Nova Zelândia, em que a atividade é legal e está regulamentada.

A grande maioria dos países ocidentais, contudo, adota uma posição menos liberal. Não chega a proibir uma pessoa de entregar-se por dinheiro, mas veda explorar comercialmente a libidinagem de terceiros. É nessa categoria que se inscrevem Brasil, França, Canadá e Dinamarca, entre outros.

As coisas ficam ainda mais confusas se analisarmos o tratamento dado à prostituição através da história. O primeiro erro seria imaginar que caminhamos de uma situação de total rejeição para uma de maior tolerância.
DEVER RELIGIOSO

Entre os antigos, vender o corpo chegou a ser um dever religioso. Esse hábito escandalizou o historiador grego Heródoto, que escreveu: “Vejamos agora o costume mais vergonhoso dos babilônios. É preciso que cada mulher do país, uma vez em sua vida [normalmente antes do casamento], se una a um homem estrangeiro no templo de Afrodite [é como Heródoto traduz Ishtar] (…) Quando uma mulher está sentada ali [nas cercanias do templo], tem de esperar para poder voltar a casa que um estrangeiro lhe tenha jogado dinheiro nos joelhos e se tenha unido a ela no interior do templo (…) A mulher não tem absolutamente o direito de recusar o homem, pois o dinheiro é sagrado. (…) As que são belas e têm um belo corpo podem voltar rapidamente para casa; mas as feias são obrigadas a ficar ali por muito tempo, sem poder satisfazer a lei. Algumas ficam lá por três ou quatro anos”.

O dinheiro arrecadado pelos templos era depois emprestado a juros, no que constitui a origem das primeiras casas bancárias.

A reação de Heródoto não significa que os gregos condenassem a venda do sexo. Muito pelo contrário, entre as grandes realizações de Sólon, o legendário legislador ateniense, é sempre citada a criação dos bordéis públicos a preços módicos. Atenienses viam a iniciativa como parte de sua democracia.

OUTRO LADO

Acusado diz que não atua mais com prostituição

Agenciadores de prostituição luxo estão enviando brasileiras à África do Sul para atender clientes durante a Copa, segundo um dos réus da Operação Harém da PF.

Luiz Carlos Oliveira Machado, o “Luiz da Paulista”, apontado pela PF como um dos líderes do grupo de aliciadores descoberto pela PF, afirmou à Folha que atuou por 17 anos com agenciamento, mas deixou tal a atividade quatro anos anos antes de a PF iniciar a operação.

Machado disse que atualmente trabalha com investimentos em imóveis e comércio de bebidas, mas continua tomando conhecimento sobre as ações de agenciadores.

Ele diz que há cerca de 15 intermediadores em ação na prostituição de luxo, e eles já enviaram mais de 50 mulheres para a África do Sul. “Elas assinam contratos para trabalhar como recepcionistas, recebem US$ 500 por dia, mas é tudo fachada”, disse.

Segundo o acusado há grandes empresas que também contratam mulheres para acompanhar convidados e realizar programas sexuais com eles na Copa.

Segundo ele, não há provas de que ele tenha atuado como agenciador e ele foi grampeado porque aliciadores na ativa ligaram para ele pedindo informações.

Aleixo de Lelles, advogado do réu Yzamak Silva, disse que não há elementos no inquérito que provem que o acusado cometeu crimes.

FOCO

Assédio é frequente, afirma dançarina de televisão

Por AUDREY FURLANETO

Rio de Janeiro – Um homem ou mulher se aproxima e entrega um cartão de visitas com telefone. É a forma mais frequente de abordagem para tentar um “programa de luxo”, conta Nicole Bahls, uma das “panicats” (dançarinas de palco e personagens do “Pânico na TV!”, da Rede TV!).

Aos 24 anos e escalada para estampar a “Playboy” de agosto ou setembro, ela já recebeu “quatro ou cinco propostas” diretas ou feitas por “intermediários”.

“Alguém aborda e entrega um cartão. “Vou deixar meu cartão e você me liga.” Vai deixar cartão para quê, entende? Que relação é essa?”, questiona.

Ex-dançarina e atriz do “Pânico”, Regiane Brunnquell, 27, deixou o programa há cerca de um ano. Interpretava a personagem “Sandy Capetinha”, versão sexy e engraçada da cantora Sandy.

Formada em administração, ela conta que ouviu incontáveis propostas, mas, “por uma questão de postura”, nunca aceitou. “Já recebi umas do tipo: fui fazer evento e o filho de um governador mandou uma pessoa perguntar o que eu gostaria de jantar. E não: “Quanto é?” Essa coisa vulgarizada, não.”

Regiane deixou o “Pânico” na tentativa de ser apresentadora de um programa próprio, para adolescentes. Hoje, faz participações no SBT e em eventos a convite.

Para Nicole Bahls, as investidas e propostas são “o resultado de ter um trabalho de biquíni”. “As pessoas julgam. A exposição do corpo ainda não é uma coisa natural”, avalia.

“Uma vez, [a pergunta] foi bem direta: “Qual é o valor?”. Eu já tinha passado por uma situação, tinha ficado chocada e levei na brincadeira: “É um milhão!”. Também digo: “Quanto é que sua mãe está cobrando?'”

Ela conta que a maioria das propostas vem de empresários “que querem aparecer”. “Não vou citar nomes, né, amiga?”

Adiós a Dennis Hopper, forajido e icono de la contracultura

9:00 am

Por Fernando Navarro

A diferencia de tantos actores, de grandes actores incluso, de actores muy bien pagados y galardonados en Hollywood, Dennis Hopper era mucho más que ellos. Dennis Hopper era un icono. Como Chaplin para el cine mudo, como Humphrey Bogart para el blanco y negro, como Marlon Brando para la seducción de la pantalla, como Robert de Niro para noquear en un fotograma, Hopper era un símbolo para la cultura popular. Era el forajido del cine.

La muerte de este actor y director supone el adiós definitivo a la imagen de la contracultura en el séptimo arte. No se puede entender a Hopper n Easy Rider, aunque era mucho más que esa película de culto para la generación de los sesenta. Porque Hopper, entre otras cosas, participó en otras cintas imprescindibles como Apocalipsis Now o Blue Velvet y con su visión del género ayudó a introducir a la generación del “Nuevo Hollywood”, formada entre otros por George Lucas, Martin Scorsese y Steven Spielberg, en la industria cinematográfica. Aún así, Easy Rider refleja el Hopper mítico, insignia de la generación del rock’n’roll. No es de extrañar, por tanto, que fuera uno de los primeros actores a los que la por entonces mordiente y alternativa Rolling Stone dedicó una portada.

Easy Rider fue un proyecto personal de un principiante Dennis Hopper. Actor, director y guionista, la película tenía un coste inferior a los 500.000 dólares aunque luego fue un verdadero éxito de taquilla. Era un retrato ácido y excitante de la América del 69, donde se combinaba sexo, drogas y rock al mismo tiempo que se reflejaba un país histérico y desfasado, repleto de contradicciones, en cuyos márgenes (carreteras sin rumbo, lugares de paso, salas de conciertos) latía una contracultura enfrentada al poder corrupto y vicioso, diferenciada de la sociedad dominante por su capacidad crítica y su aire de cambio y evolución.

La trama es bien simple: Dennis Hopper y Peter Fonda, dos calaveras, dos desheredados de los años dorados, acaban de sacarse una buena pasta al engañar a un traficante de droga y no tienen más aspiración que cruzar Estados Unidos con sus choppers y llegar al carnaval de Nueva Orleans (Mardi Grass). Y, entre tanto, carretera, paisajes legendarios de EE UU, LSD, personajes estrambóticos y mucho rock.

El tema central de la película es “Born to be wild” de Steppenwolf. Una canción como un relámpago en plena tormenta. Construido sobre un inmortal riff de guitarra, acolchado por el característico órgano Hammond, “Born to be wild” huele a asfalto y gasolina, es pura cilindrada para la carretera. Aunque es el más característico y legendario, no fue el único gran tema. Otros grupos importantes participaron en la película como los Byrds con “Wasn’t Born To Follow”, Jimi Hendrix con “If 6 Was 9”, Jefferson Airplane con “White Rabbit” o los Who con “I Can See For Miles”.

Para esta legendaria cinta, de alguna manera, Hopper venía influenciado por películas como Rebelde sin causa, Gigante o Salvaje. Pero Easy rider fue el western de la contracultura. Sus dos protagonistas se llaman Wyatt (Peter Fonda) y Billy (Dennis Hopper,), nombres que aluden a los míticos personajes del oeste Wyatt Earp y Billy The Kid, y, como ellos, son dos outlaws (”fuera de la ley”) vagando por el desierto. En vez de caballos llevan sus motocicletas con la bandera de EE UU pintada en el depósito de la gasolina. Pocos iconos se pueden comparar a esa imagen.

Ahora que te has ido, Dennis, tenlo claro: muchos soñamos con el horizonte de la carretera por la que quemaste tus ruedas. Gracias a ti, es nuestra particular utopía.

Glass

28 de maio de 2010 2:26 pm

Clube Atlético Paranaense

24 de maio de 2010 10:47 am

Brasil é independente diante de “arrogância” dos EUA, diz aiatolá

16 de maio de 2010 1:13 pm

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Khamenei agradeceu a presença do presidente Lula, mas não faz nenhum comentário sobre as negociações em relação ao programa nuclear iraniano

TEERÃ – O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse neste domingo, 16, após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Teerã, que o Brasil adotou posições independentes contra as “políticas arrogantes” dos Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias oficial iraniana IRNA, o aiatolá disse que o Irã “acolhe” a ampliação da cooperação mútua com o Brasil no nível internacional.

Lula e Khamenei encontraram-se neste domingo. A reunião também teve participação do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Na nota divulgada pela agência oficial iraniana, Khamenei agradece a presença do presidente Lula, mas não faz nenhum comentário sobre as negociações em relação ao programa nuclear iraniano.

Lula foi à Teerã apresentar uma proposta do Brasil e da Turquia para evitar que o Irã receba sanções do Conselho de Segurança da ONU, no impasse gerado pelo seu programa nuclear.

“O Brasil adotou posturas independentes ao negociar com as políticas arrogantes dos Estados Unidos nos últimos anos”, disse Khamenei após o encontro com Lula, segundo a agência de notícias IRNA.

“A República Islâmica do Irã acolhe completamente a ampliação da cooperação mútua com o Brasil em níveis mutuais e internacionais.”

Khamenei disse que Estados independentes devem cooperar entre si para mudar as “injustas equações” globais.

“Nós acreditamos que os países que foram marginalizados ao longo dos últimos 200 anos devido às políticas ilógicas de potências agressivas podem ter um papel fundamental no desenvolvimento global.”

Segundo a IRNA, o aiatolá destacou que o Brasil fez “grande progresso” nos últimos anos e que o país é o “maior e mais influente” da América Latina. O aiatolá pediu a expansão das relações entre Brasil e Irã e uma reforma da ONU.

A agência afirma que, ao comentar a “postura do Irã diante dos assuntos internacionais”, Khamenei disse que “o Brasil acredita que é direito legítimo da nação iraniana e do seu governo de defender sua independência e desenvolvimento pleno”.

Após o encontro com Khamenei e Ahmadinejad, Lula seguiu para seus outros compromissos no domingo, que incluem uma reunião com o presidente da Assembleia Consultiva Islâmica, Ali Larijani, e um encontro com empresários iranianos e brasileiros. À noite ele participa de um jantar oferecido por Ahmadinejad.

O ministério das Relações Exteriores disse à BBC Brasil que a coletiva de imprensa que estava programada para acontecer após o encontro com Ahmadinejad não foi realizada, e que não há previsão se Lula e Ahmadinejad falarão à imprensa neste domingo.

Impasse nuclear
Lula foi ao Irã para apresentar uma proposta do Brasil e da Turquia para evitar que o Irã seja alvo de sanções internacionais.

O Conselho de Segurança da ONU pretende adotar novas sanções contra o Irã, já que alguns integrantes do Conselho – como os Estados Unidos – desconfiam das intenções do governo de Teerã quanto ao seu programa nuclear.

O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos, e que o país não pretende desenvolver armas nucleares. O Brasil e a Turquia elaboraram um plano que foi levado por Lula a Ahmadinejad. Na sexta-feira, em encontro com Lula em Moscou, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que a proposta do Brasil e da Turquia seria a última chance do Irã de evitar as sanções da ONU.

A base da proposta turca e brasileira continuaria sendo o plano da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), do final do ano passado, que prevê o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.

Na segunda-feira, 17, o presidente participa de uma reunião do G15, um grupo de cooperação entre países em desenvolvimento não-alinhados. Além de Brasil e Irã, participam do G15 Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Malásia, México, Nigéria, Quênia, Senegal, Sri Lanka, Venezuela e Zimbábue.

Antes de embarcar para o Irã, em Doha, no Catar, Lula disse não entender o ceticismo da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre a possibilidade de o Irã mudar sua postura sobre o seu programa nuclear através do diálogo.

BBC Brasil

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“Amigas” do xeque: como são selecionadas as mulheres que animam as festas de um príncipe saudita

9 de maio de 2010 10:53 am

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El País

Por María Martín

“Quero esta. Esta… e esta também.” O jovem xeque indica com o dedo as modelos que o acompanharão em sua mesa durante a balada. Anoitece nas ilhas Seychelles e a milionária festa de arrecadação de fundos para a ONG Save Our Seas, dedicada à proteção dos oceanos para as futuras gerações, acaba de começar. O anfitrião, um príncipe saudita que se faz chamar de Aldo, sorri com o novo sucesso de seus eventos: compareceram mais de 80 convidados de luxo.

Ele também gosta do grupo de mulheres deslumbrantes de todo o mundo que viajaram para uma das ilhas paradisíacas contratadas para a ocasião. Para sua mesa, escolhe as que mais lhe apetecem, entre elas várias espanholas. São modelos profissionais, atrizes, bailarinas e ex-misses, estritamente selecionadas no quarto de um hotel em Madri e em uma agência em Barcelona. Por 1.500 euros, cada uma das escolhidas embarca em voos com destino a paraísos distantes para entreter o príncipe e seus convidados. Garotas bonitas para homens ricos.

Tudo começa com um “casting”, uma seleção de elenco.

Quarto 205 do exclusivo hotel Me, na praça de Santa Ana em Madri. Graciela, Silvio e Ricardo fazem uma pausa. Ela, uma peruana que beira os 45 anos, sobrancelhas desenhadas e seios tão grandes quanto artificiais, retoca-se no banheiro. Eles, cubanos e amigos há duas décadas, olham sem prestar atenção para uma TV de plasma. Fotos de mulheres com pouca roupa em poses sensuais salpicam as paredes do quarto. Uma jornalista, que se apresenta como aspirante, bate à porta. Graciela abre muito sorridente. Começa a seleção.

Enquanto Ricardo, apático, nem se levanta da cadeira, Silvio, um homem corpulento vestido de Dolce & Gabbana até o anel, e Graciela, a mulher coquete que toma as decisões, dirigem a conversa. Querem saber os gostos da suposta aspirante, seus estudos, hobbies e idiomas que domina.

“Sabe fazer alguma coisa especial?”, pergunta Graciela depois de um momento.

“A que se refere com ‘algo especial’?”

“Não sei. Seria ótimo se você soubesse dançar sevilhanas, ou fizesse truques de mágica, ou cantasse…”

“Não, na verdade não…”. A jornalista decepciona.

A conversa continua muito cordialmente, embora diminua o interesse do casal: procuram mulheres com algum talento especial, alguma habilidade. Não vale qualquer garota bonita.

“Silvio, vamos fazer a prova do biquíni nela?”

“Não é preciso. Com esse vestido já vemos tudo.”

Acaba o encontro e eles marcam em um formulário a beleza, a personalidade e a flexibilidade da agenda da candidata.

Se a modelo os cativar, a convidarão no dia seguinte para um coquetel no mesmo hotel para se certificar de que não se enganaram. “Queremos ver como se move, como se relaciona com as outras garotas, quanto álcool bebe, sua elegância…”, explicava Silvio na semana passada, quando soube da publicação desta reportagem. “São eventos privados, de alto nível, e queremos que continuem sendo assim.”

Como diz Silvio, que se encarrega de coordenar os espetáculos e acompanhar as garotas “a todo momento” durante as viagens, as que vão ao encontro –mais um dos que Graciela organiza há seis anos– não são mulheres comuns. São mais que bonitas, são preciosas, de seios grandes e belas curvas; falam idiomas; não podem ser tímidas, mas também não parecer espertas demais, não podem se descontrolar. E sempre tentam que vá alguma espanhola, “para que o príncipe lembre de suas raízes”, costuma comentar Graciela nos “castings”.

As escolhidas serão encarregadas de enfeitar um ambiente de luxo, de deliciosos manjares de peixes e mariscos regados com o melhor vinho, garçons em cada esquina e um orçamento desenfreado de lazer: modelos, orquestras, bailarinas, cômicos, jetskis, submarinos, mergulhos no mar em busca de tubarões brancos, uma espécie que o misterioso príncipe protege na fundação Save Our Seas, que contrata esses saraus, segundo Silvio.

Os convidados, nos quais também se pensa quando se contratam as modelos, fazem parte da elite dos negócios, da moda, do futebol e inclusive da política mundial. São os milionários amigos e colaboradores do príncipe Aldo, a quem sobra dinheiro, mas “falta um empurrãozinho para soltar-se”, explica Verónica, modelo e encarregada da agência de Barcelona que seleciona as candidatas.

Pouco se sabe desse príncipe, cuja identidade real suas garotas desconhecem e os organizadores mantêm em segredo. Com cerca de 35 anos, ele é rico e poderoso, “tem um exército que o protege”. Amante do flamenco e da cultura espanhola, tímido, atento e de poucas palavras, costuma agradar às modelos.

“A garota tem de parecer apenas uma convidada, mas precisa fazer algo. Ou dançar, ou cantar, ou fazer um pequeno desfile, caso participe algum estilista”, explica Verónica (os nomes de todas as garotas nesta reportagem são fictícios). Ela recebe uma comissão de 750 euros por participante. Em Madri é uma ex-miss Cádiz quem convence –e às vezes insiste– as garotas para aproveitar essa particular oportunidade de trabalho que percorre rapidamente as salas de espera dos “castings”, os pontos de encontro das modelos.

É um negócio suculento para a modelo porque Graciela –e o príncipe– não gostam que elas repitam a experiência e precisam de novas garotas em cada um desses eventos, que se realizam pelo menos quatro vezes por ano. Meia dúzia de modelos relacionam a ex-miss com as viagens e afirmam ter sido convidadas por ela. Afirmam que ela embolsa 375 euros por candidata escolhida. Um salário de milhares de euros que até agora conseguiu sem muito esforço, pois ao ouvir “férias grátis” muitas garotas vão sozinhas. Não convence, porém, aquelas que nem se imaginam passar cinco dias dançando para um senhor que não conhecem, por 1.500 euros. Também há dessas.

Seguros de que a aspirante é adequada para uma comemoração desse nível, os organizadores confirmam as datas da viagem e lhe entregam um papel com as instruções a seguir. “Este é um evento para que você mostre seus talentos, habilidades e destrezas. Também para que se divirta, desfrute e aprenda”, diz em inglês o cabeçalho do texto. O parágrafo de recomendações da carta sugere que a modelo deve dormir durante o voo e fazer um tratamento facial prévio. Lembra a importância de “um cabelo, uma manicure e uma pedicure impecáveis”. E por último as exigências do vestuário: biquíni de manhã e “bonitos vestidos de coquetel” para a noite. “Não esqueça também de trazer vestidos coloridos. Que não sejam só longos e pretos, por favor.” A nota também exige “sapatos adequados”; concretamente, três pares, de saltos dourados, prateados e pretos.

“Admito que quando se ouve no início essa história é difícil acreditar que não haja nada estranho por trás.” É o que diz Verónica, a recrutadora de Barcelona, e reconhecem três das escolhidas, que contaram sua experiência como acompanhantes do príncipe Aldo em diversas viagens para lugares de sol e praia. Claudia foi contratada há quase dois anos para abrilhantar uma festa privada do xeque –sem relação com a ONG– na Sardenha, a ilha italiana onde eclodiu o escândalo das famosas “veline” que enfeitavam as luxuosas festas organizadas pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Claudia conta que não soube dos detalhes do evento até a chegada, e apesar de lhe terem dado uma má referência aceitou ir “com pés de chumbo”. “A festa foi em uma casa maravilhosa que o príncipe tem em Porto Cervo; os convidados eram gente jovem, bonita –ela cita o empresário de uma estrela pop internacional e um famoso jogador de futebol. A comida era simples, mas deliciosa”, lembra.

Parece que o ceticismo inicial das modelos se dilui com cinco dias de sol e tratamentos de beleza. “É o melhor evento em que estive em minha vida”, afirma a ex-miss Espanha, que se hospedou no hotel que o príncipe comprou nas Seychelles. “Iria de novo sem pensar duas vezes”, afirma também Claudia, que fala do príncipe como uma pessoa “educadíssima” e que “apesar do dinheiro e do poder que tem” lhe servia a comida no prato.

Malena, conhecida nos estúdios de televisão e ex-namorada de famosos, estreou em Agadir (Marrocos) e não hesitou em repetir nas Seychelles. Ela se define como o “bufão” do xeque, aquela que o faz rir e o tira para dançar.

Quem não voltará é a mexicana Virgínia, das primeiras modelos a acompanhar o príncipe nas paradisíacas ilhas do Índico há mais de seis anos. “A mim me venderam uma festa para ir como recepcionista. Foi uma má experiência. Não voltaria de jeito nenhum, e isso que neste inverno [a recrutadora de Madri] insistiu bastante”, repete nas duas vezes em que foi entrevistada sobre as viagens.

Esta é a sua história: “Já estávamos jantando e um dos convidados do príncipe, que estava sentado ao meu lado, começou a falar comigo. Se encantou comigo e passou a noite toda insistindo, me assediando tanto que eu não sabia como me livrar dele.” Então Graciela ficou furiosa. “Pensei que tivesse se aborrecido porque estava flertando com o senhor”, mas não, “era porque não estava dedicando atenção suficiente ao príncipe”, lembra a modelo, ainda indignada. “Ela inventou que o príncipe tinha se aborrecido comigo. Me pressionou muito, disse que o havia deixado enciumado.” O assunto ficou sério quando, sempre segundo Virginia, Graciela ameaçou devolvê-la a seu país. “Agora vejo com mais perspectiva, mas foi realmente chato.” E, como o cliente não ficou satisfeito, afirma que ninguém lhe pagou no final do evento.

A organizadora recebe mais críticas. “Eram 11 da manhã, estávamos na praia com muito calor e Graciela se aproximou, me olhou e disse: ‘E você, por que não se maquiou?’ ‘Você não vai querer que eu me monte a esta hora?’, eu perguntei. Pois ela me fez subir para o quarto e ela mesma me maquiou. ‘É preciso estar sempre perfeita’, disse-me.”

A anedota ilustra o cuidado excessivo que algumas modelos criticam em sua chefe, que além de estar sempre pendente da atitude e do vestuário de suas modelos não tira o olho do príncipe para interpretar suas necessidades e saber se está se divertindo. “Aproxime-se um pouco mais dele”, “Sorria, que ele está sozinho”, “Por que não o tira para dançar?”, “Tente ser um pouquinho mais simpática”, ela pede constantemente às garotas.

O plano deixa qualquer uma desconcertada. A seguinte conversa em sussurros ocorreu em dezembro passado entre duas aspirantes, enquanto esperavam que Graciela as atendesse no quarto do hotel em Madri.

“Você sabe direito o que é isso?”

“É alguma coisa de recepcionista.”

“De recepcionista? Não, não lhe disseram o que é?”

“Me disseram que essa pessoa [Graciela] trabalha para uns árabes e organiza festas nas Seychelles. Espero que não seja uma rede de prostituição.”

A organizadora, que finalmente acabou de falar ao telefone, corta a conversa das duas candidatas, uma jovem atriz e uma modelo de olhos verdes e ascendência árabe que domina a dança do ventre. É a atriz quem conta com detalhes os 40 minutos de conversa.

Graciela lhes vende muito bem o evento. “Nos disse que haveria dois bailarinos para animar a festa e teríamos um maquiador cubano [Ricardo], um estilista de Johannesburgo e um grupo de filipinos e africanos para nos dar massagens. Todos sempre à nossa disposição.” Conta que haverá uma “festa à fantasia secreta”, cuja temática só é revelada no próprio dia, “uma festa flamenca” e “uma noite de cassino” às custas do xeque. “Tudo o que vocês ganharem vocês levam”, diz Graciela. Ela se refere a sua equipe como “os que cuidam de alegrar a vida do príncipe, porque é um homem muito estressado, que viaja muito”, e, já em confiança, também lhes fala sobre o grupo de amigas alemãs que irão a esse evento e que “juntas fazem coisas muito loucas”. É encantadora com as garotas, e gosta delas, sobretudo da modelo, à qual adianta: “Se o príncipe gostar de sua dança do ventre, ele fala comigo em particular e me pede que você fique mais alguns dias.”
O “casting” vai terminar.

“Lhes disseram para trazer biquíni?”, pergunta às meninas.

“Biquíni para quê?”, perguntam em uníssono.

“Não pensem mal, as festas são sempre vestidas, mas também vamos à praia”, explica Graciela, e aproveita para contar uma anedota que apresenta como obrigatório o uso do traje de banho.

“Uma vez tivemos uma garota hindu que não quis entrar na água de biquíni. Se soubéssemos disso, nunca a teríamos trazido.” É então que a organizadora fica séria: “Não quero que vocês pensem que isto é outra coisa, porque já ouvi rumores de que levamos as garotas para não sei onde, para fazer não sei o quê”, disse Graciela, segundo conta a atriz. “Ela foi vaga, nunca disse a palavra ‘sexo’, mas a entendemos.”

Graciela não explicou exatamente a que tipo de rumores se referia, mas sabe que eles existem e que as longas esperas dos inúmeros “castings” de todo tipo que se realizam em Madri são o cenário perfeito para propagar o que poderiam, ou não, ser rumores que, sim, incluem a palavra “sexo”. Verónica, em Barcelona, concorda que escutou que “algumas modelos de Madri” dizem que vão a essas festas “como putinhas”, mas ela crê que é uma invenção. “Os convidados do príncipe vão tentar dormir com você, é claro. Eles acreditam que conosco, em geral, deveria ser mais fácil. Mas você, se vê que lhe agrada, dá corda; senão, se afasta para evitar malentendidos e pronto. Como em qualquer festa”, resolve uma ex-miss Espanha de 27 anos, que viajou para as Seychelles.

“Algumas garotas vão a esses eventos para paquerar o xeque, mas é a mesma coisa que ir a uma discoteca e dormir com alguém que não se conhece”, acrescenta Verónica. “São garotas que se candidataram a misses, não ganharam nada e ficaram para trabalhar em Madri. Nunca chegam a fazer direito e acabam indo à discoteca Budah para encontrar algum jogador de futebol. São essas que acabam armando confusão”, ilustra Verónica, para descrever o perfil de garota que, segundo ela, alimenta os rumores. O assunto dá muito o que falar.

O último “casting” foi realizado em 22 de abril passado. A cena é a habitual. Na porta, duas jovens candidatas sobre saltos finos e supermaquiadas compartilham suas experiências como manequins em Nova York e Milão. Acabam de sair do teste, do qual desta vez se encarregou Silvio sozinho. Como foi? “Muito bem, o rapaz é encantador.”

E para quê é isso exatamente, você entendeu direito? “É alguma coisa solidária, não é?” As próximas amigas espanholas do príncipe já estão com o passaporte e o biquíni em suas malas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Freud

9:46 am